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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg471461
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurologia Pediátrica)
Mulher de 27 anos apresenta três episódios de visão turva bilateral, os quais melhoram quando faz uso de pulsoterapia com corticoide em emergências. Também relata parestesias em membros inferiores, com melhora parcial espontânea após alguns dias. Ao exame, apresenta leve déficit de força em membros inferiores e sinal de Lhermitte positivo. A ressonância magnética de crânio mostra lesões hiperintensas periventriculares em T2. Qual dos exames laboratoriais a seguir é o mais útil para confirmar a hipótese diagnóstica?
  1. ADosagem de proteína 14-3-3 no líquor
  2. BSorologia para vírus Epstein-Barr (EBV).
  3. CPesquisa de bandas oligoclonais no líquor
  4. DDosagem de creatinofosfoquinase (CPK) sérica.
  5. EPesquisa de autoanticorpos anti-receptores de NMDA.
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GabaritoC — Pesquisa de bandas oligoclonais no líquor

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esclerose Múltipla: diagnóstico laboratorial

Gabarito: letra C. O quadro clínico — episódios recorrentes de visão turva bilateral com resposta a corticoide, parestesias em membros inferiores com melhora espontânea, sinal de Lhermitte e lesões periventriculares hiperintensas em T2 na ressonância magnética — é altamente sugestivo de esclerose múltipla (EM). O exame laboratorial mais útil para confirmar essa hipótese é a pesquisa de bandas oligoclonais no líquor, que demonstra a síntese intratecal de imunoglobulinas, um marcador característico da doença. As demais alternativas apontam para diagnósticos que não se encaixam no quadro apresentado.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune, crônica e desmielinizante do sistema nervoso central (SNC). A palavra-chave é "desmielinizante": o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, a camada isolante que envolve os axônios dos neurônios, prejudicando a condução do impulso nervoso. Essa agressão ocorre em surtos, ou seja, em episódios agudos de inflamação que se repetem ao longo do tempo e afetam diferentes regiões do SNC — por isso o quadro clínico é tão variado e "em placas" (disseminado no tempo e no espaço).

O diagnóstico da EM é essencialmente clínico, baseado nos critérios de McDonald, que integram dados clínicos, de ressonância magnética e laboratoriais. A ressonância magnética é o exame de imagem mais importante, mostrando as lesões desmielinizantes típicas — placas hiperintensas em T2, frequentemente periventriculares, como descrito no enunciado. O exame do líquor (líquido cefalorraquidiano) complementa a investigação, e a pesquisa de bandas oligoclonais é o teste laboratorial de maior valor diagnóstico. Bandas oligoclonais são faixas de imunoglobulinas (IgG) que aparecem na eletroforese do líquor, mas não no soro do mesmo paciente, indicando que há produção local de anticorpos dentro do SNC. Sua presença é encontrada em cerca de 90% dos pacientes com EM, sendo um forte marcador de suporte ao diagnóstico, embora não seja exclusiva da doença.

Na prática, o raciocínio clínico segue uma sequência: o quadro clínico sugere EM → a ressonância magnética reforça a suspeita → a análise do líquor com bandas oligoclonais confirma o diagnóstico, especialmente em casos em que a ressonância não é totalmente conclusiva. É importante destacar que o diagnóstico de EM não depende exclusivamente de um único exame, mas da combinação de todos os achados. A pesquisa de bandas oligoclonais é o exame que, isoladamente, mais agrega valor diagnóstico quando a suspeita clínica e de imagem já é forte.

A banca explora aqui a associação entre o quadro clínico típico e o exame laboratorial confirmatório. O candidato precisa reconhecer a síndrome clínica (surtos de neurite óptica, sintomas sensitivos, sinal de Lhermitte) e saber qual teste laboratorial é o mais específico para a doença. As alternativas incorretas trazem exames que pertencem a outros contextos diagnósticos, testando se o aluno sabe diferenciar a EM de outras condições neurológicas e sistêmicas. Guarde a relação: EM → bandas oligoclonais no líquor; é exatamente essa associação que separa a alternativa correta das demais.

