Questão de Farmácia — Farmacologia — FUNDATEC 2025
Farmácia›Farmacologia
Código
qg473328
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Sertão - PE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor EBTT - Química
Um dos grandes desafios no desenvolvimento de vacinas e fármacos modernos é garantir que as moléculas ativas cheguem às células-alvo sem sofrerem degradação no percurso. Nas vacinas baseadas em RNA mensageiro (mRNA), como as desenvolvidas para a covid-19, essa dificuldade é ainda maior devido à natureza instável do mRNA. Para contornar esse problema, utilizam-se nanopartículas lipídicas funcionalizadas com polietilenoglicol (PEG), os chamados lipídios peguilados (Figura 8). Tais estruturas protegem o mRNA, auxiliam em sua entrada nas células e potencializam a resposta imunológica. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
AA funcionalização com polietilenoglicol (–[CH₂CH₂O]ₙ–) promove a hidrofobicidade da superfície das nanopartículas, facilitando sua agregação no meio biológico e aumentando sua captação por macrófagos.
BA presença de cadeias de PEG na superfície da nanopartícula reduz a energia livre de superfície, promovendo interações hidrofóbicas mais intensas com as membranas celulares e acelerando a liberação do fármaco encapsulado.
CA matriz lipídica interna das LNPs, por ser altamente polar, permite a encapsulação de moléculas hidrofílicas por meio de ligações de hidrogênio com os fosfolipídios constituintes, o que reduz a estabilidade estrutural da nanopartícula.
DA funcionalização com PEG confere carga negativa à superfície da nanopartícula, facilitando a interação eletrostática com o RNA mensageiro e promovendo sua liberação passiva no citoplasma por difusão simples.
EA camada de polietilenoglicol atua como um escudo estérico, dificultando a interação com proteínas plasmáticas e evitando a opsonização, o que aumenta o tempo de circulação da nanopartícula na corrente sanguínea.
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GabaritoE — A camada de polietilenoglicol atua como um escudo estérico, dificultando a interação com proteínas plasmáticas e evitando a opsonização, o que aumenta o tempo de circulação da nanopartícula na corrente sanguínea.
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Nanopartículas lipídicas e o papel do PEG nas vacinas de mRNA
Gabarito: letra E. A camada de polietilenoglicol (PEG) atua como um escudo estérico que dificulta a interação com proteínas plasmáticas e evita a opsonização, aumentando o tempo de circulação da nanopartícula na corrente sanguínea. Essa é a função clássica da peguilação em sistemas de liberação de fármacos e vacinas de mRNA, como as da covid-19.
O desafio central no desenvolvimento de vacinas de mRNA é proteger a molécula instável até que ela chegue às células-alvo. O mRNA é rapidamente degradado por nucleases no sangue e, por ser uma molécula grande e aniônica, não atravessa facilmente as membranas celulares. Para resolver isso, utiliza-se a nanotecnologia: o mRNA é encapsulado em nanopartículas lipídicas (LNPs), que o protegem da degradação e facilitam sua entrada nas células. As LNPs são compostas por lipídios ionizáveis, fosfolipídios, colesterol e lipídios peguilados. O PEG, um polímero hidrofílico e flexível, é ancorado na superfície da nanopartícula formando uma camada que se estende para o meio aquoso. Essa camada cria uma barreira estérica — um impedimento físico — que dificulta a adsorção de proteínas plasmáticas (opsoninas) na superfície da partícula. Sem essa camada, as opsoninas marcariam a nanopartícula para ser fagocitada por macrófagos do sistema reticuloendotelial, reduzindo drasticamente seu tempo de circulação. Portanto, a peguilação é uma estratégia para "esconder" a nanopartícula do sistema imunológico inato, prolongando sua permanência no sangue e aumentando a chance de alcançar as células-alvo.
