Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
- Código
- qg471462
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurologia Pediátrica)
- AApenas I.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoC — Apenas I e III.
Gabarito: letra C — corretos os itens I e III. A gabapentina e a pregabalina são fármacos de primeira linha para a dor neuropática diabética, e a eletroneuromiografia (ENMG) é capaz de diferenciar o comprometimento axonal, mielínico ou misto. O item II está errado porque o controle glicêmico continua sendo a principal abordagem terapêutica mesmo após o início dos sintomas, podendo evitar a progressão e até melhorar os sintomas.
A neuropatia diabética é uma complicação crônica comum do diabetes, definida pela presença de sintomas ou sinais de disfunção dos nervos, de forma difusa ou focal, após exclusão de outras causas. A forma mais frequente é a polineuropatia distal simétrica, que acomete inicialmente as fibras mais longas, em padrão de "bota e luva", com sintomas como dor, dormência, parestesias e hiperestesias que progridem para perda sensitiva. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em dois ou mais testes neurológicos alterados, mas exames complementares como a eletroneuromiografia auxiliam na confirmação e na caracterização do tipo de lesão.
O tratamento da neuropatia diabética tem dois pilares fundamentais. O primeiro é o controle glicêmico rigoroso, que é a principal abordagem para todas as neuropatias diabéticas — estudos clínicos mostraram diminuição do desenvolvimento da polineuropatia distal com melhora da glicemia no diabetes tipo 1, e o controle glicêmico pode evitar a progressão e melhorar sinais e sintomas também no diabetes tipo 2. O segundo pilar é o tratamento sintomático da dor neuropática, com fármacos de primeira linha como amitriptilina, venlafaxina, duloxetina e pregabalina — a gabapentina também é amplamente utilizada, conforme tabelas de fármacos para neuropatia.
A eletroneuromiografia (ENMG) é um exame que avalia a função dos nervos periféricos e dos músculos. Ela é capaz de distinguir se o comprometimento é predominantemente axonal (com redução da amplitude dos potenciais), mielínico ou desmielinizante (com redução da velocidade de condução nervosa) ou misto, o que auxilia no diagnóstico e na classificação da neuropatia. Embora o diagnóstico da neuropatia diabética seja essencialmente clínico, a ENMG é útil em casos atípicos e para caracterizar o padrão de lesão.
A pegadinha desta questão está no item II: a banca tenta fazer o candidato acreditar que, uma vez instalada a lesão axonal, o controle glicêmico perde a importância. Isso é falso — o controle glicêmico permanece como a pedra angular do tratamento, pois pode evitar a progressão da neuropatia e até melhorar os sintomas, além de prevenir outras complicações do diabetes. Guarde essa distinção: controle glicêmico é sempre importante, independentemente do estágio da neuropatia.
A gabapentina e a pregabalina são anticonvulsivantes amplamente utilizados no tratamento da dor neuropática, incluindo a neuropatia diabética. O material de apoio confirma que os fármacos de primeira linha para polineuropatias dolorosas incluem amitriptilina, venlafaxina, duloxetina e pregabalina, e a gabapentina aparece na tabela de fármacos utilizados no tratamento de neuropatia. Esses medicamentos atuam modulando canais de cálcio dependentes de voltagem, reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios e aliviando a parestesia e a dor neuropática.
A afirmativa está errada ao afirmar que, após o início dos sintomas, o controle glicêmico não é mais parte importante do tratamento. O controle glicêmico é a principal abordagem para todas as neuropatias diabéticas, mesmo após o início dos sintomas. Estudos mostram que o controle glicêmico pode evitar a progressão da neuropatia e melhorar sinais e sintomas, tanto no diabetes tipo 1 quanto no tipo 2. A lesão axonal já ocorrida não elimina a necessidade de controle glicêmico, que continua sendo fundamental para prevenir a progressão e outras complicações.
A eletroneuromiografia (ENMG) é um exame complementar que auxilia no diagnóstico das neuropatias periféricas. Ela é capaz de demonstrar se há comprometimento axonal, mielínico (desmielinizante) ou misto, através da análise da amplitude dos potenciais de ação e da velocidade de condução nervosa. No contexto da neuropatia diabética, a ENMG é útil em casos atípicos e para caracterizar o padrão de lesão, embora o diagnóstico seja essencialmente clínico.
Conclusão: corretos os itens I e III, portanto o gabarito é a letra C.
Gabarito: letra C
Link permanente: /questoes/qg471462