Questão de Medicina — Oftalmologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Oftalmologia
Código
qg471530
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Oftalmologia - Pediatria)
Qual das seguintes condições está mais frequentemente associada a cataratas congênitas unilaterais?
ARubéola congênita.
BCatarata hereditária familiar.
CGalactosemia.
DPersistência da vasculatura fetal.
EDisgenesia de segmento anterior.
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GabaritoD — Persistência da vasculatura fetal.
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Cataratas congênitas: causas unilaterais e bilaterais
Gabarito: letra D. A persistência da vasculatura fetal (PVF) é a causa mais frequentemente associada a cataratas congênitas unilaterais, enquanto as demais condições listadas (rubéola congênita, catarata hereditária, galactosemia e disgenesia de segmento anterior) tipicamente cursam com catarata bilateral. Essa distinção entre unilateral e bilateral é o eixo central da questão e o que separa a alternativa correta das demais.
A catarata congênita é a opacificação do cristalino presente ao nascimento ou que se desenvolve nos primeiros anos de vida. Ela é uma das principais causas de deficiência visual tratável na infância, e sua classificação em unilateral ou bilateral tem implicações diagnósticas e terapêuticas importantes. A catarata bilateral sugere, na maioria dos casos, uma causa sistêmica — infecciosa (como a rubéola congênita), metabólica (como a galactosemia) ou genética (como as formas hereditárias). Já a catarata unilateral aponta, com muito mais frequência, para uma causa local, intraocular, sendo a persistência da vasculatura fetal o exemplo clássico e mais comum.
A persistência da vasculatura fetal (também chamada de persistência da artéria hialoide ou hiperplasia vítrea primária persistente) é uma falha na regressão normal dos vasos que nutrem o cristalino em desenvolvimento. Em vez de desaparecerem, esses vasos permanecem, podendo levar à opacificação do cristalino, geralmente em um único olho. É uma condição esporádica, não hereditária, e responde pela grande maioria das cataratas congênitas unilaterais. O diagnóstico é clínico e a conduta é cirúrgica, com remoção precoce da catarata para permitir o desenvolvimento visual adequado.
Para fixar o contraste, veja a tabela abaixo com as principais causas de catarata congênita e sua lateralidade típica:
Condição
Lateralidade típica
Mecanismo
Persistência da vasculatura fetal
Unilateral
Falha na regressão vascular intraocular
Rubéola congênita
Bilateral
Infecção intrauterina
Catarata hereditária familiar
Bilateral
Mutação genética
Galactosemia
Bilateral
Erro inato do metabolismo
Disgenesia de segmento anterior
Bilateral
Malformação do desenvolvimento ocular
A pegadinha da banca está em listar condições que são causas clássicas de catarata congênita, mas que, na maioria dos casos, são bilaterais. O candidato que sabe que rubéola, galactosemia e formas hereditárias causam catarata congênita pode marcar uma delas sem atentar para o detalhe da unilateralidade, que é o que define a resposta correta. A persistência da vasculatura fetal é a única que, por sua natureza local e esporádica, acomete tipicamente um olho só.
Guarde o critério decisivo: catarata congênita unilateral → pensar em causa local (PVF); catarata congênita bilateral → pensar em causa sistêmica (infecção, metabolismo, genética). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Catarata congênita
1Unilateral (causa local)
Persistência da vasculatura fetal
2Bilateral (causa sistêmica)
Rubéola congênita
Galactosemia
Hereditária familiar
Disgenesia de segmento anterior
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A rubéola congênita é uma causa clássica de catarata congênita, mas cursa tipicamente com acometimento bilateral, pois a infecção intrauterina atinge ambos os olhos de forma sistêmica. Além da catarata, a síndrome da rubéola congênita inclui cardiopatia, surdez e microcefalia. A banca a inclui como distrator justamente por ser uma causa bem conhecida de catarata congênita, mas que não se associa à unilateralidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A catarata hereditária familiar, como o nome indica, tem base genética e, por isso, costuma ser bilateral, embora possa haver assimetria. A herança autossômica dominante é a mais comum. Não é a causa mais frequente de catarata congênita unilateral, que é o que a questão pede.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A galactosemia é um erro inato do metabolismo da galactose que, quando não tratado, leva a catarata bilateral por acúmulo de galactitol no cristalino. É uma causa sistêmica, portanto bilateral. O diagnóstico precoce e a dieta de exclusão da galactose podem prevenir ou reverter a opacificação inicial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A persistência da vasculatura fetal é a causa mais frequentemente associada a cataratas congênitas unilaterais. Trata-se de uma falha na regressão dos vasos hialoides que nutrem o cristalino em desenvolvimento, resultando em opacificação localizada, geralmente em um olho. É uma condição esporádica, não hereditária, e responde pela maioria dos casos unilaterais. O tratamento é cirúrgico, com remoção precoce da catarata para permitir o desenvolvimento visual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A disgenesia de segmento anterior engloba um grupo de malformações do desenvolvimento do segmento anterior do olho (como a síndrome de Axenfeld-Rieger e a anomalia de Peters), que podem cursar com catarata, mas tipicamente de forma bilateral, por serem alterações do desenvolvimento embriológico que afetam ambos os olhos. Não é a causa mais frequente de catarata congênita unilateral.
NÃO CAIA NESSA!
A banca lista causas clássicas de catarata congênita (rubéola, galactosemia, hereditária) que são bilaterais, para confundir quem sabe que elas causam catarata, mas não atenta para o detalhe da unilateralidade pedido no enunciado. A PVF é a única que, por ser local e esporádica, acomete tipicamente um olho só. Na prova, sublinhe a palavra "unilateral" e pergunte-se: essa causa é sistêmica (bilateral) ou local (unilateral)?