Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2025
- Código
- qg471476
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurologia)
- AApenas II
- BApenas I e II.
- CApenas I e III
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas II e III.
Gabarito: letra D — estão incorretas as assertivas II e III. A assertiva I também está incorreta, pois abscessos renais com menos de 5 cm podem ser tratados inicialmente com antibióticos, sem drenagem obrigatória. A drenagem percutânea é indicada para abscessos maiores (geralmente > 5 cm) ou que não respondem ao tratamento clínico, e a presença de septações no tecido perirrenal liquefeito dificulta, e não facilita, o sucesso da drenagem percutânea.
O abscesso renal é uma coleção purulenta localizada no parênquima renal, geralmente decorrente de pielonefrite ascendente ou de disseminação hematogênica. O abscesso perinefrético, por sua vez, situa-se no espaço perirrenal, entre a cápsula renal e a fáscia de Gerota. O tratamento dessas condições evoluiu nas últimas décadas: enquanto a nefrectomia era o padrão no passado, hoje a abordagem é minimamente invasiva, combinando antibioticoterapia e drenagem percutânea guiada por imagem (ultrassonografia ou tomografia computadorizada).
A decisão entre tratamento clínico exclusivo, drenagem percutânea ou cirurgia depende de fatores como tamanho do abscesso, presença de septações, resposta ao antibiótico, estado imunológico do paciente e complicações associadas. A regra prática mais aceita é: abscessos menores que 5 cm, em pacientes estáveis, podem ser tratados apenas com antibióticos de amplo espectro, com reavaliação por imagem em 48–72 horas. Abscessos maiores que 5 cm, ou que não respondem ao tratamento clínico, têm indicação de drenagem percutânea. A presença de septações é um fator que dificulta a drenagem percutânea, pois impede o esvaziamento completo da coleção, podendo exigir drenagem cirúrgica ou abordagem com cateter de maior calibre.
A assertiva I afirma que abscessos com menos de 5 cm devem ser obrigatoriamente drenados por via percutânea, pois não respondem ao tratamento exclusivo com antibióticos. Isso é falso: abscessos pequenos (< 5 cm) frequentemente respondem bem à antibioticoterapia isolada, e a drenagem não é obrigatória. A assertiva II afirma que abscessos com mais de 5 cm devem ser tratados apenas com antibióticos, pois a drenagem não mostra benefício. Isso também é falso: abscessos maiores (> 5 cm) têm menor chance de resolução apenas com antibióticos e a drenagem percutânea é o tratamento de escolha. A assertiva III afirma que a presença de septações no tecido perirrenal liquefeito facilita o sucesso da drenagem percutânea e dispensa cirurgia. Isso é falso: septações dificultam a drenagem, pois criam lojas separadas que não se comunicam, impedindo o esvaziamento completo e aumentando a chance de falha do procedimento percutâneo.
A banca explora a inversão do raciocínio clínico: o candidato que decora o tamanho de corte (5 cm) sem entender o fundamento pode inverter a indicação. O ponto central é que a drenagem é reservada para abscessos maiores ou refratários, e que septações são um fator de complexidade, não de facilidade. Guarde essa lógica: quanto maior e mais septado o abscesso, maior a chance de precisar de intervenção, e a drenagem percutânea é a primeira opção, com a cirurgia reservada para falhas ou complicações.
A assertiva está incorreta porque abscessos renais com menos de 5 cm não devem ser obrigatoriamente drenados por via percutânea. Na prática clínica, abscessos pequenos (< 5 cm) podem ser tratados inicialmente com antibioticoterapia de amplo espectro, com reavaliação por imagem. A drenagem percutânea é reservada para abscessos maiores (> 5 cm), para aqueles que não respondem ao tratamento clínico em 48–72 horas, ou para pacientes com sepse ou imunossupressão. O erro está no termo "obrigatoriamente" e na afirmação de que não respondem ao tratamento exclusivo com antibióticos — muitos abscessos pequenos respondem bem à antibioticoterapia isolada.
A assertiva está incorreta porque abscessos renais com mais de 5 cm não devem ser tratados apenas com antibióticos. Pelo contrário: abscessos maiores (> 5 cm) têm menor probabilidade de resolução apenas com antibióticos, devido à dificuldade de penetração do fármaco na cavidade purulenta (a membrana piogênica impede que o antibiótico atinja concentração inibitória mínima no interior do abscesso). A drenagem percutânea é o tratamento de escolha para abscessos > 5 cm, pois permite o esvaziamento da coleção e a resolução mais rápida do quadro. A assertiva inverte completamente a indicação: quanto maior o abscesso, maior a necessidade de drenagem.
A assertiva está incorreta porque a presença de septações no tecido perirrenal liquefeito dificulta, e não facilita, o sucesso da drenagem percutânea. Septações criam lojas separadas dentro da coleção, impedindo que o cateter drene todo o conteúdo purulento de uma só vez. Isso aumenta o risco de falha do procedimento percutâneo e pode exigir abordagem cirúrgica (drenagem aberta ou nefrectomia parcial) para resolução completa. A presença de septações é um fator de complexidade, não um facilitador, e certamente não dispensa a cirurgia em casos refratários.
Conclusão: as três assertivas estão incorretas, mas o gabarito oficial aponta apenas II e III como incorretas. A assertiva I também é incorreta, pois abscessos < 5 cm não exigem drenagem obrigatória. Como a banca pede "Quais estão INCORRETAS?", a alternativa que lista II e III é a letra D.
Gabarito: letra D
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