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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg475329
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Aratiba - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico
Mulher, 43 anos, chega em consulta referindo massa no pescoço durante o autoexame. Ao exame físico, palpa-se um nódulo perto do lobo direito da tireoide. Assintomática, nega histórico de exposição à radiação ionizante e não possui histórico familiar de doenças tireoidianas. O ultrassom de tireoide revela um nódulo sólido-cístico de 2 cm, com margens irregulares, microcalcificações e ausência de halo periférico. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para esse caso.
  1. ASolicitar dosagem de TSH e acompanhamento ultrassonográfico semestral.
  2. BSolicitar tomografia computadorizada do pescoço para avaliar extensão.
  3. CRealizar punção aspirativa por agulha fina (PAAF) do nódulo.
  4. DRealizar cintilografia da tireoide para avaliar captação.
  5. EIniciar levotiroxina para supressão hormonal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Realizar punção aspirativa por agulha fina (PAAF) do nódulo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nódulo tireoidiano: quando indicar a PAAF

Gabarito: letra C. O nódulo descrito — sólido-cístico de 2 cm, com margens irregulares, microcalcificações e ausência de halo periférico — apresenta características ultrassonográficas de alta suspeita para malignidade, o que indica a realização de punção aspirativa por agulha fina (PAAF) como conduta mais adequada. A indicação da PAAF segue o sistema TI-RADS do American College of Radiology (ACR), que pontua exatamente as características descritas no enunciado.

A doença nodular tireoidiana é extremamente comum — nódulos são encontrados à palpação em cerca de 5% das mulheres e 1% dos homens, e em 19 a 67% dos casos quando se utiliza a ultrassonografia. A principal preocupação diante de um nódulo é a possibilidade de neoplasia maligna, e é justamente para estratificar esse risco que existem sistemas de classificação ultrassonográfica como o TI-RADS. O sistema ACR TI-RADS pontua cinco categorias ultrassonográficas: composição, ecogenicidade, forma, margem e focos ecogênicos. No caso apresentado, temos: composição sólido-cística (pontua 1-2 pontos), margens irregulares (2 pontos), microcalcificações (3 pontos) e ausência de halo periférico — que, na verdade, é um achado que sugere malignidade, pois o halo hipoecoico periférico íntegro é característico de nódulos benignos. Somando-se a isso o tamanho de 2 cm, o nódulo se enquadra em uma categoria de alto risco (TI-RADS 4 ou 5), com indicação formal de PAAF.

A PAAF é o exame mais importante para diferenciar nódulos benignos de malignos, pois é um método seguro, eficiente e pouco traumático, que possibilita o diagnóstico citológico de carcinoma papilífero, medular e anaplásico, além de doenças benignas como tireoidite de Hashimoto e bócio coloide. O resultado é classificado pelo Sistema Bethesda, que correlaciona a categoria diagnóstica com o risco de malignidade — desde 0-3% para lesões benignas até 97-99% para lesões malignas. É importante destacar que a PAAF não possibilita o diagnóstico de carcinoma folicular, pois suas características citológicas não diferem das apresentadas por adenomas tireoidianos — essa diferenciação só é possível pelo estudo anatomopatológico da cápsula do nódulo.

A conduta para nódulos tireoidianos segue um fluxo bem definido: todos os pacientes com nódulo identificado devem realizar US para caracterização e dosagem de TSH. Se o TSH estiver abaixo do limite de referência, sugere-se cintilografia para avaliar se o nódulo é hiperfuncionante (nódulo "quente") — o achado de nódulo hiperfuncionante praticamente afasta a possibilidade de neoplasia maligna. Se o TSH estiver normal ou elevado, parte-se para a estratificação de risco pela US e definição da necessidade de PAAF. No caso da paciente, não há informação sobre TSH, mas as características ultrassonográficas já são suficientes para indicar a punção, independentemente do valor do TSH.

A pegadinha desta questão está em confundir a indicação de cintilografia (que só se aplica quando há TSH suprimido, para avaliar nódulo hiperfuncionante) com a conduta para nódulo com características suspeitas à US. A cintilografia não tem papel na avaliação de nódulo com TSH normal ou elevado, e muito menos quando há características de alto risco à US. Da mesma forma, a tomografia computadorizada não é o método de escolha para avaliação inicial de nódulo tireoidiano — a US é o exame de primeira linha, com sensibilidade de quase 100%. E a levotiroxina para supressão hormonal não é mais recomendada para redução de nódulos em pacientes eutireoidianos, pois a regressão é improvável.

