Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg471819
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Radiologia e Diagnóstico por Imagem)
Em relação às lesões de adrenal, assinale a alternativa correta.
  1. AFeocromocitoma é uma lesão comum, bastante associada a sangramento.
  2. BMetástases em adrenal é um achado incomum, mais comumente associado a neoplasias de cabeça e pescoço.
  3. CAdenomas corticais são a massa mais comumente encontrada.
  4. DMielolipomas pequenos tendem a sangrar mais que os maiores.
  5. EHemorragias adrenais são raras em recém-nascidos e mais comuns em idosos em ganglioneuromas
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Adenomas corticais são a massa mais comumente encontrada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lesões de adrenal: o espectro das massas suprarrenais

Gabarito: letra C. Os adenomas corticais são, de fato, a massa mais comumente encontrada nas glândulas adrenais, especialmente como incidentalomas em exames de imagem. As demais alternativas apresentam erros conceituais: o feocromocitoma é raro e não costuma sangrar; metástases adrenais são relativamente comuns (sobretudo de pulmão, mama e melanoma); mielolipomas pequenos raramente sangram; e a hemorragia adrenal é mais frequente em recém-nascidos, não em idosos.

As lesões de adrenal representam um espectro amplo de condições, desde achados incidentais benignos até emergências endócrinas. O ponto de partida para entender esse tema é a distinção entre as duas porções da glândula: o córtex (que produz cortisol, aldosterona e andrógenos) e a medula (que produz catecolaminas). Essa divisão anatômica explica por que os tumores se manifestam de formas tão diferentes — um adenoma cortical pode causar síndrome de Cushing ou hiperaldosteronismo, enquanto um feocromocitoma, tumor da medula, cursa com crises hipertensivas.

A frequência de cada lesão é um dado central na prática clínica. Estudos de autópsia e de grandes séries de imagem mostram que os adenomas corticais não funcionantes são de longe as massas adrenais mais prevalentes, presentes em cerca de 3% a 7% dos adultos, com aumento da incidência com a idade. Quando uma massa adrenal é descoberta incidentalmente (o chamado incidentaloma), a probabilidade de ser um adenoma benigno ultrapassa 80%. Essa é a razão pela qual a alternativa C está correta: ela reflete a epidemiologia real das lesões adrenais.

Em contrapartida, o feocromocitoma é um tumor raro, responsável por menos de 1% das massas adrenais. Embora possa ocorrer hemorragia intratumoral, não é uma característica marcante nem frequente. As metástases adrenais, por sua vez, são achados relativamente comuns em pacientes oncológicos — os primários mais frequentes são pulmão, mama, rim e melanoma, não cabeça e pescoço. Os mielolipomas são tumores benignos compostos por tecido adiposo e hematopoiético; o risco de sangramento espontâneo é baixo e, quando ocorre, está associado a lesões maiores (> 10 cm), não às pequenas. Por fim, a hemorragia adrenal no recém-nascido é um evento conhecido, relacionado a trauma de parto, sepse ou coagulopatia; em idosos, está mais associada a estados de estresse, anticoagulação ou sepse, não a ganglioneuromas.

A pegadinha central desta questão é a inversão de frequências e associações. A banca explora o conhecimento epidemiológico e as complicações típicas de cada lesão, trocando o que é comum pelo que é raro e vice-versa. O candidato que decora apenas os nomes das lesões, sem saber a prevalência relativa e os contextos clínicos, tende a cair nas alternativas que soam plausíveis, mas invertem os fatos.

Guarde o mapa das frequências: adenoma cortical (muito comum) > metástase (comum em oncológicos) > feocromocitoma (raro) > mielolipoma (incomum) > hemorragia (rara no adulto, mais comum no recém-nascido). É exatamente essa hierarquia que separa a alternativa correta das demais.

Lesão Adrenal

Frequência

Característica Clínica Típica

Complicação/Associação

Adenoma cortical

Muito comum (mais prevalente)

Incidentaloma assintomático; pode causar Cushing ou hiperaldosteronismo

Raras; geralmente benigno

Metástase adrenal

Comum em pacientes oncológicos

Massa adrenal em contexto de neoplasia avançada

Primários: pulmão, mama, rim, melanoma

Feocromocitoma

Raro (<1% das massas)

Tríade: cefaleia, palpitações, sudorese; hipertensão paroxística

Hemorragia intratumoral não é frequente

Mielolipoma

Incomum

Tumor benigno (tecido adiposo + hematopoiético)

Sangramento espontâneo: risco maior em lesões >10 cm

Hemorragia adrenal

Rara no adulto; mais comum no RN

Dor abdominal, choque (se maciça)

RN: trauma de parto, sepse, coagulopatia; Adulto: estresse, anticoagulação, sepse

Alternativa A — ❌ Incorreta

O feocromocitoma é um tumor raro, não comum. Embora possa apresentar degeneração cística ou hemorrágica, o sangramento não é uma característica marcante nem uma complicação frequente. A apresentação típica é a tríade de cefaleia, palpitações e sudorese, associada a hipertensão paroxística, não a sangramento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

As metástases adrenais são um achado relativamente comum em pacientes com neoplasias avançadas, não incomum. Os primários mais frequentes são pulmão, mama, rim e melanoma, não cabeça e pescoço. A adrenal é um sítio metastático frequente devido ao seu rico suprimento sanguíneo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os adenomas corticais são, de fato, a massa mais comumente encontrada nas adrenais, especialmente como achados incidentais em exames de imagem. Essa é a lesão mais prevalente, correspondendo à grande maioria dos incidentalomas adrenais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A relação entre tamanho e risco de sangramento é inversa à afirmada: mielolipomas maiores (> 10 cm) têm maior risco de sangramento espontâneo, enquanto os pequenos raramente sangram. A alternativa inverte a relação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hemorragia adrenal é mais comum em recém-nascidos, não rara, e está associada a trauma de parto, sepse ou coagulopatia. Em idosos, pode ocorrer em contextos de estresse, anticoagulação ou sepse, mas não está associada a ganglioneuromas — que são tumores raros do sistema nervoso simpático, sem relação com hemorragia adrenal.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg471819