Lesões de adrenal: o espectro das massas suprarrenais
Gabarito: letra C. Os adenomas corticais são, de fato, a massa mais comumente encontrada nas glândulas adrenais, especialmente como incidentalomas em exames de imagem. As demais alternativas apresentam erros conceituais: o feocromocitoma é raro e não costuma sangrar; metástases adrenais são relativamente comuns (sobretudo de pulmão, mama e melanoma); mielolipomas pequenos raramente sangram; e a hemorragia adrenal é mais frequente em recém-nascidos, não em idosos.
As lesões de adrenal representam um espectro amplo de condições, desde achados incidentais benignos até emergências endócrinas. O ponto de partida para entender esse tema é a distinção entre as duas porções da glândula: o córtex (que produz cortisol, aldosterona e andrógenos) e a medula (que produz catecolaminas). Essa divisão anatômica explica por que os tumores se manifestam de formas tão diferentes — um adenoma cortical pode causar síndrome de Cushing ou hiperaldosteronismo, enquanto um feocromocitoma, tumor da medula, cursa com crises hipertensivas.
A frequência de cada lesão é um dado central na prática clínica. Estudos de autópsia e de grandes séries de imagem mostram que os adenomas corticais não funcionantes são de longe as massas adrenais mais prevalentes, presentes em cerca de 3% a 7% dos adultos, com aumento da incidência com a idade. Quando uma massa adrenal é descoberta incidentalmente (o chamado incidentaloma), a probabilidade de ser um adenoma benigno ultrapassa 80%. Essa é a razão pela qual a alternativa C está correta: ela reflete a epidemiologia real das lesões adrenais.
Em contrapartida, o feocromocitoma é um tumor raro, responsável por menos de 1% das massas adrenais. Embora possa ocorrer hemorragia intratumoral, não é uma característica marcante nem frequente. As metástases adrenais, por sua vez, são achados relativamente comuns em pacientes oncológicos — os primários mais frequentes são pulmão, mama, rim e melanoma, não cabeça e pescoço. Os mielolipomas são tumores benignos compostos por tecido adiposo e hematopoiético; o risco de sangramento espontâneo é baixo e, quando ocorre, está associado a lesões maiores (> 10 cm), não às pequenas. Por fim, a hemorragia adrenal no recém-nascido é um evento conhecido, relacionado a trauma de parto, sepse ou coagulopatia; em idosos, está mais associada a estados de estresse, anticoagulação ou sepse, não a ganglioneuromas.
A pegadinha central desta questão é a inversão de frequências e associações. A banca explora o conhecimento epidemiológico e as complicações típicas de cada lesão, trocando o que é comum pelo que é raro e vice-versa. O candidato que decora apenas os nomes das lesões, sem saber a prevalência relativa e os contextos clínicos, tende a cair nas alternativas que soam plausíveis, mas invertem os fatos.
Guarde o mapa das frequências: adenoma cortical (muito comum) > metástase (comum em oncológicos) > feocromocitoma (raro) > mielolipoma (incomum) > hemorragia (rara no adulto, mais comum no recém-nascido). É exatamente essa hierarquia que separa a alternativa correta das demais.
Lesão Adrenal | Frequência | Característica Clínica Típica | Complicação/Associação |
|---|
Adenoma cortical | Muito comum (mais prevalente) | Incidentaloma assintomático; pode causar Cushing ou hiperaldosteronismo | Raras; geralmente benigno |
Metástase adrenal | Comum em pacientes oncológicos | Massa adrenal em contexto de neoplasia avançada | Primários: pulmão, mama, rim, melanoma |
Feocromocitoma | Raro (<1% das massas) | Tríade: cefaleia, palpitações, sudorese; hipertensão paroxística | Hemorragia intratumoral não é frequente |
Mielolipoma | Incomum | Tumor benigno (tecido adiposo + hematopoiético) | Sangramento espontâneo: risco maior em lesões >10 cm |
Hemorragia adrenal | Rara no adulto; mais comum no RN | Dor abdominal, choque (se maciça) | RN: trauma de parto, sepse, coagulopatia; Adulto: estresse, anticoagulação, sepse |
Alternativa A — ❌ Incorreta
O feocromocitoma é um tumor raro, não comum. Embora possa apresentar degeneração cística ou hemorrágica, o sangramento não é uma característica marcante nem uma complicação frequente. A apresentação típica é a tríade de cefaleia, palpitações e sudorese, associada a hipertensão paroxística, não a sangramento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
As metástases adrenais são um achado relativamente comum em pacientes com neoplasias avançadas, não incomum. Os primários mais frequentes são pulmão, mama, rim e melanoma, não cabeça e pescoço. A adrenal é um sítio metastático frequente devido ao seu rico suprimento sanguíneo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os adenomas corticais são, de fato, a massa mais comumente encontrada nas adrenais, especialmente como achados incidentais em exames de imagem. Essa é a lesão mais prevalente, correspondendo à grande maioria dos incidentalomas adrenais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A relação entre tamanho e risco de sangramento é inversa à afirmada: mielolipomas maiores (> 10 cm) têm maior risco de sangramento espontâneo, enquanto os pequenos raramente sangram. A alternativa inverte a relação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hemorragia adrenal é mais comum em recém-nascidos, não rara, e está associada a trauma de parto, sepse ou coagulopatia. Em idosos, pode ocorrer em contextos de estresse, anticoagulação ou sepse, mas não está associada a ganglioneuromas — que são tumores raros do sistema nervoso simpático, sem relação com hemorragia adrenal.
Gabarito: letra C