Câncer de próstata: epidemiologia, graduação e diagnóstico
Gabarito: letra A. Todas as assertivas estão corretas: o adenocarcinoma corresponde a cerca de 98% dos tumores prostáticos e se localiza na zona periférica em aproximadamente 75% dos casos (I); o sistema de Gleason é o mais utilizado e o tempo de duplicação tumoral é de 2 a 3 anos (II); e pacientes com doença localizada costumam ter PSA < 20 ng/mL, com diagnóstico por toque retal, PSA e ultrassonografia transretal, sendo que lesões bem diferenciadas (Gleason ≤ 6) tendem a ser indolentes (III).
O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comum em homens, excluindo-se os tumores de pele não melanoma, e sua incidência aumenta com a idade, atingindo quase 50% dos homens aos 80 anos e quase todos que viverem até 100 anos. Essa alta prevalência, aliada à história natural frequentemente indolente, explica por que o rastreamento e o tratamento são temas de intenso debate — muitos tumores nunca progrediriam clinicamente, mas não há como prever com certeza quais evoluirão.
A grande maioria dos tumores prostáticos é de adenocarcinoma, originado das células epiteliais glandulares. A zona periférica da próstata é o local mais comum de origem, o que tem implicação prática importante: é a região palpável ao toque retal, justificando a importância desse exame na suspeita diagnóstica. O sistema de Gleason é a graduação histológica mais utilizada, baseada no padrão glandular e na relação entre glândulas e estroma. O escore é a soma dos dois padrões mais prevalentes, variando de 6 (3+3) a 10 (5+5). Quanto maior o escore, pior a diferenciação e mais agressivo o tumor. O tempo de duplicação tumoral de 2 a 3 anos é considerado relativamente lento, o que contrasta com tumores de crescimento rápido, como o de pulmão de pequenas células.
O diagnóstico é suspeitado por PSA elevado ou toque retal alterado (nodulação, induração ou assimetria). A ultrassonografia transretal é utilizada para guiar a biópsia, que é o método confirmatório. Pacientes com doença localizada costumam apresentar PSA < 20 ng/mL, enquanto níveis mais elevados sugerem doença mais avançada. Lesões bem diferenciadas (Gleason até 6, ou seja, 3+3) têm comportamento mais indolente e são candidatas à vigilância ativa, especialmente em pacientes com expectativa de vida limitada.
A pegadinha desta questão está na assertiva II: o tempo de duplicação de 2 a 3 anos é um dos mais baixos entre os tumores sólidos, o que pode parecer contraditório com a natureza indolente do câncer de próstata. No entanto, o termo "baixo" aqui se refere ao tempo de duplicação em si (2-3 anos é um período longo), não à velocidade de crescimento. A banca explora essa confusão conceitual: um tempo de duplicação de 2 a 3 anos é, na verdade, um dos mais longos entre os tumores sólidos, indicando crescimento lento. A assertiva está correta ao afirmar que é "um dos mais baixos", pois o valor numérico (2-3 anos) é baixo em comparação com outros tumores que duplicam em meses.
Guarde esses três pilares — histologia (adenocarcinoma, zona periférica), graduação (Gleason, tempo de duplicação) e diagnóstico (PSA, toque retal, US transretal) — pois são exatamente eles que as assertivas exploram.
Item I — ✅ Correto
A assertiva afirma que os tumores de próstata são adenocarcinomas em cerca de 98% dos casos e se localizam na zona periférica em cerca de 75% dos casos. Isso está correto: o adenocarcinoma é o tipo histológico predominante, e a zona periférica é o sítio mais frequente de origem, o que explica a importância do toque retal na detecção precoce.
Item II — ✅ Correto
A assertiva afirma que o sistema de Gleason é o mais utilizado, valorizando o padrão glandular e a relação glândula-estroma, e que o tempo de duplicação tumoral é de 2 a 3 anos, um dos mais baixos entre os tumores sólidos. Tudo isso está correto. O escore de Gleason é a soma dos dois padrões mais prevalentes (ex.: 3+4=7), e o tempo de duplicação de 2 a 3 anos é considerado lento, o que contrasta com tumores de crescimento rápido.
Item III — ✅ Correto
A assertiva afirma que pacientes com tumores localizados costumam ter PSA < 20 ng/mL, que a detecção é feita por toque retal, PSA e ultrassonografia transretal, e que lesões bem diferenciadas (Gleason até 6) tendem a ser indolentes. Tudo isso está correto. O PSA < 20 ng/mL é típico de doença localizada, e o Gleason 6 (3+3) é o grupo de menor risco, candidato à vigilância ativa.
Conclusão: todas as assertivas estão corretas, portanto o gabarito é a letra A.
Gabarito: letra A