Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FUNDATEC 2025
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
qg474379
Banca
FUNDATEC
Órgão
IGP-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Perito Criminal
Sobre os fenômenos cadavéricos e a cronotanatognose, assinale a alternativa correta.
ATendo em vista os processos que dão origem a cada fenômeno transformativo destrutivo, aquele que ocorre de forma inteiramente anaeróbica é a formação da massa de putrilagem na fase coliquativa.
BPor incapacidade de realizar respiração aeróbica, e por conseguinte renovação de ATP, as células musculares ficam estagnadas, não mais deslizam entre si, determinando a rigidez cadavérica. Por falta de oxigênio, a rigidez é tardia e mais prolongada nas asfixias.
CO exame do conteúdo estomacal e do humor vítreo pode contribuir para a determinação de um intervalo pós-morte mais preciso.
DAs primeiras legiões de insetos chegam ao cadáver no início da fase gasosa.
EA mancha verde abdominal marca o início da fase gasosa, seguida pela formação da circulação póstuma.
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GabaritoC — O exame do conteúdo estomacal e do humor vítreo pode contribuir para a determinação de um intervalo pós-morte mais preciso.
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Fenômenos Cadavéricos e Cronotanatognose
Gabarito: letra C. A cronotanatognose (determinação do intervalo pós-morte) utiliza, entre outros métodos, a análise do conteúdo estomacal (digestão) e do humor vítreo (aumento do potássio), que oferecem estimativas mais precisas quando combinados. As demais alternativas contêm imprecisões sobre a fisiologia da putrefação, do rigor mortis e da atuação de insetos.
1Autólise (anaeróbica)
2Fase gasosa (mancha verde)
3Fase coliquativa (massa de putrilagem)
4Esqueletização
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A putrefação é um processo predominantemente anaeróbio, mas a autólise (digestão enzimática celular) também é anaeróbica em sua essência. A afirmação de que a formação da massa de putrilagem na fase coliquativa é "inteiramente anaeróbica" é genérica e ignora que a autólise ocorre antes da putrefação e também não requer oxigênio. O erro está em sugerir que apenas a fase coliquativa seria anaeróbica, quando todo o processo destrutivo é essencialmente anaeróbio. Além disso, a massa de putrilagem é o resultado final da liquefação tecidual, não um fenômeno isolado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A descrição da rigidez cadavérica (rigor mortis) está correta quanto à diminuição de ATP e à imobilidade das células musculares. Porém, a afirmação de que "nas asfixias a rigidez é tardia e mais prolongada" é equivocada. Na prática forense, nas asfixias mecânicas (como estrangulamento ou enforcamento), o rigor geralmente instala-se mais precocemente devido ao intenso esforço muscular durante a agonia, que acelera o consumo de ATP. Além disso, a duração do rigor depende de vários fatores, não sendo necessariamente prolongado em asfixias.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O exame do conteúdo estomacal (avaliação do grau de digestão dos alimentos) e do humor vítreo (dosagem de potássio, que aumenta gradualmente após a morte) são técnicas consagradas na cronotanatognose. Embora isoladamente tenham limitações, quando usados em conjunto e associados a outros fatores (como a temperatura corporal), contribuem para uma estimativa mais precisa do tempo decorrido desde o óbito. É o que os peritos legistas utilizam rotineiramente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As primeiras legiões de insetos (principalmente dípteras como moscas-varejeiras) chegam ao cadáver ainda na fase fresca, minutos ou poucas horas após a morte, atraídas pelos odores iniciais. Elas depositam ovos nas aberturas naturais. A fase gasosa (ou de putrefação) ocorre dias depois, quando já há larvas em desenvolvimento. Portanto, insetos não chegam no início da fase gasosa; eles já estavam presentes desde o início.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A mancha verde abdominal (no quadrante inferior direito) é o primeiro sinal de putrefação, marcando o início da fase cromogênica (ou de coloração), que antecede a fase gasosa. A circulação póstuma (rede venosa visível pela pele) surge na fase gasosa, mas o enunciado inverte a ordem: primeiro surge a mancha verde, depois a fase gasosa com a circulação póstuma. A sequência apresentada está correta quanto ao fenômeno, mas a mancha verde não marca o "início da fase gasosa", e sim o início da putrefação como um todo (que inclui a fase cromogênica e depois a gasosa). Por isso, a assertiva é imprecisa.