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Questão de Medicina — Intoxicações Exógenas — FUNDATEC 2025

MedicinaIntoxicações Exógenas
Código
qg474014
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Clínica
Em relação aos aspectos pertinentes à intoxicação por arsênio e/ou seus compostos tóxicos que podem gerar urgências e emergências clínicas, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AA intoxicação aguda ocorre mais comumente após ingestão acidental.
  2. BÀ ingestão de água de poços artesianos que pode estar contaminada por arsênio inorgânico a partir de depósitos geológicos naturais.
  3. CA doença de Bowen tem relação com a exposição aguda ao arsênio, causando efeitos gastrointestinais cerca de uma a três horas após ingestão.
  4. DA maioria dos casos de intoxicação deve-se ao óxido arsenioso (As₂O₃).
  5. EA arsina, uma forma tóxica do arsênio, é um gás com potente ação hemolítica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A doença de Bowen tem relação com a exposição aguda ao arsênio, causando efeitos gastrointestinais cerca de uma a três horas após ingestão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intoxicação por Arsênio: Aspectos Clínicos e Toxicológicos

Gabarito: letra C. A alternativa incorreta é a que associa a doença de Bowen à exposição aguda ao arsênio com efeitos gastrointestinais em 1 a 3 horas. Na verdade, a doença de Bowen é uma manifestação dermatológica de exposição crônica ao arsênio, e os efeitos gastrointestinais agudos (náuseas, vômitos, diarreia) ocorrem minutos a horas após a ingestão, mas não são a manifestação característica da doença de Bowen. As demais alternativas estão corretas quanto aos aspectos epidemiológicos, fontes de exposição, forma química mais comum e toxicidade da arsina.

A intoxicação por arsênio é um tema relevante em emergências clínicas, pois pode se apresentar de forma aguda ou crônica, com quadros que variam desde sintomas gastrointestinais até manifestações neurológicas, dermatológicas e hematológicas graves. O arsênio é um metaloide amplamente distribuído na natureza, presente em compostos inorgânicos e orgânicos, e sua toxicidade depende da forma química, da via de exposição e da dose. A exposição aguda geralmente ocorre por ingestão acidental ou intencional de compostos arsenicais, enquanto a exposição crônica está associada ao consumo de água contaminada por arsênio inorgânico de origem geológica natural, como em poços artesianos.

O óxido arsenioso (As₂O₃), também conhecido como trióxido de arsênio, é a forma mais comum envolvida em intoxicações, sendo um componente de raticidas e outros produtos. A arsina (AsH₃), por sua vez, é um gás incolor, inodoro e altamente tóxico, com potente ação hemolítica, capaz de causar anemia hemolítica aguda, icterícia, dor abdominal e insuficiência renal aguda. A exposição à arsina ocorre principalmente em ambientes industriais, durante a manipulação de metais contaminados com arsênio em presença de ácidos.

A doença de Bowen é um carcinoma in situ de células escamosas, que se manifesta como placas eritematosas e escamosas na pele. Sua associação com o arsênio é bem estabelecida, mas como consequência de exposição crônica, não aguda. A exposição crônica ao arsênio também pode causar hiperpigmentação, hiperqueratose palmo-plantar, lesões cutâneas pré-malignas e malignas, além de neuropatia periférica, doença vascular periférica e aumento do risco de neoplasias internas. A confusão entre os efeitos agudos e crônicos é uma armadilha clássica em questões sobre toxicologia do arsênio.

Na intoxicação aguda, os sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, diarreia aquosa, dor abdominal) são proeminentes e podem surgir em minutos a horas após a ingestão, acompanhados de hipotensão, taquicardia, choque e disfunção miocárdica. A diarreia pode ser descrita como "água de arroz", semelhante ao cólera. Já na exposição crônica, os efeitos são mais insidiosos e envolvem principalmente a pele, o sistema nervoso periférico e o sistema cardiovascular. A distinção entre os quadros agudo e crônico é fundamental para o diagnóstico e manejo adequados.

