A coreia de Sydenham está mais diretamente relacionada a qual dos seguintes mecanismos patogênicos apresentados abaixo?
AReação autoimune cruzada contra estruturas dos gânglios da base
BDeposição de imunocomplexos no tecido muscular estriado.
CDeficiência hereditária de dopamina nos núcleos da base.
DAtivação de células T CD8+ contra a substância negra.
EAumento de anticorpos antinucleares com deposição em plexos coroides.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Reação autoimune cruzada contra estruturas dos gânglios da base
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Coreia de Sydenham: mecanismo patogênico
Gabarito: letra A. A coreia de Sydenham é uma manifestação da febre reumática aguda, desencadeada por infecção estreptocócica do grupo A, e seu mecanismo central é uma reação autoimune cruzada — anticorpos produzidos contra o estreptococo reagem de forma cruzada com antígenos dos gânglios da base, especialmente o núcleo caudado e o putâmen, gerando disfunção motora. Essa é a base fisiopatológica reconhecida na literatura médica (neurologia e reumatologia).
A coreia de Sydenham é a causa adquirida mais comum de coreia em crianças e ocorre após infecção de garganta por estreptococos do grupo A (EGA). O quadro clássico envolve movimentos coreicos generalizados, com predomínio em face e língua, além de manifestações psiquiátricas como irritabilidade e labilidade emocional. O diagnóstico é clínico, podendo ser apoiado por títulos elevados de antiestreptolisina O (ASO) e antidesoxirribonuclease B, mas esses biomarcadores não são necessários para confirmar o diagnóstico. A coreia é um critério maior da febre reumática aguda, e todo paciente com suspeita deve ser avaliado para cardite, pois o coração também pode ser alvo da reação autoimune.
O mecanismo patogênico envolve mimetismo molecular: anticorpos antiestreptocócicos reconhecem epítopos presentes tanto na bactéria quanto em proteínas dos gânglios da base (como a tubulina e a fosfoglicerato quinase), levando à ativação de células microgliais e à disfunção dos circuitos motores. Esse processo é distinto de outras causas de coreia, como a doença de Huntington (genética, por expansão de CAG), a doença de Wilson (acúmulo de cobre) e as coreias medicamentosas (bloqueio dopaminérgico).
A banca explora justamente a confusão entre mecanismos autoimunes e outras etiologias. A alternativa correta é a única que descreve com precisão o fenômeno imunológico cruzado. As demais trazem mecanismos que não se aplicam à coreia de Sydenham, como deposição de imunocomplexos (mais típica de glomerulonefrite pós-estreptocócica), deficiência hereditária de dopamina (relacionada a distonias responsivas à levodopa), ativação de células T CD8+ contra a substância negra (associada a outras doenças neurodegenerativas) e anticorpos antinucleares (presentes no lúpus, não na febre reumática).
Guarde a distinção central: a coreia de Sydenham é uma doença autoimune pós-infecciosa, não uma doença genética, metabólica ou por imunocomplexos. É esse critério que separa a alternativa correta das demais.
Coreia de Sydenham
1Mecanismo central
Reação autoimune cruzada
Anticorpos antiestreptocócicos
Alvo: gânglios da base
2Distinções
Imunocomplexos → glomerulonefrite
Deficiência de dopamina → distonia genética
Células T CD8+ → neurodegeneração
Anticorpos antinucleares → lúpus
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reação autoimune cruzada contra estruturas dos gânglios da base é exatamente o mecanismo descrito na literatura para a coreia de Sydenham. Os anticorpos produzidos contra o estreptococo do grupo A reagem de forma cruzada com antígenos do núcleo caudado e putâmen, levando à disfunção dos circuitos motores e aos movimentos coreicos. Esse é o conceito central da fisiopatologia da doença.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A deposição de imunocomplexos no tecido muscular estriado não é o mecanismo da coreia de Sydenham. Embora a febre reumática envolva reação cruzada, a deposição de imunocomplexos é mais característica de outras complicações pós-estreptocócicas, como a glomerulonefrite difusa aguda, que afeta os glomérulos renais, não os gânglios da base. A coreia de Sydenham não cursa com deposição de imunocomplexos no músculo estriado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A deficiência hereditária de dopamina nos núcleos da base não se relaciona à coreia de Sydenham. Essa deficiência está associada a distonias responsivas à levodopa (como a doença de Segawa) e a outras doenças neurodegenerativas. A coreia de Sydenham é adquirida, pós-infecciosa, e não há déficit dopaminérgico primário; pelo contrário, há hiperatividade dopaminérgica relativa nos circuitos estriatais, o que explica a melhora com fármacos que bloqueiam dopamina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ativação de células T CD8+ contra a substância negra não é o mecanismo da coreia de Sydenham. Esse padrão de agressão imune celular é mais típico de doenças neurodegenerativas com componente inflamatório, como a doença de Parkinson em alguns modelos, ou de encefalites autoimunes. Na coreia de Sydenham, o protagonismo é de anticorpos (imunidade humoral) que reagem cruzadamente com os gânglios da base, não de linfócitos T citotóxicos contra a substância negra.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O aumento de anticorpos antinucleares com deposição em plexos coroides não se aplica à coreia de Sydenham. Anticorpos antinucleares (FAN) são marcadores de lúpus eritematoso sistêmico, que também pode causar coreia, mas por mecanismo distinto (vasculite ou anticorpos antifosfolipídios). A deposição em plexos coroides não é descrita na coreia de Sydenham, cujo alvo são os gânglios da base.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura mecanismos de outras doenças autoimunes e neurodegenerativas para confundir. A alternativa B (imunocomplexos) remete à glomerulonefrite pós-estreptocócica; a C (deficiência de dopamina) remete a distonias genéticas; a D (células T CD8+) remete a doenças neurodegenerativas; e a E (anticorpos antinucleares) remete ao lúpus. A coreia de Sydenham é única: anticorpos antiestreptocócicos que reagem cruzadamente com os gânglios da base. Fique atento a essa distinção — ela é clássica em provas de neurologia.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, associe: Sydenham → Estreptococo → Anticorpos → Gânglios da base. Sempre que a questão falar de coreia pós-infecciosa em criança, pense em reação cruzada. Compare com outras causas de coreia: Huntington (genética, CAG), Wilson (cobre), lúpus (FAN), medicamentosa (dopamina). Essa tabela mental resolve a maioria das questões sobre coreia.
Gabarito: letra A — reação autoimune cruzada contra estruturas dos gânglios da base.