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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2025

MedicinaUrologia
Código
qg471928
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Urologia)
Em relação à incontinência paradoxal ou de transbordamento, assinale a alternativa correta.
  1. AAcontece mais quando há esforço mínimo.
  2. BO reflexo guardião está hiperativo à noite, deixando o paciente mais seco.
  3. CO paciente pode não se dar conta dos sintomas obstrutivos quando estiver incontinente de forma paradoxal.
  4. DO resíduo pós-miccional é baixo.
  5. EO tratamento é feito com o uso de anticolinérgicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O paciente pode não se dar conta dos sintomas obstrutivos quando estiver incontinente de forma paradoxal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Incontinência paradoxal (por transbordamento)

Gabarito: letra C. Na incontinência paradoxal, o paciente pode não perceber os sintomas obstrutivos porque o gotejamento constante, causado pela retenção urinária crônica, mascara a dificuldade de esvaziamento — exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas descrevem características de outros tipos de incontinência ou erram o mecanismo fisiopatológico.

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, classificada em quatro tipos principais: de esforço, de urgência, funcional e paradoxal (ou por transbordamento). A incontinência paradoxal ocorre quando há retenção urinária crônica grave, com grande volume residual, e o músculo detrusor perde a capacidade de contração. A bexiga, então, funciona apenas como um reservatório passivo, enchendo até sua capacidade máxima e transbordando em forma de gotejamento constante. Esse gotejamento é o que o paciente percebe, mas a causa subjacente — a obstrução ou a atonia vesical — pode passar despercebida, pois o paciente não sente a necessidade de urinar de forma imperiosa.

A causa mais comum em homens é a hiperplasia prostática benigna (HPB), que obstrui a saída da urina. Em mulheres, a causa frequente é o prolapso vesical. Outras causas incluem atonia da bexiga por diabetes melito, lesão da medula espinal e uso de medicamentos como miorrelaxantes, opioides e antidepressivos com ação colinérgica. No exame físico, é possível palpar a bexiga distendida, às vezes até acima da cicatriz umbilical, e o resíduo pós-miccional é elevado, geralmente acima de 200 mL.

O tratamento da incontinência paradoxal depende da causa. Se houver obstrução vesical, o tratamento cirúrgico é o mais efetivo. Para pacientes que não são candidatos à cirurgia, pode-se utilizar cateterização intermitente ou de demora. Em homens com obstrução prostática sem retenção urinária, podem ser usados alfabloqueadores (como doxazosina e tansulosina) ou finasterida. Anticolinérgicos, por outro lado, são usados para tratar a incontinência de urgência, pois reduzem a hiperatividade do detrusor — não têm papel na incontinência paradoxal, onde o problema é a falta de contração.

A distinção crucial é entre a incontinência paradoxal e os outros tipos. Na incontinência de esforço, há perda de urina com aumento da pressão abdominal (tosse, espirro, riso), devido à insuficiência esfincteriana. Na incontinência de urgência, há perda precedida por desejo súbito e imperioso de urinar, por hiperatividade do detrusor. Na incontinência funcional, o paciente não consegue chegar ao banheiro a tempo por problemas de mobilidade ou cognitivos. A incontinência paradoxal, por sua vez, é caracterizada por gotejamento constante, sem sensação de necessidade de urinar, e com resíduo pós-miccional elevado.

A pegadinha da banca está em associar características de outros tipos de incontinência à incontinência paradoxal. A alternativa A fala de esforço mínimo, que é típico da incontinência de esforço. A alternativa B menciona reflexo guardião hiperativo à noite, que não é um conceito aplicável. A alternativa D afirma que o resíduo pós-miccional é baixo, quando na verdade é elevado. A alternativa E sugere anticolinérgicos, que são usados para incontinência de urgência, não para a paradoxal. A alternativa C, correta, destaca que o paciente pode não se dar conta dos sintomas obstrutivos, o que é uma característica clínica importante dessa condição.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A incontinência paradoxal não ocorre com esforço mínimo. Essa é a descrição da incontinência de esforço, que se manifesta com perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço físico, devido à insuficiência do esfíncter uretral. Na incontinência paradoxal, o gotejamento é constante, independente de esforço, pois a bexiga está cheia e transborda passivamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O reflexo guardião não está hiperativo à noite na incontinência paradoxal. Esse conceito não se aplica a essa condição. Na verdade, o paciente com incontinência paradoxal tem perda de urina constante, inclusive à noite, e não há um mecanismo de proteção que o mantenha seco. A alternativa confunde o mecanismo da incontinência paradoxal com outros tipos, como a de urgência, onde pode haver noctúria.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O paciente com incontinência paradoxal pode não se dar conta dos sintomas obstrutivos. Isso ocorre porque o gotejamento constante, causado pela retenção urinária crônica, mascara a dificuldade de esvaziamento. O paciente percebe a perda de urina, mas não associa ao fato de que a bexiga não está esvaziando adequadamente. Essa é uma característica clínica importante, pois o diagnóstico pode ser tardio.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O resíduo pós-miccional na incontinência paradoxal é elevado, não baixo. Como há retenção urinária crônica, a bexiga não esvazia completamente, resultando em um volume residual significativo, geralmente acima de 200 mL. Um resíduo baixo seria esperado em outros tipos de incontinência, como a de esforço ou de urgência, onde o esvaziamento vesical é normal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O tratamento da incontinência paradoxal não é feito com anticolinérgicos. Esses medicamentos são usados para tratar a incontinência de urgência, pois reduzem a hiperatividade do detrusor. Na incontinência paradoxal, o problema é a falta de contração do detrusor e a retenção urinária, portanto, o tratamento visa aliviar a obstrução (cirurgia, alfabloqueadores) ou promover o esvaziamento (cateterização).

Gabarito: letra C

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