Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg471618
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Ortopedia e Traumatologia)
A síndrome compartimental, tanto em sua forma aguda quanto crônica, pode causar diversas complicações graves. Qual é a mais grave delas?
ALesão nervosa.
BInsuficiência renal aguda.
CNecrose muscular.
DComplicações relacionadas ao tratamento cirúrgico.
EContraturas articulares graves.
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GabaritoC — Necrose muscular.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome Compartimental: complicações e gravidade
Gabarito: letra C. A complicação mais grave da síndrome compartimental é a necrose muscular, pois representa o dano tecidual irreversível que, se não tratado, leva à perda funcional definitiva do membro, deformidades e até amputação. A necrose muscular é a consequência direta da isquemia prolongada causada pelo aumento da pressão intracompartimental, sendo o ponto de não retorno no qual o músculo perde sua viabilidade.
A síndrome compartimental é uma emergência ortopédica definida como o aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial fechado, que compromete a perfusão sanguínea dos músculos e nervos ali contidos. Esse aumento pressórico desencadeia uma cascata fisiopatológica: o edema e a hemorragia tecidual elevam ainda mais a pressão, que por sua vez reduz a drenagem venosa e linfática, perpetuando o ciclo vicioso. O ponto crítico é quando a pressão intracompartimental supera a pressão de perfusão capilar, levando à isquemia progressiva dos tecidos.
A evolução temporal das lesões é bem documentada e crucial para entender a gravidade: a lesão nervosa começa em cerca de 1 hora, torna-se permanente após 4 horas, e a necrose muscular ocorre a partir de 8 horas, resultando em disfunção muscular definitiva e deformidades. Essa progressão explica por que a necrose muscular é a complicação mais grave — ela representa o estágio final e irreversível do processo isquêmico, enquanto a lesão nervosa, embora grave, pode ser reversível se tratada precocemente.
O tratamento de escolha é a fasciotomia, que deve ser realizada o mais rápido possível para liberar a pressão e restaurar a perfusão. Quando o diagnóstico é tardio ou o tratamento não é instituído, as consequências são devastadoras: contratura isquêmica de Volkmann, perda completa da função do membro e, em casos extremos, amputação. A síndrome compartimental não diagnosticada é uma das causas mais comuns de processos por erro médico, refletindo a gravidade e a importância do reconhecimento precoce.
A banca explora aqui a hierarquia das complicações: enquanto lesão nervosa, insuficiência renal e contraturas são consequências possíveis, a necrose muscular é o evento central que desencadeia as demais e representa o dano mais severo e irreversível. É essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
1hLesão nervosa inicia
4hLesão nervosa permanente
8hNecrose muscular irreversível
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A lesão nervosa é uma complicação precoce da síndrome compartimental, mas não é a mais grave. Ela começa em cerca de 1 hora e pode ser reversível se a descompressão for feita antes de 4 horas, quando se torna permanente. A necrose muscular, por outro lado, representa dano irreversível e definitivo, sendo mais grave que a lesão nervosa isolada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A insuficiência renal aguda é uma complicação sistêmica que pode ocorrer em casos de rabdomiólise associada à síndrome compartimental, mas não é a complicação mais grave e direta da síndrome. Ela é uma consequência secundária da liberação de mioglobina na circulação, enquanto a necrose muscular é o dano local primário e irreversível que define a gravidade da condição.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A necrose muscular é a complicação mais grave da síndrome compartimental. Ela ocorre após aproximadamente 8 horas de isquemia e resulta em disfunção muscular definitiva, deformidades e perda funcional do membro. É o ponto de não retorno do processo isquêmico, sendo a consequência direta do aumento da pressão intracompartimental que impede a perfusão muscular.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As complicações relacionadas ao tratamento cirúrgico, como infecção ou deiscência da fasciotomia, são possíveis, mas não representam a complicação mais grave da síndrome compartimental em si. Elas são complicações iatrogênicas do tratamento, não da doença, e geralmente são menos devastadoras que a necrose muscular irreversível.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As contraturas articulares graves, como a contratura isquêmica de Volkmann, são consequências tardias da necrose muscular não tratada. Elas são o resultado da substituição do músculo necrosado por tecido fibroso, mas são uma sequela da necrose, não a complicação mais grave em si. A necrose muscular é o evento primário que leva a essas deformidades.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao listar complicações que são consequências da necrose muscular (contraturas, lesão nervosa) ou complicações sistêmicas secundárias (insuficiência renal). A chave é identificar qual é o dano primário e irreversível: a necrose muscular é o evento central que desencadeia as demais complicações e representa o estágio mais grave da síndrome.
Gabarito: letra C — a necrose muscular é a complicação mais grave da síndrome compartimental, pois representa o dano tecidual irreversível que leva à perda funcional definitiva do membro.