Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2025
- Código
- qg471933
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Urologia)
- AApenas I.
- BApenas III.
- CApenas II e IV.
- DApenas I, II e IV.
- EI, II, III e IV.
GabaritoE — I, II, III e IV.
Gabarito: letra E. Todas as assertivas (I, II, III e IV) estão corretas, pois refletem os dados epidemiológicos globais do câncer de próstata: as maiores incidências ocorrem na Austrália/Nova Zelândia (TPId de 111,6/100 mil), a América do Norte apresenta TPId alta (97,2/100 mil), a Ásia Central e do Sul tem incidência muito baixa (4,5/100 mil) e a mortalidade é maior em afrodescendentes do Caribe e da África Subsaariana. Esses dados são consistentes com as estatísticas do GLOBOCAN e com a literatura oncológica internacional.
O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comum em homens em grande parte do mundo, e sua epidemiologia é marcada por uma enorme variação geográfica. Essa variação reflete, em grande parte, a diferença no acesso ao rastreamento (dosagem de PSA) e aos serviços de saúde, além de fatores genéticos e étnicos. A Taxa Padronizada por Idade (TPId) é uma medida essencial nesse contexto: ela ajusta as taxas brutas para uma distribuição etária padrão, permitindo comparar populações com estruturas etárias diferentes. Sem essa padronização, países com populações mais velhas pareceriam ter incidência maior apenas por terem mais homens em idade de risco.
Os dados apresentados nas assertivas são coerentes com as estimativas do GLOBOCAN (Global Cancer Statistics), que é a principal fonte de dados de incidência e mortalidade por câncer no mundo, publicada pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à OMS. Segundo essas estimativas, a Oceania (especialmente Austrália e Nova Zelândia) e a América do Norte lideram as taxas de incidência, enquanto a Ásia apresenta as menores taxas. A mortalidade, por sua vez, tem um padrão diferente: embora a incidência seja menor em países em desenvolvimento, a mortalidade é proporcionalmente maior, especialmente em populações de ascendência africana, como no Caribe e na África Subsaariana. Isso ocorre porque, nesses locais, o diagnóstico costuma ser tardio, com doença já avançada, e o acesso a tratamentos eficazes é limitado.
É importante distinguir incidência de mortalidade. A incidência mede quantos casos novos surgem em uma população em um período, enquanto a mortalidade mede quantas mortes ocorrem por aquela doença. Países com alta incidência (como Austrália e América do Norte) geralmente têm mortalidade relativamente menor, pois o rastreamento e o tratamento precoce são mais acessíveis. Já regiões com incidência mais baixa (como a Ásia) podem ter mortalidade proporcionalmente alta, pois muitos casos são diagnosticados em estágios avançados. Essa dissociação entre incidência e mortalidade é um dos pontos mais cobrados em provas de epidemiologia do câncer.
A pegadinha desta questão é justamente a tentação de marcar como incorretas as assertivas que trazem números específicos, como a TPId de 111,6 ou 97,2 por 100 mil. O candidato que não conhece os dados exatos pode achar que são números inventados. No entanto, todos os valores apresentados são coerentes com as estimativas globais e a banca espera que o aluno reconheça o padrão epidemiológico: incidência muito alta na Oceania e América do Norte, baixa na Ásia, e mortalidade elevada em populações afrodescendentes. Guarde esse padrão: é exatamente ele que separa as alternativas corretas das incorretas.
A assertiva afirma que as maiores incidências de câncer de próstata ocorrem na Austrália e na Nova Zelândia, com TPId de 111,6 por 100 mil homens. Isso está correto. A Oceania, especialmente Austrália e Nova Zelândia, é reconhecida como a região com as maiores taxas de incidência de câncer de próstata no mundo, superando inclusive a América do Norte. O valor de 111,6 por 100 mil é consistente com as estimativas do GLOBOCAN para essa região. A alta incidência reflete, em grande parte, o amplo uso do rastreamento com PSA e a maior expectativa de vida da população.
A assertiva afirma que na América do Norte a TPId é de 97,2 por 100 mil homens, considerada alta. Isso está correto. A América do Norte (Estados Unidos e Canadá) apresenta uma das maiores incidências de câncer de próstata do mundo, com TPId em torno de 97 por 100 mil. Essa taxa é considerada alta e reflete o rastreamento intensivo com PSA, que detecta muitos casos, inclusive os que não causariam sintomas ou morte. É importante notar que, apesar da alta incidência, a mortalidade por câncer de próstata na América do Norte é relativamente menor, graças ao diagnóstico precoce e ao tratamento eficaz.
A assertiva afirma que a incidência de câncer de próstata é muito baixa na Ásia Central e do Sul, com taxa de 4,5 por 100.000. Isso está correto. A Ásia, de modo geral, apresenta as menores taxas de incidência de câncer de próstata do mundo, e a Ásia Central e do Sul não é exceção, com taxas em torno de 4,5 por 100 mil. Essa baixa incidência é atribuída a fatores genéticos, dietéticos e, principalmente, ao menor uso do rastreamento com PSA. No entanto, é importante notar que, em muitos países asiáticos, a incidência vem aumentando nas últimas décadas, possivelmente devido à ocidentalização dos hábitos de vida e ao aumento do rastreamento.
A assertiva afirma que a taxa de mortalidade de câncer de próstata é maior nos afrodescendentes do Caribe e da África Subsaariana. Isso está correto. Embora a incidência seja maior em países desenvolvidos, a mortalidade é desproporcionalmente alta em populações de ascendência africana, especialmente no Caribe e na África Subsaariana. Isso se deve a uma combinação de fatores: maior agressividade biológica do tumor em homens afrodescendentes, diagnóstico tardio (falta de rastreamento) e acesso limitado a tratamentos eficazes. Nos Estados Unidos, por exemplo, homens afro-americanos têm maior risco de desenvolver e morrer de câncer de próstata em comparação com homens brancos, como mencionado na literatura oncológica.
Gabarito: letra E — corretos os itens I, II, III e IV.
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