A banca explora exatamente essa confusão entre os efeitos agudos e crônicos do arsênio. A alternativa C mistura a doença de Bowen (crônica) com o quadro gastrointestinal agudo, criando uma assertiva incorreta. As demais alternativas descrevem corretamente aspectos epidemiológicos, fontes de exposição, forma química mais comum e toxicidade da arsina. Para resolver a questão, é essencial dominar as manifestações clínicas da intoxicação aguda e crônica, bem como as principais formas químicas do arsênio e suas fontes de exposição.

Intoxicação por arsênio
  • 1Exposição aguda
    • Ingestão acidental (via oral)
    • Sintomas gastrointestinais (minutos a horas)
    • Óxido arsenioso (As₂O₃) — forma comum
  • 2Exposição crônica
    • Água de poço contaminada (origem geológica)
    • Doença de Bowen (carcinoma in situ)
    • Hiperqueratose, hiperpigmentação
  • 3Arsina (AsH₃)
    • Gás inalado (ambiente industrial)
    • Potente ação hemolítica
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Alternativa A — ✅ Correta

A intoxicação aguda por arsênio ocorre mais comumente após ingestão acidental, especialmente em crianças, ou intencional (tentativa de suicídio). A via oral é a principal porta de entrada para compostos arsenicais inorgânicos, como o óxido arsenioso, presente em raticidas e outros produtos. A alternativa está correta ao afirmar que a ingestão acidental é a causa mais frequente de intoxicação aguda.

Alternativa B — ✅ Correta

A ingestão de água de poços artesianos contaminada por arsênio inorgânico é uma importante fonte de exposição crônica, especialmente em regiões com depósitos geológicos naturais de arsênio. A contaminação natural de aquíferos é um problema de saúde pública em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. A alternativa está correta ao descrever essa via de exposição.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A doença de Bowen é uma manifestação dermatológica de exposição crônica ao arsênio, não aguda. A alternativa erra ao associar a doença de Bowen à exposição aguda e aos efeitos gastrointestinais em 1 a 3 horas. Os efeitos gastrointestinais agudos ocorrem na intoxicação aguda, mas não são a manifestação da doença de Bowen, que é uma lesão cutânea pré-maligna. A banca inverte o caráter temporal da exposição (aguda vs. crônica) e mistura manifestações de diferentes fases da intoxicação.

Alternativa D — ✅ Correta

O óxido arsenioso (As₂O₃) é a forma química mais comum envolvida em intoxicações por arsênio, sendo um componente de raticidas, inseticidas e outros produtos. A maioria dos casos de intoxicação aguda e crônica está relacionada à exposição a compostos inorgânicos trivalentes, como o As₂O₃. A alternativa está correta.

Alternativa E — ✅ Correta

A arsina (AsH₃) é um gás incolor, inodoro e altamente tóxico, com potente ação hemolítica. A inalação de arsina causa anemia hemolítica aguda, com liberação de hemoglobina, icterícia, dor abdominal e insuficiência renal aguda por hemoglobinúria. A alternativa está correta ao descrever a arsina como um gás com potente ação hemolítica.

A questão aborda um tema específico da toxicologia clínica, cobrando o conhecimento das manifestações agudas e crônicas da intoxicação por arsênio, bem como as principais formas químicas e fontes de exposição. A pegadinha está na inversão do caráter temporal da doença de Bowen, que é uma manifestação crônica, não aguda. Para acertar questões como esta, é fundamental estudar as diferenças entre intoxicação aguda e crônica por arsênio, incluindo os sinais e sintomas característicos de cada fase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o caráter temporal da exposição ao arsênio. A doença de Bowen é uma manifestação de exposição crônica, não aguda. O candidato que confunde os efeitos agudos (gastrointestinais) com os crônicos (dermatológicos) cai na alternativa C. Lembre-se: agudo = minutos a horas, sintomas gastrointestinais e cardiovasculares; crônico = meses a anos, sintomas dermatológicos, neurológicos e vasculares.

Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois associa a doença de Bowen à exposição aguda ao arsênio, quando na verdade é uma manifestação de exposição crônica.

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