Na prática, imagine uma nanopartícula sem PEG: ao ser injetada, ela é rapidamente recoberta por proteínas do plasma (formação da "coroa de proteínas"), reconhecida por macrófagos e eliminada em minutos. Com o PEG, essa coroa é minimizada, e a partícula circula por horas, permitindo que se acumule nos tecidos e seja internalizada pelas células. Além disso, o PEG confere hidrofilicidade à superfície, reduzindo a agregação entre partículas e aumentando a estabilidade coloidal. É importante distinguir o papel do PEG do papel dos lipídios ionizáveis: enquanto o PEG atua na superfície, os lipídios ionizáveis são responsáveis por encapsular o mRNA (que é aniônico) e por facilitar a liberação do mRNA no citoplasma após a internalização celular, aproveitando o pH ácido do endossomo.
A pegadinha desta questão está em inverter o papel do PEG: ele não torna a superfície hidrofóbica, não confere carga negativa, não acelera a liberação do fármaco e não aumenta a captação por macrófagos — exatamente o oposto. A banca explora a confusão entre as funções dos diferentes componentes da LNP e as propriedades físico-químicas do PEG. Guarde o conceito-chave: PEG = escudo estérico hidrofílico que evita opsonização e prolonga a circulação.
Nanopartículas lipídicas (LNPs)
1Componentes
PEG (superfície)
Escudo estérico hidrofílico
Evita opsonização
Prolonga circulação
Lipídios ionizáveis
Encapsulam mRNA aniônico
Liberação endossomal
Colesterol
Estabilidade da membrana
Fosfolipídios
Estrutura da bicamada
2Função do PEG
Não é hidrofóbico
Não confere carga negativa
Não acelera liberação
Não aumenta captação por macrófagos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o PEG promove hidrofobicidade e aumenta a captação por macrófagos. É o oposto: o PEG é hidrofílico e sua função é justamente reduzir a captação por macrófagos, evitando a opsonização. A hidrofobicidade da superfície facilitaria a agregação e a fagocitose, o que seria prejudicial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o PEG reduz a energia livre de superfície, promovendo interações hidrofóbicas mais intensas com as membranas e acelerando a liberação do fármaco. O PEG, por ser hidrofílico, não promove interações hidrofóbicas; ele cria uma barreira hidrofílica que reduz a adsorção de proteínas e a interação inespecífica com membranas. A liberação do mRNA no citoplasma é mediada pelos lipídios ionizáveis, não pelo PEG.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a matriz lipídica interna é altamente polar e encapsula moléculas hidrofílicas por ligações de hidrogênio. Na verdade, a matriz lipídica é predominantemente apolar (hidrofóbica), e o mRNA, que é hidrofílico e aniônico, é encapsulado por interação eletrostática com os lipídios ionizáveis (que são catiônicos em pH ácido), não por ligações de hidrogênio com fosfolipídios. Além disso, essa encapsulação aumenta a estabilidade, não a reduz.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que o PEG confere carga negativa à superfície, facilitando a interação com o mRNA e promovendo liberação passiva por difusão simples. O PEG é um polímero neutro (não confere carga negativa); a interação com o mRNA é feita pelos lipídios ionizáveis, e a liberação no citoplasma ocorre por mecanismo endossomal (fusão de membranas), não por difusão simples.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a função do PEG: atua como escudo estérico, dificultando a interação com proteínas plasmáticas e evitando a opsonização, o que aumenta o tempo de circulação da nanopartícula. Esse é o mecanismo clássico da peguilação em nanotecnologia farmacêutica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o papel do PEG: em vez de escudo hidrofílico que evita a opsonização, apresenta-o como promotor de hidrofobicidade, agregação e captação por macrófagos. Lembre-se: PEG é hidrofílico, neutro e anti-opsonização — qualquer alternativa que diga o contrário está errada.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre LNPs, associe cada componente à sua função: PEG = superfície (escudo estérico); lipídios ionizáveis = encapsulação do mRNA e liberação endossomal; colesterol = estabilidade da membrana; fosfolipídios = estrutura da bicamada. Se a alternativa atribuir ao PEG uma função que não seja a de escudo estérico, descarte-a.