Questão de Química — Equipamentos e Técnicas Básicas — FUNDATEC 2025
Química›Equipamentos e Técnicas Básicas
Código
qg473461
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Sertão - PE
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico Laboratório - Área Química
A excelência em trabalhos laboratoriais depende não apenas da execução cuidadosa dos procedimentos, mas também da compreensão das fontes de erro e da aplicação de medidas para neutralizá-las. Somente assim é possível obter dados confiáveis, precisos e exatos, essenciais para conclusões científicas sólidas e decisões baseadas em evidências. Sobre erros que podem afetar os resultados de um experimento, analise as assertivas a seguir:I. Os erros podem ser reduzidos ao reconhecer e compreender as prováveis fontes de erro e ao adotar protocolos e procedimentos de cálculo apropriados.II. Uma fonte comum de erro de medição é o descuido, por exemplo, ao ler uma escala na direção incorreta (erro de paralaxe).III. O uso de um reagente fora da validade para a preparação de uma solução que será utilizada em uma prática pode resultar em um erro aleatório.Quais estão corretas?
AApenas I.
BApenas II.
CApenas I e II.
DApenas I e III.
EApenas II e III.
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GabaritoA — Apenas I.
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Erros em medições laboratoriais: sistemáticos, aleatórios e grosseiros
Gabarito: letra A — apenas a assertiva I está correta. A assertiva II descreve o erro de paralaxe, que é um erro sistemático (ou grosseiro, dependendo da classificação), não aleatório; e a assertiva III classifica erroneamente o uso de reagente vencido como erro aleatório, quando se trata de um erro sistemático (ou grosseiro). A distinção entre essas categorias de erro é o núcleo da questão.
A excelência em trabalhos laboratoriais exige o domínio do conceito de erro de medição, que é a diferença entre o valor medido e o valor verdadeiro de uma grandeza. Compreender as fontes de erro e saber classificá-las é fundamental para avaliar a confiabilidade dos resultados e aplicar as correções adequadas. Os erros de medição são tradicionalmente classificados em três grandes categorias: erros grosseiros (ou enganos), erros sistemáticos (ou determinados) e erros aleatórios (ou indeterminados).
Os erros grosseiros são falhas humanas ou operacionais, como ler a escala na direção errada (paralaxe), anotar um valor incorretamente, usar um equipamento descalibrado ou um reagente vencido. Eles são, em princípio, evitáveis e não têm tratamento estatístico — a solução é a atenção e a repetição cuidadosa do procedimento. Já os erros sistemáticos são aqueles que afetam o resultado sempre na mesma direção (por exemplo, uma balança que mede sempre 0,5 g a mais, ou uma vidraria mal calibrada). Eles são constantes ou proporcionais e podem ser detectados e corrigidos por meio de calibração, uso de padrões e brancos. Por fim, os erros aleatórios são flutuações imprevisíveis e incontroláveis que afetam o resultado para mais ou para menos, de forma aleatória, como variações mínimas de temperatura, vibrações ou ruído elétrico. Eles não podem ser eliminados, mas podem ser reduzidos pela repetição das medições e pelo tratamento estatístico (média, desvio padrão).
A assertiva I está correta porque reconhece que a redução de erros passa pelo conhecimento das fontes de erro e pela adoção de protocolos e cálculos apropriados — exatamente o que a metrologia ensina. A assertiva II está incorreta porque o erro de paralaxe é um erro grosseiro (ou, em algumas classificações, sistemático), não aleatório. A assertiva III está incorreta porque o uso de reagente vencido é um erro grosseiro (ou sistemático), não aleatório. A banca explora a confusão entre as categorias de erro, um equívoco comum entre estudantes.
Para fixar, veja a comparação:
Critério
Erro grosseiro
Erro sistemático
Erro aleatório
Causa
Falha humana/operacional
Defeito no instrumento/método
Flutuações imprevisíveis
Direção
Qualquer
Sempre a mesma
Para mais ou para menos
Detecção
Atenção/repetição
Calibração/padrões
Análise estatística
Redução
Evitar/refazer
Corrigir a causa
Repetir medições
Exemplo
Paralaxe, reagente vencido
Balança descalibrada
Vibração, ruído
Guarde essa fronteira entre as três categorias: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Erros de medição: Grosseiros (evitáveis) (Paralaxe (leitura errada), Reagente vencido, Anotação incorreta); Sistemáticos (mesma direção) (Balança descalibrada, Vidraria mal calibrada, Detectados por calibração); Aleatórios (flutuações) (Vibração, Ruído elétrico, Reduzidos por repetição)
Item I — ✅ Correto
A assertiva I afirma que os erros podem ser reduzidos ao reconhecer e compreender as prováveis fontes de erro e ao adotar protocolos e procedimentos de cálculo apropriados. Isso está correto: a metrologia ensina que o primeiro passo para minimizar erros é identificar suas fontes (sejam grosseiras, sistemáticas ou aleatórias) e, em seguida, aplicar as medidas corretivas adequadas — como calibração, uso de padrões, repetição de medições e tratamento estatístico dos dados. É exatamente o que a boa prática laboratorial preconiza.
Item II — ❌ Incorreto
A assertiva II afirma que o descuido ao ler uma escala na direção incorreta (erro de paralaxe) é uma fonte comum de erro de medição. O erro de paralaxe é, de fato, uma fonte comum de erro, mas ele é classificado como erro grosseiro (ou, em algumas classificações, sistemático), não aleatório. O erro aleatório é caracterizado por flutuações imprevisíveis e incontroláveis, enquanto a paralaxe é um engano evitável, decorrente da posição inadequada do observador. Portanto, a assertiva está incorreta por classificar erroneamente o tipo de erro.
Item III — ❌ Incorreto
A assertiva III afirma que o uso de um reagente fora da validade para a preparação de uma solução pode resultar em um erro aleatório. Isso está incorreto: o uso de reagente vencido é um erro grosseiro (ou sistemático), pois é uma falha operacional evitável que afeta o resultado de forma consistente (o reagente degradado altera a concentração da solução de maneira previsível). O erro aleatório, por sua vez, é caracterizado por flutuações imprevisíveis e incontroláveis, como variações mínimas de temperatura ou ruído elétrico. A banca troca a categoria de erro, uma pegadinha clássica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as categorias de erro para confundir. Aqui, ela pega dois exemplos clássicos de erro grosseiro (paralaxe e reagente vencido) e os rotula como erro aleatório. Lembre-se: erro aleatório é flutuação imprevisível (vibração, ruído); erro grosseiro é falha humana evitável (leitura errada, reagente vencido). Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
Gabarito: letra A — apenas a assertiva I está correta.