Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg471890
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Ultrassonografia Geral)
Qual dos nódulos de tireoide descritos abaixo é mais preditivo de malignidade ao ultrassom?
ANódulo espongiforme, isoecogênico, com margens regulares e sem vascularização central.
BNódulo sólido, hipoecogênico, com microcalcificações e margens irregulares.
CNódulo anecoico, oval, com halo periférico completo e sem sinais de vascularização.
DNódulo parcialmente cístico, com conteúdo espesso e sem vascularização.
ENódulo isoecogênico com halo periférico bem definido.
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GabaritoB — Nódulo sólido, hipoecogênico, com microcalcificações e margens irregulares.
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Nódulos tireoidianos: preditores ultrassonográficos de malignidade
Gabarito: letra B. O nódulo sólido, hipoecogênico, com microcalcificações e margens irregulares é o mais preditivo de malignidade ao ultrassom, pois combina quatro características clássicas de suspeição (conteúdo sólido, baixa ecogenicidade, microcalcificações e margens irregulares), conforme o sistema TI-RADS do American College of Radiology (ACR). As demais alternativas descrevem nódulos com características predominantemente benignas (espongiforme, anecoico, halo completo, ausência de vascularização central).
A avaliação ultrassonográfica do nódulo tireoidiano é o passo inicial para estimar o risco de malignidade e decidir sobre a necessidade de punção aspirativa por agulha fina (PAAF). O sistema TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System) do ACR padroniza essa avaliação, atribuindo pontos a cinco categorias: composição, ecogenicidade, forma, margem e focos ecogênicos. A soma desses pontos classifica o nódulo em categorias de risco (TR1 a TR5), que orientam a conduta. Características como conteúdo sólido, hipoecogenicidade marcada, forma mais alta que larga, margens irregulares ou lobuladas e microcalcificações são marcadores de malignidade. Por outro lado, nódulos espongiformes, anecoicos, com halo periférico completo e sem vascularização central são típicos de benignidade.
A ecogenicidade é um dos critérios mais importantes: nódulos sólidos hipoecoicos têm valor preditivo positivo para malignidade que pode variar de 50% a 63%, enquanto nódulos isoecoicos podem ser malignos em 7% a 25% dos casos, e a malignidade está presente em apenas 4% dos nódulos hiperecoicos. As microcalcificações, especialmente no carcinoma papilífero, representam corpos psamomatosos e têm alto valor preditivo positivo para malignidade. Margens irregulares ou lobuladas, com protrusões aos tecidos adjacentes, também são fortemente sugestivas de malignidade, assim como a extensão extratireoidiana. Em contraste, um halo bem definido e completo sugere benignidade, e nódulos espongiformes (compostos predominantemente por espaços císticos pequenos) são considerados benignos.
Na prática clínica, a presença de múltiplas características suspeitas em um mesmo nódulo aumenta exponencialmente a probabilidade de malignidade. Por exemplo, um nódulo sólido, hipoecogênico, com microcalcificações e margens irregulares (como na alternativa B) receberia alta pontuação no TI-RADS, indicando necessidade de PAAF mesmo com diâmetros menores. Já um nódulo espongiforme ou anecoico, com halo completo e sem vascularização, seria classificado como de baixo risco, dispensando punção na maioria dos casos. A distinção entre essas características é o cerne da questão: a banca explora exatamente a capacidade de reconhecer quais achados ultrassonográficos são preditores de malignidade versus benignidade.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que características como halo periférico completo, ausência de vascularização central e conteúdo espongiforme ou anecoico são marcadores de benignidade, enquanto a combinação de sólido, hipoecogênico, microcalcificações e margens irregulares é o padrão clássico de malignidade. O candidato que confunde esses achados pode ser induzido a escolher uma alternativa com características benignas, como a letra A ou C. Guarde a fronteira entre os achados suspeitos e os benignos: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Característica ultrassonográfica
Benignidade
Malignidade (mais preditivo)
Composição
Espongiforme, anecoico, parcialmente cístico
Sólido
Ecogenicidade
Isoecogênico, hiperecogênico
Hipoecogênico
Calcificações
Ausentes ou macrocalcificações
Microcalcificações
Margens
Regulares, halo periférico completo
Irregulares ou lobuladas
Vascularização
Ausente ou periférica
Central (quando associada a outros sinais)
Forma
Oval (mais largo que alto)
Mais alta que larga
Nódulo tireoidiano (US)
1Suspeito (malignidade)
Sólido
Hipoecogênico
Microcalcificações
Margens irregulares
2Benigno
Espongiforme
Anecoico
Halo completo
Sem vascularização
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Nódulo espongiforme, isoecogênico, com margens regulares e sem vascularização central. O padrão espongiforme (composto predominantemente por espaços císticos pequenos) é considerado benigno no TI-RADS, recebendo pontuação mínima. Margens regulares e ausência de vascularização central reforçam a benignidade. Portanto, esta alternativa descreve um nódulo de baixo risco, não preditivo de malignidade.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Nódulo sólido, hipoecogênico, com microcalcificações e margens irregulares. Esta combinação reúne quatro características de alta suspeição: conteúdo sólido (maior risco que cístico/misto), hipoecogenicidade (valor preditivo positivo de 50-63%), microcalcificações (corpos psamomatosos, alto valor preditivo positivo) e margens irregulares (protrusões aos tecidos adjacentes). No TI-RADS, essa combinação resulta em alta pontuação, indicando risco elevado de malignidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Nódulo anecoico, oval, com halo periférico completo e sem sinais de vascularização. Nódulo anecoico é tipicamente cístico, e o halo periférico completo é sinal de benignidade. A forma oval (mais largo que alto) também é favorável. Ausência de vascularização central é característica de nódulos benignos. Portanto, esta alternativa descreve um nódulo de baixo risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Nódulo parcialmente cístico, com conteúdo espesso e sem vascularização. Embora conteúdo espesso possa gerar alguma suspeita, a ausência de vascularização e o caráter parcialmente cístico (misto) são menos preditivos de malignidade do que um nódulo sólido com microcalcificações e margens irregulares. No TI-RADS, nódulos mistos recebem pontuação intermediária, mas não se comparam ao risco da alternativa B.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Nódulo isoecogênico com halo periférico bem definido. Halo periférico bem definido e completo é sinal clássico de benignidade. Nódulos isoecoicos têm risco intermediário (7-25% de malignidade), mas a presença do halo completo reduz a suspeita. Esta alternativa não apresenta características preditivas de malignidade.
Gabarito: letra B — a combinação de nódulo sólido, hipoecogênico, com microcalcificações e margens irregulares é o mais preditivo de malignidade ao ultrassom.