Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg474010
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Clínica
Sobre as manifestações da doença de Crohn, assinale a alternativa correta.
AA estenose anal é uma complicação rara, acometendo menos de 3% dos pacientes.
BDesde a boca até o ânus, qualquer parte do trato digestivo pode ser afetada, com áreas de intestino normal entre as áreas acometidas.
CDeve-se priorizar a terapia com glicocorticoide a longo prazo como terapia de manutenção dessa doença, mantendo doses entre 30 e 40 mg/dia, mesmo após a remissão clínica.
DO megacolo tóxico é uma complicação frequente, acometendo cerca de 80 a 90% dos pacientes.
ESão muito raras as fístulas nessa doença, em virtude de sua natureza, pois a espessura da inflamação afeta apenas a mucosa.
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GabaritoB — Desde a boca até o ânus, qualquer parte do trato digestivo pode ser afetada, com áreas de intestino normal entre as áreas acometidas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença de Crohn: manifestações clínicas e complicações
Gabarito: letra B. A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode acometer qualquer segmento do trato digestivo, da boca ao ânus, de forma descontínua, com áreas de mucosa normal entre as áreas afetadas — o chamado padrão "em salto" ou "skip lesions". As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes sobre complicações e tratamento.
A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, de causa multifatorial, que envolve predisposição genética, desregulação do sistema imunológico e fatores ambientais. Diferentemente da retocolite ulcerativa, que se limita ao cólon e reto, a doença de Crohn pode afetar todo o trato gastrointestinal, desde a cavidade oral até a região perianal. Essa característica é fundamental para o diagnóstico e para o manejo clínico.
A inflamação na doença de Crohn é transmural, ou seja, atinge todas as camadas da parede intestinal — mucosa, submucosa, muscular e serosa. Isso explica por que as complicações mais temidas são as fístulas, abscessos e estenoses, que ocorrem justamente pela penetração profunda do processo inflamatório. A inflamação transmural também explica o padrão descontínuo: as lesões são segmentares, intercaladas por áreas de intestino macroscopicamente normal.
O tratamento da doença de Crohn é complexo e individualizado. Na fase aguda, utilizam-se corticosteroides para induzir remissão, mas eles não são indicados para manutenção a longo prazo, devido aos efeitos colaterais cumulativos (osteoporose, diabetes, hipertensão, ganho de peso, entre outros). Para manutenção, as opções incluem imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e terapia biológica (anti-TNF, anti-integrinas, anti-interleucinas). O megacolo tóxico, embora seja uma complicação grave e potencialmente fatal, é mais característico da retocolite ulcerativa, sendo raro na doença de Crohn. Já as fístulas são complicações frequentes na doença de Crohn, presentes em até 50% dos pacientes ao longo da evolução da doença, especialmente as perianais.
A estenose anal, por sua vez, é uma complicação que pode ocorrer, mas não é rara a ponto de acometer menos de 3% dos pacientes — na verdade, as estenoses intestinais são comuns na doença de Crohn, ocorrendo em uma parcela significativa dos pacientes, especialmente na forma estenosante da doença. A banca explora justamente a inversão de frequências e a confusão entre as características da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa.
Guarde o critério decisivo: a doença de Crohn é transmural e descontínua (padrão em salto), enquanto a retocolite ulcerativa é mucosa e contínua (acomete o cólon de forma contígua a partir do reto). É exatamente essa distinção que separa as alternativas corretas das incorretas.
Doença de Crohn: Acometimento (Boca ao ânus, Descontínuo (padrão em salto), Inflamação transmural); Complicações (Fístulas (frequentes), Estenoses (comuns), Megacolo tóxico (raro)); Tratamento (Fase aguda: corticoide (indução), Manutenção: imunomodulador/biológico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A estenose anal não é uma complicação rara na doença de Crohn. Na verdade, as estenoses intestinais são complicações comuns, ocorrendo em uma parcela significativa dos pacientes, especialmente na forma estenosante da doença. A banca inverte a frequência: em vez de rara, a estenose é uma complicação relativamente frequente.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, e as lesões são descontínuas, com áreas de intestino normal entre as áreas acometidas — o padrão "em salto" (skip lesions). Essa é uma característica distintiva da doença, que a diferencia da retocolite ulcerativa, que acomete o cólon de forma contínua a partir do reto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os glicocorticoides não são indicados para terapia de manutenção a longo prazo na doença de Crohn. Eles são utilizados para induzir remissão na fase aguda, mas seu uso prolongado está associado a efeitos colaterais significativos. Para manutenção, utilizam-se imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e terapia biológica (anti-TNF, entre outros). A banca troca o papel do corticoide: indução de remissão versus manutenção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O megacolo tóxico é uma complicação grave, mas é mais característico da retocolite ulcerativa, sendo raro na doença de Crohn. A banca inverte a frequência: em vez de raro, afirma que acomete 80-90% dos pacientes, o que é completamente incorreto. O megacolo tóxico é uma emergência médica, com dilatação do cólon e risco de perfuração, mas sua incidência na doença de Crohn é baixa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As fístulas são complicações frequentes na doença de Crohn, não raras. Isso ocorre porque a inflamação é transmural, atingindo todas as camadas da parede intestinal, o que favorece a formação de fístulas, abscessos e estenoses. A banca inverte a frequência e a natureza da inflamação: em vez de transmural, afirma que afeta apenas a mucosa, o que é característico da retocolite ulcerativa, não da doença de Crohn.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as características da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa. Nesta questão, a pegadinha está na alternativa E: afirma que a inflamação afeta apenas a mucosa (característica da retocolite ulcerativa), quando na doença de Crohn a inflamação é transmural. Fique atento a essa troca clássica.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar doença de Crohn de retocolite ulcerativa, lembre-se: Crohn é transmural e descontínua (padrão em salto), enquanto retocolite é mucosa e contínua. Essa distinção é a chave para muitas questões de gastroenterologia.