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Questão de Medicina — Genética Médica — FUNDATEC 2025

MedicinaGenética Médica
Código
qg471572
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Oncologia Clínica)
Apenas 3% do DNA é codificante e está contido nos aproximadamente 23 mil genes do genoma humano, sendo que somente 2 a 3% dos genes são expressos em cada célula. Alguns genes funcionam apenas em situações especiais, como durante o desenvolvimento ou quando há necessidade de um reparo após um dano celular, enquanto outros são expressos constitutivamente. Sobre o tema, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.I. Cerca de 5 a 10% dos casos de câncer são hereditários, tendo como causa uma mutação germinativa em gene de alta penetrância.II. Em cerca de 20% dos casos de câncer, observa-se agregação familial de câncer, isto é, uma frequência aumentada de casos de câncer em uma família, sem um claro padrão de herança genética (mendeliana). Nesses casos, além de fatores ambientais, associam-se múltiplas variações ou alterações em genes de média e baixa penetrância.III. Entre as alterações genéticas mais frequentes, destacam-se as chamadas variantes polimórficas, alterações cuja frequência populacional excede a 1%. Polimorfismos de nucleotídeo único (SNP) em genes que codificam proteínas envolvidas em processos celulares essenciais modificam o risco para o desenvolvimento de câncer e efetivam resposta a diferentes tratamentos.
  1. ATodas as assertivas estão corretas.
  2. BTodas as assertivas estão incorretas.
  3. CApenas as assertivas I e II estão corretas.
  4. DApenas as assertivas I e III estão corretas.
  5. EApenas as assertivas II e III estão corretas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Todas as assertivas estão corretas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Genética do câncer: hereditário, familial e polimorfismos

Gabarito: letra A — as três assertivas estão corretas. A questão cobra a distinção entre câncer hereditário (mutação germinativa de alta penetrância, 5–10% dos casos), câncer familial (agregação sem padrão mendeliano, ~20%, com genes de média/baixa penetrância) e variantes polimórficas (frequência >1%, como os SNPs) — exatamente o que os itens I, II e III descrevem.

O câncer é uma doença genética do soma: surge de mutações que se acumulam ao longo da vida nas células de um tecido. Mas nem toda mutação relevante para o câncer é herdada. A genética do câncer separa três cenários distintos, e é essa separação que a questão explora. O primeiro é o câncer hereditário: uma mutação germinativa — presente em todas as células do corpo desde a concepção — em um gene de alta penetrância, como BRCA1/BRCA2 na mama e ovário, ou APC na polipose adenomatosa familiar. Esses casos representam uma minoria, cerca de 5 a 10% do total, e seguem padrão mendeliano de herança autossômica dominante. O segundo é o câncer familial: há agregação de casos na família, mas sem um padrão claro de herança mendeliana. Aqui, o que se observa é a combinação de múltiplas variantes de média e baixa penetrância com fatores ambientais compartilhados — não há um gene "causador" único e dominante. O terceiro é o câncer esporádico, a grande maioria (~70–80%), que resulta de mutações somáticas adquiridas ao longo da vida, sem componente hereditário relevante.

A assertiva III introduz o conceito de polimorfismo: uma variação genética presente em mais de 1% da população. O exemplo clássico é o SNP (polimorfismo de nucleotídeo único), uma troca de uma única base no DNA. Quando um SNP ocorre em um gene que codifica proteínas envolvidas em processos celulares essenciais — como reparo de DNA, metabolismo de carcinógenos ou resposta a fármacos — ele pode modificar o risco de desenvolver câncer e influenciar a resposta ao tratamento. Isso é a base da farmacogenética e da oncologia de precisão: o mesmo quimioterápico pode ser mais ou menos eficaz (ou tóxico) conforme o perfil polimórfico do paciente.

A pegadinha da banca aqui é sutil: ela mistura conceitos que parecem sinônimos, mas não são. "Hereditário" não é o mesmo que "familial". O hereditário tem um gene de alta penetrância identificável e padrão mendeliano; o familial tem agregação sem padrão claro, com genes de menor efeito. E "polimorfismo" não é "mutação patogênica": o polimorfismo é uma variação comum (>1%), de efeito geralmente modesto, que modula risco; a mutação de alta penetrância é rara e confere alto risco. Guarde essas três fronteiras — é exatamente nelas que os itens se dividem.

Item I — ✅ Correto

A assertiva afirma que 5 a 10% dos casos de câncer são hereditários, causados por mutação germinativa em gene de alta penetrância. Isso está correto e é o conceito clássico de síndrome de câncer hereditário: uma mutação presente na linhagem germinativa, transmitida de forma mendeliana, em genes como BRCA1/BRCA2 (mama/ovário), APC (polipose adenomatosa familiar), MLH1/MSH2 (câncer colorretal hereditário sem polipose). A penetrância alta significa que a maioria dos portadores desenvolverá a doença. O percentual de 5–10% é o consagrado na literatura de genética do câncer.

Item II — ✅ Correto

A assertiva descreve o câncer familial: cerca de 20% dos casos apresentam agregação familiar sem padrão mendeliano claro. O erro que a banca poderia induzir seria tratar isso como hereditário clássico, mas o item acerta ao dizer que não há um padrão claro de herança e que se associam múltiplas variações em genes de média e baixa penetrância, além de fatores ambientais. Esse é exatamente o modelo poligênico/multifatorial: o risco é a soma de pequenos efeitos genéticos com exposições ambientais compartilhadas pela família.

Item III — ✅ Correto

A assertiva define corretamente variante polimórfica como alteração com frequência populacional superior a 1% e menciona os SNPs em genes de processos celulares essenciais, que modificam o risco de câncer e a resposta a tratamentos. O conceito de polimorfismo (>1%) está correto, e a aplicação aos SNPs em genes de reparo, metabolismo de drogas etc. é a base da farmacogenética. Não há erro aqui: o item distingue adequadamente polimorfismo (variação comum, efeito modulador) de mutação patogênica rara.

Conclusão: os três itens estão corretos, portanto a alternativa é a letra A.

Gabarito: letra A

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