Sobre a Esclerose Múltipla (EM) de início pediátrico, assinale a alternativa correta.
ACrianças com EM geralmente apresentam início insidioso, com evolução lentamente progressiva, semelhante ao tipo primário progressivo dos adultos.
BA EM pediátrica é mais comum antes dos 5 anos e dificilmente apresenta recidivas nos primeiros anos de doença.
CA presença de bandas oligoclonais no líquor e lesões desmielinizantes periventriculares são achados raros em crianças.
DÉ caracterizada por alta atividade inflamatória inicial, com múltiplas recidivas e boa resposta a imunomoduladores como interferon-β e acetato de glatirâmer.
EO diagnóstico é excluído caso haja envolvimento do nervo óptico e encefalopatia aguda no primeiro surto.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — É caracterizada por alta atividade inflamatória inicial, com múltiplas recidivas e boa resposta a imunomoduladores como interferon-β e acetato de glatirâmer.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Esclerose Múltipla de início pediátrico
Gabarito: letra D. A EM pediátrica caracteriza-se por alta atividade inflamatória inicial, com múltiplas recidivas e boa resposta a imunomoduladores como interferon-β e acetato de glatirâmer — exatamente o que a alternativa D afirma. As demais alternativas invertem o perfil clínico da doença na infância, confundindo-a com a EM primária progressiva do adulto, com a encefalomielite disseminada aguda (EMDA) ou com achados liquóricos e de imagem que, na verdade, são típicos e frequentes.
A esclerose múltipla é uma doença desmielinizante, inflamatória e crônica do sistema nervoso central, mediada por autoimunidade. Na população pediátrica, o quadro clínico difere substancialmente do adulto: enquanto no adulto a forma mais comum é a remitente-recorrente (EMRR), com surtos e remissões, na criança a doença tende a ser ainda mais inflamatória e agressiva no início, com surtos frequentes e boa recuperação entre eles. Essa alta atividade inflamatória inicial contrasta com a forma primária progressiva (EMPP), que é rara em crianças e caracteriza-se por progressão gradual desde o início, sem surtos agudos — justamente o oposto do que ocorre na infância.
O diagnóstico da EM pediátrica segue os mesmos critérios de McDonald utilizados em adultos, exigindo disseminação das lesões no espaço e no tempo. A ressonância magnética (RM) mostra lesões desmielinizantes típicas, frequentemente periventriculares, e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) revela bandas oligoclonais restritas ao LCR em grande parte dos pacientes — achados que, ao contrário do que afirma a alternativa C, são comuns e esperados em crianças com EM. A presença de bandas oligoclonais é tão relevante que os critérios diagnósticos atuais permitem substituir a disseminação no tempo por esse achado liquórico, acelerando o diagnóstico e o tratamento precoce.
O tratamento da EM pediátrica baseia-se em terapias modificadoras da doença, com destaque para os imunomoduladores de primeira linha, como o interferon-β e o acetato de glatirâmer. Esses medicamentos reduzem a taxa de recidivas e a atividade inflamatória, sendo bem tolerados e eficazes em crianças. A resposta favorável a esses agentes é um dos pilares do manejo, reforçando a natureza inflamatória e recidivante da doença na infância.
A principal confusão que a banca explora nesta questão é a diferenciação entre EM pediátrica e EMDA (encefalomielite disseminada aguda). A EMDA é um distúrbio inflamatório agudo, geralmente monofásico, que acomete principalmente crianças, frequentemente após infecção viral ou vacinação. Manifesta-se com encefalopatia, febre, crises epilépticas e déficits multifocais. Na RM, as lesões afetam substância branca e cinzenta, incluindo núcleos da base, e a região periventricular costuma ser poupada — ao contrário da EM. No LCR, as bandas oligoclonais são incomuns na EMDA, enquanto na EM são frequentes. A alternativa E tenta confundir o candidato ao afirmar que o diagnóstico de EM é excluído com envolvimento do nervo óptico e encefalopatia aguda no primeiro surto — na verdade, esse quadro é sugestivo de EMDA, mas não exclui EM, especialmente se houver critérios de disseminação no espaço e no tempo ou bandas oligoclonais no LCR.
Guarde a fronteira entre EM pediátrica e EMDA: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A EM pediátrica é recidivante, com bandas oligoclonais e lesões periventriculares; a EMDA é monofásica, com encefalopatia, poupa a região periventricular e raramente apresenta bandas oligoclonais.
EM pediátrica: Perfil clínico (Alta atividade inflamatória inicial, Múltiplas recidivas, Boa recuperação entre surtos); Diagnóstico (Critérios de McDonald, RM: lesões periventriculares, LCR: bandas oligoclonais); Tratamento (Interferon-β, Acetato de glatirâmer); Diferencial: EMDA (Monofásica, Encefalopatia, Poupa região periventricular, Raras bandas oligoclonais)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que crianças com EM apresentam início insidioso e evolução lentamente progressiva, semelhante à EMPP dos adultos. Isso é o oposto do que ocorre: a EM pediátrica tem início agudo ou subagudo, com surtos recorrentes e alta atividade inflamatória. A forma primária progressiva é rara em crianças, sendo típica de adultos mais velhos. A alternativa confunde o perfil evolutivo da doença na infância com o do adulto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a EM pediátrica é mais comum antes dos 5 anos e dificilmente apresenta recidivas nos primeiros anos. Na verdade, a EM é rara antes dos 10 anos e, quando ocorre, é tipicamente recidivante desde o início, com múltiplos surtos nos primeiros anos. A alternativa inverte a epidemiologia e o curso clínico da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que bandas oligoclonais no LCR e lesões periventriculares são achados raros em crianças. Na realidade, esses são achados típicos e frequentes na EM pediátrica, assim como no adulto. As bandas oligoclonais são um marcador importante e podem substituir a disseminação no tempo nos critérios diagnósticos. A alternativa confunde a EM com a EMDA, na qual esses achados são incomuns.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o perfil da EM pediátrica: alta atividade inflamatória inicial, múltiplas recidivas e boa resposta a imunomoduladores como interferon-β e acetato de glatirâmer. Esses medicamentos são a primeira linha de tratamento na infância, reduzindo a frequência de surtos e a progressão da incapacidade. A afirmação está correta em todos os seus elementos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o diagnóstico de EM é excluído caso haja envolvimento do nervo óptico e encefalopatia aguda no primeiro surto. Esse quadro é sugestivo de EMDA, mas não exclui EM. O diagnóstico de EM exige disseminação no espaço e no tempo, e a presença de encefalopatia não é critério de exclusão. A alternativa tenta confundir o candidato ao apresentar um quadro típico de EMDA como se fosse incompatível com EM.