1Quadro clínico
Surtos recorrentes
Neurite óptica
Sintomas sensitivos
Sinal de Lhermitte
2Diagnóstico
Clínico (critérios de McDonald)
RM: lesões periventriculares em T2
Líquor: bandas oligoclonais
3Distratores
Proteína 14-3-3 → Creutzfeldt-Jakob
Sorologia EBV → fator de risco, não diagnóstico
CPK → doença muscular
Anti-NMDA → encefalite autoimune
Esclerose múltipla
LEVELsoulevel.com.br
Esclerose múltipla: Quadro clínico (Surtos recorrentes, Neurite óptica, Sintomas sensitivos, Sinal de Lhermitte); Diagnóstico (Clínico (critérios de McDonald), RM: lesões periventriculares em T2, Líquor: bandas oligoclonais); Distratores (Proteína 14-3-3 → Creutzfeldt-Jakob, Sorologia EBV → fator de risco, não diagnóstico, CPK → doença muscular, Anti-NMDA → encefalite autoimune)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A dosagem da proteína 14-3-3 no líquor é um marcador utilizado no diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob, uma encefalopatia espongiforme transmissível, de evolução rápida e fatal, caracterizada por demência progressiva, mioclonias e alterações cerebelares. O quadro da paciente — jovem, com surtos recorrentes e melhora com corticoide — é completamente diferente de uma doença neurodegenerativa rapidamente progressiva. A banca insere esse distrator para testar se o candidato confunde doenças desmielinizantes com doenças priônicas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sorologia para o vírus Epstein-Barr (EBV) não é um exame diagnóstico para esclerose múltipla. Embora a infecção pelo EBV seja um fator de risco epidemiológico associado ao desenvolvimento da EM, a sorologia não faz parte dos critérios diagnósticos da doença. A presença de anticorpos contra o EBV é extremamente comum na população geral (mais de 90% dos adultos já foram infectados), o que torna o exame inespecífico para o diagnóstico. A banca explora aqui a confusão entre fator de risco e marcador diagnóstico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pesquisa de bandas oligoclonais no líquor é o exame laboratorial mais útil para confirmar a hipótese de esclerose múltipla. A presença dessas bandas indica síntese intratecal de imunoglobulinas, um achado presente na grande maioria dos pacientes com EM e que, no contexto clínico e de imagem compatível, fortalece sobremaneira o diagnóstico. É o exame que a banca espera que o candidato associe ao quadro descrito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dosagem de creatinofosfoquinase (CPK) sérica é um exame utilizado na avaliação de doenças musculares, como distrofias musculares, rabdomiólise e miopatias inflamatórias. A paciente apresenta sintomas neurológicos centrais (visão turva, parestesias, sinal de Lhermitte) e não há qualquer indicação de doença muscular primária. O leve déficit de força em membros inferiores é de origem neurológica (desmielinização), não muscular. A banca insere esse distrator para testar se o candidato diferencia fraqueza de origem neurológica de fraqueza de origem muscular.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A pesquisa de autoanticorpos anti-receptores de NMDA é utilizada no diagnóstico da encefalite anti-receptor de NMDA, uma doença autoimune que afeta predominantemente mulheres jovens e se manifesta com sintomas psiquiátricos, alterações de memória, crises epilépticas e movimentos anormais. O quadro da paciente — com surtos de neurite óptica, parestesias e lesões periventriculares — não é compatível com essa encefalite. A banca explora a confusão entre doenças autoimunes do SNC, mas os alvos antigênicos e os quadros clínicos são distintos.

Gabarito: letra C — a pesquisa de bandas oligoclonais no líquor é o exame laboratorial mais útil para confirmar a hipótese diagnóstica de esclerose múltipla.

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