Questão de Patologia — Diagnósticos — FUNDATEC 2025
- Código
- qg471726
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Patologia - Citopatologia)
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas I e II.
Gabarito: letra D — corretas apenas as assertivas I e II. A assertiva III erra ao afirmar que a esofagite herpética é exclusiva de pacientes com AIDS: o herpes simples pode acometer o esôfago em qualquer pessoa, inclusive imunocompetentes, embora seja mais comum e grave em imunossuprimidos. As assertivas I e II descrevem corretamente aspectos citológicos do esôfago de Barrett e das alterações pós-radioterapia.
A citologia esofágica é um método complementar à endoscopia, e a correlação entre os achados é essencial para o diagnóstico de lesões como o esôfago de Barrett, esofagites infecciosas e alterações reativas. Vamos entender cada conceito para fixar a matéria.
Esôfago de Barrett: é uma condição na qual o epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal é substituído por epitélio colunar com células caliciformes (metaplasia intestinal). Na citologia, essas células caliciformes são o achado-chave: apresentam um grande vacúolo citoplasmático preenchido por mucina, que desloca e comprime o núcleo contra a membrana celular — exatamente o que descreve a assertiva I. Esse aspecto é clássico e inconfundível, lembrando uma "taça" ou "cálice".
Alterações por radioterapia: a radiação ionizante causa dano celular que se manifesta citologicamente como cariomegalia (aumento do núcleo), mas com a relação núcleo-citoplasmática preservada ou apenas discretamente aumentada. Isso ocorre porque o citoplasma também aumenta proporcionalmente. É um achado reativo benigno, que pode simular malignidade, mas a preservação da relação N/C é um critério importante para diferenciar de neoplasia. A assertiva II está correta ao afirmar isso.
Esofagite herpética: é causada pelo vírus herpes simples (HSV), geralmente tipo 1. Embora seja mais frequente e grave em pacientes imunocomprometidos (como os com AIDS), não é exclusiva desse grupo. Pode ocorrer em imunocompetentes, especialmente após procedimentos instrumentais ou em situações de estresse. A citologia mostra células epiteliais com inclusões intranucleares (Cowdry tipo A) e aspecto multinucleado. A assertiva III erra ao usar o termo "exclusivo".
A pegadinha da banca está justamente na palavra "exclusivo" da assertiva III. O candidato que sabe que o herpes é comum em imunossuprimidos pode ser levado a marcar como correta, mas a exclusividade é falsa. A regra é: herpes esofágico é mais comum em imunossuprimidos, mas não exclusivo deles.
A descrição das células caliciformes no esôfago de Barrett está correta. O vacúolo citoplasmático ocupado por mucina e o núcleo comprimido são características morfológicas clássicas dessas células, que definem a metaplasia intestinal. É o achado citológico que confirma o diagnóstico de Barrett.
As alterações celulares pós-radioterapia incluem cariomegalia, com relação núcleo-citoplasmática normal ou preservada. A radiação causa aumento nuclear, mas o citoplasma também aumenta, mantendo a proporção. Esse é um critério importante para diferenciar de lesão neoplásica, onde a relação N/C costuma estar aumentada.
A esofagite herpética não é exclusiva de pacientes com AIDS. Embora seja mais comum e grave em imunossuprimidos, pode ocorrer em imunocompetentes. O termo "exclusivo" torna a assertiva falsa. A banca explora a generalização indevida: o candidato que sabe da associação com imunossupressão pode marcar como correta, mas a exclusividade é o erro.
A banca usa a palavra "exclusivo" para induzir ao erro. O herpes esofágico é mais comum em imunossuprimidos, mas não é exclusivo deles. Sempre desconfie de termos absolutos como "exclusivo", "sempre", "nunca" — eles raramente são verdadeiros em medicina.
Conclusão: corretas apenas as assertivas I e II, portanto o gabarito é a letra D.
Gabarito: letra D
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