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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FUNDATEC 2025

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
qg471686
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Otorrinolaringologia)
O aumento da resistência bacteriana levou à reconsideração do uso de antibióticos para todos os casos de OMA. Podem se beneficiar da observação inicial em vez da antibioticoterapia os pacientes com
  1. A2 anos e otorreia bilateral.
  2. B5 anos, febre de 40 °C e otite unilateral.
  3. C3 anos e otite bilateral.
  4. D5 meses e otorreia unilateral.
  5. E2 anos e otite unilateral com história de OMA há 20 dias.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — 3 anos e otite bilateral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Otite média aguda: quando observar em vez de tratar

Gabarito: letra C. Pacientes com 3 anos e otite bilateral podem se beneficiar da observação inicial, pois a antibioticoterapia é obrigatória apenas para menores de 2 anos com OMA bilateral, para casos com otorreia, ou para quadros graves (febre ≥ 39 °C, toxemia, otalgia intensa). A alternativa C não apresenta nenhum desses critérios de gravidade, sendo a única em que a conduta expectante é aceitável.

A otite média aguda (OMA) é a infecção da orelha média, geralmente de etiologia viral ou bacteriana, e tem alta taxa de resolução espontânea — mais de 80% dos casos melhoram sem antibióticos. Por isso, as diretrizes atuais recomendam uma abordagem seletiva: nem toda criança com OMA precisa de antimicrobiano. A decisão entre antibioticoterapia imediata e observação vigilante (espera de 48 a 72 horas, com reavaliação) depende de três fatores principais: a idade da criança, a gravidade do quadro (febre alta, toxemia, otalgia intensa) e a presença de otorreia ou comprometimento bilateral.

A lógica por trás dessa conduta é dupla. Primeiro, o uso excessivo de antibióticos aumenta a resistência bacteriana — um problema de saúde pública que motivou a revisão das diretrizes. Segundo, os antibióticos têm benefício modesto na OMA não complicada e podem causar efeitos adversos (diarreia, alergias) em 4% a 10% das crianças. Assim, a observação inicial é uma estratégia segura quando o risco de complicações é baixo e o seguimento é garantido.

Na prática, os critérios que obrigam ao antibiótico são:

  • Idade < 6 meses: sempre tratar, pois não há estudos de segurança para observação.

  • OMA bilateral em crianças de 6 a 23 meses: tratar, pois o benefício é maior (NNT = 4).

  • Otorreia (saída de secreção pelo ouvido): tratar, independentemente da idade (NNT = 3).

  • Sinais de gravidade: febre ≥ 39 °C, otalgia moderada a intensa, toxemia, ou falha de tratamento prévio.

  • Imunodeficiência, malformações craniofaciais, recidiva em 30 dias: contraindicações à observação.

Já a observação inicial é permitida para:

  • OMA unilateral em crianças de 6 a 23 meses (com decisão compartilhada com os pais).

  • OMA unilateral ou bilateral em crianças > 24 meses, desde que sem sinais de gravidade.

A pegadinha da questão está em inverter esses critérios: a banca mistura idade, lateralidade e presença de otorreia para testar se o candidato sabe exatamente quando a observação é segura. A alternativa C (3 anos, otite bilateral) é a única que não cai em nenhum critério de gravidade — a criança tem mais de 2 anos, não tem otorreia, não tem febre alta e não tem sintomas severos. Portanto, a observação é uma opção válida.

Guarde a fronteira: menor de 2 anos + bilateral = tratar; otorreia = tratar; febre ≥ 39 °C = tratar. Fora disso, em maiores de 2 anos, a observação é permitida — é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Tratamento obrigatório (antibiótico)

Observação inicial permitida

Idade

< 6 meses (sempre); 6–23 meses com OMA bilateral

> 24 meses (unilateral ou bilateral)

Otorreia

Presente (qualquer idade)

Ausente

Gravidade

Febre ≥ 39 °C, toxemia, otalgia intensa

Sem sinais de gravidade

Recidiva

OMA há menos de 30 dias

Sem recidiva recente

Alternativa A — ❌ Incorreta

2 anos e otorreia bilateral. A presença de otorreia é um critério absoluto para antibioticoterapia, independentemente da idade. A otorreia indica perfuração da membrana timpânica e maior risco de complicações, com NNT = 3 (ou seja, trata-se 3 crianças para evitar um desfecho desfavorável). Além disso, a criança tem 2 anos (limite da faixa etária de maior benefício) e OMA bilateral — dois fatores que reforçam a indicação de antibiótico. Observação aqui seria inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

5 anos, febre de 40 °C e otite unilateral. A febre de 40 °C é um sinal de gravidade (≥ 39 °C), que contraindica a observação e impõe antibioticoterapia imediata, mesmo em criança maior de 2 anos e com otite unilateral. A diretriz é clara: sintomas severos (febre alta, otalgia intensa, toxemia) exigem antibiótico em qualquer idade. A alternativa tenta confundir ao usar uma criança de 5 anos (faixa em que a observação seria possível), mas a febre alta desqualifica a conduta expectante.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

3 anos e otite bilateral. Criança com mais de 24 meses, sem otorreia, sem febre alta e sem sinais de toxemia. A diretriz permite observação inicial com monitoramento próximo para OMA unilateral ou bilateral em crianças > 24 meses, desde que não haja critérios de gravidade. A bilateralidade só é critério de tratamento obrigatório na faixa de 6 a 23 meses; acima de 2 anos, perde essa força. Portanto, a observação é uma opção válida, com reavaliação em 48 a 72 horas se não houver melhora.

Alternativa D — ❌ Incorreta

5 meses e otorreia unilateral. Dois motivos para tratar imediatamente: (1) idade < 6 meses — contraindicação absoluta à observação, pois não há dados de segurança; (2) otorreia — critério absoluto de antibioticoterapia. A combinação torna a observação totalmente contraindicada. A alternativa testa se o candidato lembra que menores de 6 meses sempre recebem antibiótico, mesmo sem outros fatores de risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

2 anos e otite unilateral com história de OMA há 20 dias. A criança tem 2 anos (faixa limítrofe) e otite unilateral, o que em tese permitiria observação. Porém, a história de OMA há 20 dias indica recidiva em 30 dias, que é uma contraindicação relativa à observação — ou seja, nesses casos a antibioticoterapia é preferível. Além disso, a persistência dos sintomas por 20 dias sugere falha de resolução espontânea, o que reforça a necessidade de tratamento. A alternativa mistura um critério que pareceria permitir observação (idade > 2 anos, unilateral) com um fator que a contraindica (recidiva recente).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão dos critérios de gravidade. O candidato tende a achar que "otite bilateral" sempre exige antibiótico, mas isso só vale para menores de 2 anos. Em crianças maiores, a bilateralidade isolada não é contraindicação à observação. Da mesma forma, a febre alta (≥ 39 °C) e a otorreia são critérios absolutos que anulam qualquer possibilidade de conduta expectante, mesmo em crianças maiores. Fique atento a essas três armadilhas: idade < 6 meses, otorreia e febre alta sempre mandam tratar.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de OMA, monte um fluxo mental: 1) idade < 6 meses? → tratar. 2) Otorreia? → tratar. 3) Febre ≥ 39 °C ou toxemia? → tratar. 4) 6-23 meses + bilateral? → tratar. 5) Caso contrário (maior de 2 anos, sem otorreia, sem febre alta) → observar é opção. Esse passo a passo elimina a maioria dos distratores.

Gabarito: letra C

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