Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2025
- Código
- qg471916
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Urologia)
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas II e III.
- DApenas III e IV.
- EI, II, III e IV.
GabaritoB — Apenas II.
Gabarito: letra B — apenas a assertiva II está correta. O ultrassom (US) é adequado para avaliar o volume prostático e planejar o tratamento clínico e cirúrgico, conforme a literatura urológica. As demais assertivas contêm erros: os inibidores da 5-alfa-redutase reduzem o PSA em cerca de 50% (não 80%), o estudo Olmsted County mostrou correlação entre volume prostático e risco de retenção urinária aguda, e a uretrocistoscopia não é um exame de diagnóstico de obstrução ao esvaziamento da bexiga, mas sim um exame complementar para avaliação anatômica.
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é o crescimento benigno da glândula prostática, decorrente da hiperplasia das células estromais e epiteliais, que afeta principalmente homens acima de 45 anos. Ela causa sintomas do trato urinário inferior (STUIs), que podem ser de armazenamento (polaciúria, urgência, noctúria) ou de esvaziamento (jato fraco, hesitação, esforço miccional). O diagnóstico inicial é feito por história clínica, exame físico (incluindo toque retal), exame de urina e PSA. O toque retal não é preciso para avaliar o tamanho da próstata, mas o PSA é um bom preditor do volume prostático: PSA < 1,4 ng/mL sugere próstata < 40 g, enquanto PSA > 1,4 ng/mL sugere próstata > 40 g.
O ultrassom de próstata não é necessário para o diagnóstico, mas é fundamental para a decisão terapêutica, pois define o tamanho da próstata e avalia o resíduo pós-miccional — informações úteis para predizer o risco de retenção urinária aguda. É importante destacar que o tamanho da próstata não tem boa correlação com o grau de obstrução nem com a presença de STUIs. O US do aparelho urinário deve ser realizado em casos com sintomas miccionais graves, dor, resíduo pós-miccional elevado, creatinina elevada, hematúria ou litíase.
Os inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida e dutasterida) bloqueiam a conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), reduzindo o volume prostático em 18–25% ao longo de 6 a 12 meses. Eles também reduzem o PSA sérico em cerca de 50% após 6 meses de uso — um ponto crucial para a interpretação do PSA no rastreamento de câncer de próstata. O estudo MTOPS demonstrou que a terapia combinada (alfa-bloqueador + inibidor da 5-alfa-redutase) é mais efetiva que a monoterapia em homens com próstatas grandes.
O estudo Olmsted County, um dos mais importantes sobre a história natural da HPB, demonstrou que o volume prostático está diretamente correlacionado com o risco de retenção urinária aguda — ou seja, quanto maior a próstata, maior o risco. Isso contraria a assertiva III, que afirma o oposto. A uretrocistoscopia, por sua vez, é um exame endoscópico que permite visualizar diretamente a uretra e a bexiga, sendo útil para avaliar a anatomia e planejar procedimentos cirúrgicos, mas não é um exame de diagnóstico de obstrução ao esvaziamento vesical — o diagnóstico de obstrução é funcional, feito por fluxometria e avaliação do resíduo pós-miccional.
A pegadinha central desta questão está na assertiva I: a banca troca o percentual de redução do PSA (50%) por 80%, um valor que não corresponde à realidade clínica. Além disso, a assertiva III inverte a correlação demonstrada pelo estudo Olmsted County, e a assertiva IV atribui à uretrocistoscopia um papel diagnóstico que ela não possui. A assertiva II, por sua vez, está correta e é a única que reflete o uso adequado do ultrassom na prática urológica.
A banca explora três armadilhas clássicas: (1) troca o percentual de redução do PSA pelos inibidores da 5-alfa-redutase — o correto é cerca de 50%, não 80%; (2) inverte a correlação do estudo Olmsted County — o volume prostático AUMENTA o risco de retenção urinária aguda; (3) atribui à uretrocistoscopia um papel diagnóstico que ela não tem — a obstrução é avaliada por fluxometria e resíduo pós-miccional, não por endoscopia. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪.
A assertiva afirma que os inibidores da 5-alfa-redutase reduzem o PSA em 80% em 12 meses. Isso está errado: a redução é de cerca de 50% após 6 meses de uso. O valor de 80% não corresponde a nenhum dado da literatura. A banca troca o percentual correto por um valor exagerado para confundir o candidato.
O ultrassom é adequado para avaliar o volume prostático e planejar o tratamento clínico e cirúrgico. Conforme a literatura, o US define o tamanho da próstata e avalia o resíduo pós-miccional, informações essenciais para a decisão terapêutica e para predizer o risco de retenção urinária aguda. Esta é a única assertiva correta.
A assertiva afirma que, segundo o estudo Olmsted County, o volume prostático não se correlacionou com o risco de retenção urinária aguda. Isso é falso: o estudo demonstrou exatamente o oposto — o volume prostático está diretamente correlacionado com o risco de retenção urinária aguda. A banca inverte a correlação para testar o conhecimento do candidato.
A uretrocistoscopia não é importante para o diagnóstico de obstrução ao esvaziamento da bexiga. O diagnóstico de obstrução é funcional, realizado por fluxometria e avaliação do resíduo pós-miccional. A uretrocistoscopia é um exame complementar que avalia a anatomia da uretra e da bexiga, sendo útil no planejamento cirúrgico, mas não no diagnóstico de obstrução.
Conclusão: Apenas o item II está correto. Portanto, a alternativa correta é a letra B.
Gabarito: letra B
Link permanente: /questoes/qg471916