Sobre a propedêutica e a semiologia na investigação de pacientes com doenças da coluna vertebral, assinale a alternativa INCORRETA.
ANo teste de Roger e Bikelas, o médico se posta por trás do paciente e realiza a extensão do membro superior e abdução do ombro acometido. Sua positividade indica compressão mielorradicular.
BA manobra de Lasègue consiste na elevação do membro inferior, com joelho em extensão e com o paciente em posição supinada. Diz-se que o teste é positivo quando reproduz a dor irradiada entre 30 e 70° de elevação do membro, porém há grande variação na literatura sobre esse valor.
CA combinação de um sinal de Lasègue positivo com um sinal de Lasègue contralateral também positivo tem uma acurácia e especificidade em torno de 97% para compressão radicular.
DO teste de Gaenslen é realizado com o paciente em decúbito dorsal horizontal, com uma das pernas para fora do divã; desencadeando-se dor na região sacrilíaca durante o membro contra o divã, o teste é considerado positivo.
ERealiza-se a manobra de Nachlas com o paciente em decúbito ventral e promove-se uma flexão do joelho e uma extensão do quadril, de modo que a fossa poplítea vá ao encontro do glúteo ipsilateral. A manobra promove um aumento de tensão sobre o nervo femoral, especialmente sobre as raízes de L5-S1.
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GabaritoE — Realiza-se a manobra de Nachlas com o paciente em decúbito ventral e promove-se uma flexão do joelho e uma extensão do quadril, de modo que a fossa poplítea vá ao encontro do glúteo ipsilateral. A manobra promove um aumento de tensão sobre o nervo femoral, especialmente sobre as raízes de L5-S1.
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Semiologia da coluna vertebral: testes especiais e manobras de provocação radicular
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que descreve a manobra de Nachlas como um teste que aumenta a tensão sobre o nervo femoral, especialmente sobre as raízes de L5-S1. Na verdade, a manobra de Nachlas (flexão do joelho com extensão do quadril em decúbito ventral) tensiona o nervo femoral e suas raízes altas, predominantemente L2-L3-L4, e não L5-S1, que são raízes do nervo ciático. As demais alternativas descrevem corretamente os testes de Roger e Bikelas, Lasègue, combinação de Lasègue bilateral e Gaenslen.
A propedêutica da coluna vertebral utiliza uma série de manobras e testes especiais para reproduzir sintomas e identificar a origem da dor, diferenciando compressões radiculares, medulares e disfunções articulares. Esses testes são fundamentais na prática ortopédica e neurológica, pois orientam a investigação diagnóstica e a conduta terapêutica. Cada manobra tem uma técnica específica e um significado clínico próprio, e a banca explora exatamente o conhecimento desses detalhes.
O teste de elevação do membro inferior, popularmente conhecido como manobra de Lasègue, é um dos mais clássicos. Ele é realizado com o paciente em decúbito dorsal, elevando-se passivamente o membro inferior com o joelho estendido. O nervo ciático fica sob tensão entre 35 e 70 graus de flexão do quadril, e a reprodução da dor irradiada nesse arco sugere compressão radicular, tipicamente em hérnias discais nos níveis L4-L5 e L5-S1. A dorsiflexão do tornozelo sensibiliza o teste, diferenciando a dor radicular do estiramento dos tendões isquiotibiais. Um aspecto importante é que o aparecimento de sintomas no membro contralateral durante o teste indica grande protrusão discal ou fragmento livre medial à raiz, e essa combinação tem alta especificidade para compressão radicular.
Já o teste de estiramento do nervo femoral, que inclui a manobra de Nachlas, é realizado com o paciente em decúbito ventral ou lateral, promovendo a extensão do quadril com o joelho em flexão. Essa manobra tensiona o nervo femoral e suas raízes, que são as raízes altas L2, L3 e L4. O aparecimento de dor na região lombar, nádega ou coxa indica compressão dessas raízes. A confusão entre as raízes do nervo femoral (L2-L4) e as raízes do nervo ciático (L4-S3) é a pegadinha central desta questão: a banca troca as raízes acometidas pela manobra de Nachlas, atribuindo a ela uma tensão sobre L5-S1, que são raízes ciáticas, quando na verdade o teste avalia o território femoral.
Além desses, outros testes complementam a avaliação. O teste de Roger e Bikelas, por exemplo, é realizado com o médico atrás do paciente, promovendo extensão do membro superior e abdução do ombro, e sua positividade indica compressão mielorradicular. O teste de Gaenslen, por sua vez, é utilizado para avaliar a articulação sacrilíaca, com o paciente em decúbito dorsal e uma perna para fora do divã, desencadeando dor na região sacrilíaca. Cada um desses testes tem indicação e interpretação específicas, e o conhecimento dessas nuances é o que diferencia o candidato bem preparado.
