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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg471483
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurologia)
Em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal diabética que não atingiram o controle glicêmico com metformina e um inibidor de SGLT2, qual é a próxima opção terapêutica com benefícios adicionais cardiovasculares e renais?
  1. ASulfonilureias.
  2. BGlitazonas
  3. CAgonistas do receptor de GLP-1.
  4. DInibidores da DPP-4 (gliptinas).
  5. EInibidores da alfa-glicosidase (acarbose).
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GabaritoC — Agonistas do receptor de GLP-1.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes tipo 2 com doença renal diabética: escalonamento terapêutico

Gabarito: letra C. Em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal diabética que já usam metformina e inibidor de SGLT2 sem atingir o controle glicêmico, a próxima opção com benefícios adicionais cardiovasculares e renais são os agonistas do receptor de GLP-1 (arGLP1). Essa classe, assim como os iSGLT2, demonstrou redução de desfechos cardiovasculares e renais em ensaios clínicos, sendo recomendada como terapia adicional nesse cenário. As demais classes (sulfonilureias, glitazonas, gliptinas e acarbose) não apresentam esse perfil de benefício cardiorrenal comprovado.

O tratamento do diabetes tipo 2 evoluiu de uma abordagem centrada apenas na glicemia para uma estratégia que prioriza a redução de risco cardiovascular e renal, especialmente em pacientes com doença renal diabética ou doença cardiovascular estabelecida. Nesse contexto, a escolha do antidiabético vai além do efeito hipoglicemiante: busca-se um fármaco que melhore o prognóstico dessas complicações. As diretrizes atuais recomendam que, após a metformina, sejam considerados os inibidores de SGLT2 e os agonistas de GLP-1, justamente por seus benefícios cardiorrenais.

Quando o paciente já está em uso de metformina e iSGLT2, mas não atingiu a meta glicêmica, a próxima classe com evidência de benefício adicional cardiovascular e renal é a dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses fármacos, administrados por via subcutânea (exenatida, liraglutida, dulaglutida, semaglutida), estimulam a secreção de insulina, reduzem a hiperglucagonemia, retardam o esvaziamento gástrico e reduzem o apetite, promovendo perda de peso e baixo risco de hipoglicemia. Estudos como o LEADER (liraglutida) e o SUSTAIN-6 (semaglutida) demonstraram redução de eventos cardiovasculares maiores, e há evidências de benefício renal, com redução da progressão da albuminúria.

É importante destacar que a combinação de iSGLT2 e arGLP1 é sinérgica: enquanto os iSGLT2 atuam no rim, reduzindo a hiperfiltração glomerular, os arGLP1 atuam no pâncreas, estômago e sistema cardiovascular. Ambos têm perfil de segurança favorável em relação à função renal, com contraindicação apenas para TFG < 30 mL/min/1,73 m² (embora alguns arGLP1 possam ser usados com ajuste). Essa combinação é recomendada pelas principais diretrizes (ADA, SBD) para pacientes com alto risco cardiovascular ou doença renal.

As demais classes listadas nas alternativas não oferecem benefício cardiorrenal comprovado e, em alguns casos, podem até ser prejudiciais. As sulfonilureias e as glitazonas (pioglitazona) são eficazes no controle glicêmico, mas não demonstraram redução de eventos cardiovasculares e podem causar ganho de peso (sulfonilureias) ou retenção de líquidos e piora de insuficiência cardíaca (glitazonas). Os inibidores da DPP-4 (gliptinas) são neutros em relação a desfechos cardiovasculares, mas não trazem benefício renal adicional. A acarbose, inibidor da alfa-glicosidase, tem efeito modesto na glicemia e nenhum benefício cardiovascular ou renal comprovado.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora todas as alternativas sejam opções válidas de segunda linha após a metformina, apenas os agonistas de GLP-1 (e os iSGLT2, já em uso) têm evidência robusta de benefício cardiovascular e renal. O candidato que não conhece essa distinção pode ser tentado a escolher uma classe mais tradicional, como sulfonilureia, mas a presença de doença renal diabética e o contexto de benefício adicional direcionam para a resposta correta.

Guarde o critério decisivo: em paciente com doença cardiovascular ou renal, priorizar fármacos com proteção cardiorrenal comprovada (iSGLT2 e arGLP1). É exatamente essa lógica que separa a alternativa correta das demais.

Diabetes tipo 2 + doença renal diabética
  • 1Já em uso
    • Metformina
    • iSGLT2
  • 2Próxima opção (benefício cardiorrenal)
    • Agonistas GLP-1 (arGLP1)
      • Reduzem eventos CV maiores
      • Reduzem progressão da albuminúria
      • Ex.: liraglutida, semaglutida
  • 3Sem benefício cardiorrenal
    • Sulfonilureias
      • Ganho de peso, hipoglicemia
    • Glitazonas
      • Retenção de líquidos, piora IC
    • Gliptinas (DPP-4)
      • Neutras, sem benefício renal
    • Acarbose
      • Efeito modesto, sem benefício CV/renal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

As sulfonilureias (como glibenclamida, gliclazida) são secretagogos de insulina, eficazes no controle glicêmico, mas não demonstraram benefício cardiovascular ou renal em ensaios clínicos. Além disso, podem causar ganho de peso e hipoglicemia, o que é desfavorável em pacientes com doença renal. Não são a próxima opção com benefícios adicionais nesse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

As glitazonas (pioglitazona) são sensibilizadores de insulina, mas não têm benefício cardiovascular comprovado e, na verdade, podem causar retenção de líquidos e piora de insuficiência cardíaca, sendo contraindicadas em pacientes com IC. Não oferecem proteção renal adicional e não são recomendadas como próxima opção nesse contexto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os agonistas do receptor de GLP-1 (arGLP1) são a classe que, além de controlar a glicemia, demonstrou redução de eventos cardiovasculares maiores e benefício renal (redução da progressão da albuminúria) em estudos como LEADER e SUSTAIN-6. São recomendados como terapia adicional em pacientes com doença cardiovascular ou renal, mesmo quando já em uso de iSGLT2. Essa é a próxima opção com benefícios adicionais cardiovasculares e renais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os inibidores da DPP-4 (gliptinas) são eficazes e bem tolerados, mas não demonstraram benefício cardiovascular ou renal adicional; são considerados neutros em relação a desfechos cardiovasculares. Não são a escolha preferencial quando se busca proteção cardiorrenal adicional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A acarbose, inibidor da alfa-glicosidase, tem efeito modesto na redução da glicemia pós-prandial, mas não possui evidência de benefício cardiovascular ou renal. Seu uso é limitado por efeitos gastrointestinais e não é a opção recomendada nesse cenário.

Gabarito: letra C

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