Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FUNDATEC 2025
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
qg474380
Banca
FUNDATEC
Órgão
IGP-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Perito Criminal
A definição sobre a vitalidade das lesões no cadáver tem importância relevante para a Medicina Legal. Sobre o tema, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) Soluções de continuidade em que se observa ausência de exsudação (serosidade) e formação de uma placa amarelada, ressecada e com consistência firme (apergaminhada) após arrancamento da epiderme caracterizam lesões pós-morte, equivalentes à escoriação.( ) A presença do sinal de Montalti (fuligem na árvore respiratória) é considerada uma evidência robusta de que as lesões por calor ocorreram enquanto o indivíduo ainda tinha sinais vitais.( ) A localização das lesões no corpo também pode auxiliar no estabelecimento de lesões in vitam/ post mortem. Por exemplo, ferimentos no dorso das mãos ou antebraços (lesões de defesa) é um critério suficiente para determinar a vitalidade do evento.( ) Nas lesões que ocorrem no período de incerteza diagnóstica, ou seja, imediatamente antes ou logo após a morte, recomenda-se a utilização de marcadores bioquímicos: níveis de catepsinas A e D, serotonina, histamina. Sua elevação ocorre nas lesões ocorridas in vitam, mesmo que pouco tempo antes da morte (mesmo antes de 1 hora).( ) A bossa linfática pode ocorrer tanto em vida quanto no pós-morte. Em vida, ela decorre de elementos dinâmicos relacionados à pressão intravascular e ao extravasamento da linfa. No pós-morte, ocorre devido à ação da gravidade. Esses mecanismos de formação auxiliam na diferenciação entre elas, já que no cadáver a bossa linfática será mais volumosa e observada nas regiões de declive, originadas pela força da gravidade e pela movimentação do cadáver.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
AV – V – F – V – F.
BV – F – V – F – V.
CF – F – F – V – V.
DF – V – V – F – F.
EV – F – F – F – V.
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GabaritoA — V – V – F – V – F.
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Tanatologia Forense – Vitalidade das Lesões
Gabarito: A (V – V – F – V – F). A sequência correta é: 1ª verdadeira (escoriação pós-morte forma placa apergaminhada sem exsudação), 2ª verdadeira (sinal de Montalti indica respiração durante o incêndio), 3ª falsa (lesões de defesa são indício, mas não critério suficiente), 4ª verdadeira (marcadores bioquímicos auxiliam no período de incerteza), 5ª falsa (bossa linfática não ocorre post mortem por gravidade; confunde-se com livor mortis).
A questão avalia a capacidade de distinguir lesões vitais das post mortem por meio de características morfológicas, sinais específicos e recursos laboratoriais.
1ª assertiva — ✅ Verdadeira
Escoriações (soluções de continuidade por arrancamento da epiderme) em vida apresentam exsudação (serosidade) e formação de crosta. Após a morte, a ausência de reação vital leva ao ressecamento e formação de uma placa amarelada, firme e apergaminhada. A descrição corresponde exatamente à escoriação pós-morte.
2ª assertiva — ✅ Verdadeira
O sinal de Montalti consiste na presença de fuligem (partículas de carbono) nas vias aéreas inferiores (árvore respiratória), indicando que a vítima estava respirando durante a exposição ao calor. É considerado evidência robusta de vitalidade em lesões por calor.
3ª assertiva — ❌ Falsa
Lesões de defesa (dorso das mãos, antebraços) são fortemente sugestivas de que a vítima estava viva e consciente. Contudo, o enunciado afirma ser um "critério suficiente", o que é incorreto: outros sinais (infiltração hemorrágica, retração tecidual, reação inflamatória) são necessários para certeza. As lesões de defesa são indício, não prova isolada.
4ª assertiva — ✅ Verdadeira
No período de incerteza diagnóstica (iminência ou logo após a morte), marcadores bioquímicos como catepsinas A e D, serotonina e histamina podem ser dosados. Sua elevação indica que a lesão ocorreu in vitam, mesmo em intervalo inferior a 1 hora. É método complementar aceito na literatura médico-legal.
5ª assertiva — ❌ Falsa
A bossa linfática é uma tumefação por acúmulo de linfa, típica de lesões vitais. No cadáver, não há bossa linfática verdadeira; o que ocorre é o livor mortis (hipostase cadavérica), decorrente da ação da gravidade sobre o sangue. A descrição dada — "mais volumosa e nas regiões de declive" — corresponde ao livor, e a afirmação de que bossa linfática pode ser pós-morte é equivocada.
Assertiva
Descrição
V/F
Justificativa
1ª
Soluções de continuidade com ausência de exsudação e placa apergaminhada caracterizam escoriação pós-morte
V
Após a morte, não há reação vital; o ressecamento forma placa amarelada e firme, sem exsudação.
2ª
Sinal de Montalti (fuligem na árvore respiratória) é evidência robusta de lesões por calor in vitam
V
A presença de fuligem nas vias aéreas inferiores indica que a vítima respirava durante o incêndio.
3ª
Lesões de defesa (dorso das mãos/antebraços) são critério suficiente para vitalidade
F
São indício, mas não critério isolado; outros sinais (infiltração hemorrágica, retração tecidual) são necessários.
4ª
Marcadores bioquímicos (catepsinas, serotonina, histamina) auxiliam no período de incerteza
V
A elevação desses marcadores indica lesão in vitam, mesmo em intervalo inferior a 1 hora.
5ª
Bossa linfática ocorre post mortem por gravidade
F
Bossa linfática é típica de lesões vitais; no cadáver, o fenômeno é livor mortis, não bossa linfática.
Vitalidade das lesões: Escoriação pós-morte (Ausência de exsudação, Placa apergaminhada); Sinal de Montalti (Fuligem na árvore respiratória, Evidência de respiração); Lesões de defesa (Indício de vitalidade, Critério insuficiente); Marcadores bioquímicos (Catepsinas A e D, Serotonina e histamina); Bossa linfática (Lesão vital, Não ocorre post mortem)
NÃO CAIA NESSA!
A banca usa o termo "critério suficiente" na 3ª para exagerar o valor das lesões de defesa, e na 5ª troca bossa linfática por livor mortis — duas armadilhas clássicas em vitalidade.
Conclusão: a sequência V – V – F – V – F corresponde à alternativa A.