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Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2025

MedicinaOncologia
Código
qg471919
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Urologia)
Em relação à nefrectomia citoredutora (NCR) em câncer de rim metastático, analise as assertivas a seguir:I. Os estudos Carmena e Surtime não demonstraram benefício da NCR em pacientes com prognóstico ruim.II. Os estudos Carmena e Surtime utilizaram interleukin-2.III. O sunitinibe é a droga de escolha para tratamento de câncer de rim metastático.IV. No estudo Carmena, aproximadamente 10% dos pacientes tinham câncer de rim de mau prognóstico pelo escore do MSKCC.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas III.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas II e IV.
  5. EI, II, III e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefrectomia citorredutora no carcinoma de células renais metastático

Gabarito: letra A — apenas a assertiva I está correta. Os estudos Carmena e Surtime não demonstraram benefício da nefrectomia citorredutora em pacientes com prognóstico ruim, e ambos utilizaram sunitinibe (não interleucina-2). A assertiva III é incorreta porque o sunitinibe não é a droga de escolha isolada — o tratamento do CCR metastático envolve múltiplas opções, incluindo imunoterapia combinada. A assertiva IV é incorreta porque no estudo Carmena a proporção de pacientes de mau prognóstico pelo MSKCC foi de aproximadamente 43%, não 10%.

A nefrectomia citorredutora (NCR) é a retirada cirúrgica do tumor renal primário em pacientes que já apresentam doença metastática. Historicamente, essa abordagem foi estabelecida com base em estudos da década de 1990 que usavam interferon-alfa como terapia sistêmica, mostrando benefício de sobrevida em pacientes selecionados — boa capacidade funcional, doença extrarrenal limitada e baixa comorbidade. O racional biológico é que a remoção do tumor primário poderia reduzir a carga tumoral total, melhorar o estado imunológico do paciente e aumentar a eficácia da terapia sistêmica subsequente.

Contudo, com o advento dos inibidores de tirosinoquinase (TKIs) como o sunitinibe, essa lógica foi reavaliada. O estudo Carmena (ensaio clínico randomizado) comparou nefrectomia seguida de sunitinibe versus sunitinibe isolado em pacientes com CCR metastático de risco intermediário ou alto pelo critério MSKCC. O resultado foi surpreendente: não houve diferença na sobrevida global entre os dois braços. Ou seja, para pacientes com prognóstico desfavorável, a cirurgia citorredutora não agregou benefício — o tratamento sistêmico isolado foi suficiente. O estudo Surtime, por sua vez, também avaliou a NCR em contexto semelhante e corroborou a ausência de benefício nesse subgrupo.

A interpretação clínica desses achados é que a NCR deve ser reservada para pacientes de bom prognóstico, com doença metastática limitada e boa performance status. Para pacientes de risco intermediário ou alto, a terapia sistêmica moderna (TKIs e imunoterapia combinada) é a espinha dorsal do tratamento, e a cirurgia pode até atrasar o início da terapia sistêmica sem ganho de sobrevida. Essa mudança de paradigma é um dos pontos mais cobrados em provas de oncologia.

A pegadinha central desta questão está na assertiva II: os estudos Carmena e Surtime NÃO usaram interleucina-2 — usaram sunitinibe. A interleucina-2 em altas doses foi uma opção histórica de imunoterapia para CCR metastático, com respostas completas duráveis em pacientes altamente selecionados, mas não foi o fármaco utilizado nesses dois ensaios. A banca explora exatamente essa confusão entre as eras do tratamento: a era das citocinas (IL-2, IFN-α) versus a era dos TKIs (sunitinibe).

Guarde o critério decisivo: qual terapia sistêmica foi usada nos estudos Carmena e Surtime? A resposta é sunitinibe — e é esse detalhe que separa as assertivas corretas das incorretas.

1Estudos Carmena e Surtime
Terapia sistêmica: sunitinibe (TKI)
Sem benefício em prognóstico ruim
Risco alto MSKCC: ~43%
2Era das citocinas (histórica)
Interleucina-2
Interferon-alfa
3Tratamento atual
TKIs isolados
Imunoterapia combinada
Personalizado por risco MSKCC/IMDC
Nefrectomia citorredutora (CCR metastático)
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Nefrectomia citorredutora (CCR metastático): Estudos Carmena e Surtime (Terapia sistêmica: sunitinibe (TKI), Sem benefício em prognóstico ruim, Risco alto MSKCC: ~43%); Era das citocinas (histórica) (Interleucina-2, Interferon-alfa); Tratamento atual (TKIs isolados, Imunoterapia combinada, Personalizado por risco MSKCC/IMDC)

Item I — ✅ Correto

A assertiva afirma que os estudos Carmena e Surtime não demonstraram benefício da NCR em pacientes com prognóstico ruim. Isso está correto. O estudo Carmena, especificamente, randomizou pacientes com doença de risco intermediário ou alto (pelo MSKCC) para nefrectomia + sunitinibe ou sunitinibe isolado, e não encontrou diferença na sobrevida global. O estudo Surtime corroborou esses achados. Portanto, para o subgrupo de mau prognóstico, a NCR não oferece ganho de sobrevida — a terapia sistêmica isolada é equivalente.

Item II — ❌ Incorreto

A assertiva afirma que os estudos Carmena e Surtime utilizaram interleucina-2. Isso é falso. Ambos os estudos utilizaram sunitinibe, um inibidor de tirosinoquinase (TKI), como terapia sistêmica. A interleucina-2 em altas doses foi uma opção de imunoterapia da era pré-TKI, com benefícios modestos e limitados a pacientes altamente selecionados. A banca troca deliberadamente a terapia alvo (sunitinibe) pela citocina (IL-2) para testar se o candidato conhece o desenho dos estudos.

Item III — ❌ Incorreto

A assertiva afirma que o sunitinibe é a droga de escolha para tratamento de câncer de rim metastático. Isso é uma generalização incorreta. Embora o sunitinibe tenha sido um marco no tratamento do CCR metastático, o cenário atual é de múltiplas opções de primeira linha, incluindo combinações de imunoterapia (nivolumabe + ipilimumabe, pembrolizumabe + axitinibe) e TKIs isolados. A escolha da terapia depende de fatores como grupo de risco (MSKCC/IMDC), comorbidades e perfil de toxicidade. Não existe uma única "droga de escolha" — o tratamento é personalizado e frequentemente combinado.

Item IV — ❌ Incorreto

A assertiva afirma que no estudo Carmena aproximadamente 10% dos pacientes tinham câncer de rim de mau prognóstico pelo escore do MSKCC. Isso é falso. No estudo Carmena, a proporção de pacientes com doença de mau prognóstico (risco alto) pelo MSKCC foi de aproximadamente 43% — não 10%. O estudo incluiu majoritariamente pacientes de risco intermediário e alto, justamente o grupo em que a NCR não demonstrou benefício. O valor de 10% não corresponde a nenhum dado do estudo.

Conclusão: apenas a assertiva I está correta. Portanto, o gabarito é a letra A.

Gabarito: letra A

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