Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2025
- Código
- qg471566
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Oncologia Clínica)
- AApenas I.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoB — Apenas I e II.
Gabarito: letra B — estão corretas apenas as assertivas I e II. A assertiva III está incorreta porque inverte a sequência terapêutica para tumores HER-2 positivos: o trastuzumabe é o anticorpo monoclonal de primeira linha, e o lapatinibe (inibidor de tirosina quinase) é uma opção de segunda linha ou subsequente, não o contrário. A individualização do tratamento com base em receptores hormonais e HER-2 é o princípio central que sustenta as assertivas I e II.
O câncer de mama metastático (estádio IV) é definido pela presença de doença em sítios além da mama, parede torácica e cadeias linfáticas regionais homolaterais. Embora seja uma doença tratável, não há perspectiva de cura, e os objetivos do tratamento sistêmico são aumentar a sobrevida, aliviar sintomas e melhorar ou manter a qualidade de vida. A escolha terapêutica é complexa e depende de múltiplos fatores: características da paciente e do tumor, localização das metástases, agressividade da doença, resposta a terapias anteriores, tempo desde a última exposição a quimioterapia ou hormonioterapia, agentes previamente utilizados e suas doses cumulativas, preferências individuais, eventos adversos, adesão, disponibilidade regional de medicamentos, necessidade de internação, tempo de infusão e via de administração.
A estratificação inicial das pacientes com doença recorrente ou estádio IV é feita pela presença de metástases ósseas e, principalmente, pelo perfil de receptores hormonais (RH) e status de HER-2. Esses biomarcadores são fatores prognósticos e preditivos, avaliados por imuno-histoquímica (IHQ) em todas as amostras de carcinomas invasivos, juntamente com o Ki67. A discordância na expressão desses marcadores entre a lesão primária e a metástase pode chegar a 30%, o que justifica a recomendação de nova biópsia em caso de recidiva metastática, tanto para confirmação diagnóstica quanto para reavaliação de RH e HER-2.
Para tumores RH-positivos e HER-2 negativos, a hormonioterapia combinada com inibidores de CDK4/6 (abemaciclibe, ribociclibe, palbociclibe) é o tratamento de escolha inicial, por ser eficaz e melhor tolerado que a quimioterapia. Pacientes com pouco volume de doença não visceral e perfil de sensibilidade hormonal (doença de novo, intervalo longo após hormonioterapia adjuvante, comportamento indolente) podem ser tratadas com linhas sucessivas de agentes hormonioterápicos, adiando a quimioterapia. Já pacientes com crise visceral (disfunção orgânica severa com risco de morte) ou resistência à terapia hormonal devem receber quimioterapia para resposta rápida. Para tumores HER-2 positivos, a terapia anti-HER-2 é indispensável, sendo o trastuzumabe o agente de primeira linha, frequentemente associado à quimioterapia; o lapatinibe é uma opção de segunda linha ou subsequente, não o inverso.
A pegadinha da questão está na assertiva III, que troca a ordem das linhas de tratamento anti-HER-2. O candidato que decora a sequência correta (trastuzumabe em primeira linha, lapatinibe em segunda) identifica o erro imediatamente. Guarde a fronteira entre o que é individualização biológica (assertivas I e II, corretas) e o que é sequência terapêutica específica (assertiva III, incorreta) — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
A assertiva afirma que o tratamento depende das características biológicas, como expressão de receptores hormonais e sobre-expressão de HER-2. Isso está correto: a estratificação das pacientes com doença metastática é feita principalmente pelo perfil RH e status de HER-2, conforme descrito no material de apoio. Esses biomarcadores são fatores prognósticos e preditivos que definem a escolha entre hormonioterapia, quimioterapia e terapia-alvo anti-HER-2.
A assertiva afirma que o tratamento deve ser individualizado com base nas características biológicas, padrão de recidiva e órgãos afetados, e que pacientes com tumores RH-positivos e menor agressividade podem ser tratadas com linhas sucessivas de hormonioterapia, adiando a quimioterapia. Isso está correto: a escolha terapêutica considera múltiplos fatores, incluindo localização das metástases e agressividade da doença. Para tumores RH-positivos HER-2 negativos com comportamento indolente, a hormonioterapia (combinada ou não com iCDK4/6) é o tratamento inicial de escolha, adiando a quimioterapia.
A assertiva afirma que a inibição da via HER-2 é feita com lapatinibe em primeira linha e trastuzumabe em segunda linha. Isso está incorreto: a sequência está invertida. O trastuzumabe é o anticorpo monoclonal anti-HER-2 de primeira linha, e o lapatinibe (inibidor de tirosina quinase) é uma opção de segunda linha ou subsequente. A banca troca a ordem das linhas terapêuticas, uma armadilha clássica para quem não domina a sequência correta.
Conclusão: corretos os itens I e II → portanto, a alternativa é a letra B.
Gabarito: letra B
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