A pegadinha desta questão está na inversão das raízes nervosas acometidas pela manobra de Nachlas. O candidato que memoriza a manobra como "teste do nervo femoral" pode associá-la erroneamente às raízes baixas, quando na verdade o território femoral é das raízes altas. Guarde a fronteira: nervo femoral = raízes L2-L3-L4; nervo ciático = raízes L4-L5-S1-S2-S3. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Teste/Manobra
Técnica
Posição do Paciente
Raízes Avaliadas
Indicação/Interpretação
Lasègue
Elevação passiva do membro inferior com joelho estendido
Decúbito dorsal
L4-L5-S1 (nervo ciático)
Dor irradiada entre 30° e 70°; Lasègue contralateral positivo = alta especificidade (97%) para compressão radicular
Nachlas
Flexão do joelho + extensão do quadril (fossa poplítea ao glúteo)
Decúbito ventral
L2-L3-L4 (nervo femoral)
Aumento de tensão no nervo femoral; dor lombar/nádega/coxa indica compressão das raízes altas
Roger e Bikelas
Extensão do membro superior + abdução do ombro (médico atrás do paciente)
Em pé
Mielorradicular
Positividade indica compressão mielorradicular
Gaenslen
Uma perna para fora do divã, membro contra o divã
Decúbito dorsal horizontal
Articulação sacrilíaca
Dor na região sacrilíaca = teste positivo
Testes de estiramento radicular
1Nervo femoral (raízes L2-L4)
Manobra de Nachlas
Teste de estiramento do femoral
2Nervo ciático (raízes L4-S3)
Manobra de Lasègue
Lasègue contralateral
3Outros testes
Roger e Bikelas (compressão mielorradicular)
Gaenslen (articulação sacrilíaca)
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Alternativa A — ✅ Correta
A descrição do teste de Roger e Bikelas está correta. O médico se posiciona atrás do paciente e realiza a extensão do membro superior e abdução do ombro acometido. A positividade do teste indica compressão mielorradicular, ou seja, comprometimento da medula e das raízes nervosas. A alternativa descreve fielmente a técnica e a interpretação do teste.
Alternativa B — ✅ Correta
A manobra de Lasègue é corretamente descrita: elevação do membro inferior com joelho em extensão, paciente em posição supinada. O teste é positivo quando reproduz a dor irradiada entre 30 e 70 graus de elevação, e a alternativa reconhece que há variação na literatura sobre esse valor. Essa variação é real, pois diferentes autores citam faixas ligeiramente distintas, e a alternativa está correta ao apontar essa imprecisão.
Alternativa C — ✅ Correta
A combinação de um Lasègue positivo com um Lasègue contralateral também positivo tem alta acurácia e especificidade para compressão radicular, em torno de 97%. Isso ocorre porque o teste contralateral positivo indica uma grande protrusão discal ou fragmento livre medial à raiz, que estira as raízes de ambos os lados. A alternativa está correta ao atribuir esse alto valor de especificidade a essa combinação.
Alternativa D — ✅ Correta
O teste de Gaenslen é corretamente descrito: paciente em decúbito dorsal horizontal, com uma das pernas para fora do divã. A dor na região sacrilíaca durante o membro contra o divã indica positividade do teste. Essa manobra é utilizada para avaliar disfunção da articulação sacrilíaca, e a descrição da alternativa está fiel à técnica.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A manobra de Nachlas é descrita corretamente em sua técnica: paciente em decúbito ventral, flexão do joelho e extensão do quadril, aproximando a fossa poplítea do glúteo ipsilateral. No entanto, o erro está na interpretação: a manobra promove aumento de tensão sobre o nervo femoral, mas as raízes acometidas são as altas, L2-L3-L4, e não L5-S1. As raízes L5-S1 pertencem ao território do nervo ciático, que é avaliado pelo teste de Lasègue, não pelo teste de estiramento do nervo femoral. A banca inverte as raízes, criando a pegadinha.
A regra de ouro para a prova: o teste de estiramento do nervo femoral (incluindo a manobra de Nachlas) avalia as raízes altas L2-L3-L4, enquanto o teste de elevação do membro inferior (Lasègue) avalia as raízes baixas L4-L5-S1. Memorize essa distinção e você não errará mais questões sobre esse tema.