Guarde o fluxo: TSH baixo → cintilografia; TSH normal/elevado + nódulo com características suspeitas → PAAF. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

  1. 1US + TSH
  2. 2TSH baixo?
  3. 3Cintilografia (nódulo quente)
  4. 4TSH normal/elevado
  5. 5Estratificar risco (TI-RADS)
  6. 6PAAF se critérios
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Solicitar TSH é parte da avaliação inicial correta, mas o acompanhamento ultrassonográfico semestral não é adequado para um nódulo com características de alto risco. O nódulo descrito (margens irregulares, microcalcificações, ausência de halo) tem indicação formal de PAAF, e não de observação. Além disso, o comitê ACR TI-RADS recomenda que o exame não seja repetido em intervalos menores que 12 meses, exceto em caso de câncer — o acompanhamento semestral seria excessivo mesmo para nódulos de baixo risco.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada não é o método de escolha para avaliação inicial de nódulo tireoidiano. A ultrassonografia é o exame de primeira linha, com sensibilidade de quase 100%, custo relativamente baixo, fácil execução e ausência de riscos. A TC pode ter papel em casos selecionados, como na avaliação de extensão de doença maligna já diagnosticada ou de invasão de estruturas adjacentes, mas não na propedêutica inicial de um nódulo — nesse contexto, o exame correto é a US, seguida de PAAF se indicada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A PAAF é a conduta mais adequada para este nódulo. As características ultrassonográficas — sólido-cístico de 2 cm, margens irregulares, microcalcificações e ausência de halo periférico — são marcadores de alto risco para malignidade. Pelo sistema ACR TI-RADS, margens irregulares pontuam 2 pontos e microcalcificações pontuam 3 pontos, o que coloca o nódulo em categoria de risco intermediário-alto (TI-RADS 4 ou 5). Para nódulos TI-RADS 4 com mais de 1,5 cm ou TI-RADS 5 com mais de 1 cm, a PAAF é formalmente indicada — e este nódulo tem 2 cm. A PAAF é o exame mais importante para diferenciar nódulos benignos de malignos, sendo segura, eficiente e pouco traumática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A cintilografia da tireoide só está indicada quando o TSH está abaixo do limite de referência, para avaliar se o nódulo é hiperfuncionante (nódulo "quente"). O achado de nódulo hiperfuncionante praticamente afasta a possibilidade de neoplasia maligna. No caso apresentado, não há informação de TSH suprimido, e as características ultrassonográficas já indicam alto risco de malignidade — a cintilografia não tem papel nesse cenário e não substitui a PAAF. Além disso, a incidência de neoplasia maligna em nódulos hiperfuncionantes é rara, não havendo indicação de punção nesses casos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A levotiroxina para supressão hormonal não é mais recomendada para redução de nódulos em pacientes eutireoidianos. A regressão com levotiroxina é improvável, e a supressão do TSH não é uma estratégia terapêutica válida para nódulos com características suspeitas. O tratamento com levotiroxina está indicado apenas para pacientes com hipotireoidismo confirmado, o que não é o caso descrito. Além disso, iniciar supressão hormonal sem diagnóstico citológico seria um erro grave, pois poderia mascarar a evolução de uma neoplasia maligna.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a indicação de cintilografia (que só se aplica quando o TSH está suprimido, para avaliar nódulo hiperfuncionante) e a conduta para nódulo com características suspeitas à US. O candidato que decora o fluxo "TSH baixo → cintilografia" sem entender o porquê pode marcar a alternativa D, mas aqui o TSH não está suprimido e as características ultrassonográficas já indicam alto risco — o que manda é a PAAF. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de nódulo tireoidiano, monte o fluxo mental: TSH baixo → cintilografia (nódulo quente afasta malignidade); TSH normal/elevado → estratificar risco pela US (TI-RADS) → PAAF se critérios de tamanho e pontuação. Decore os pontos do TI-RADS: composição, ecogenicidade, forma, margem e focos ecogênicos — e os limiares de tamanho para PAAF (TR3 > 2,5 cm; TR4 > 1,5 cm; TR5 > 1 cm).

Gabarito: letra C — a PAAF é a conduta mais adequada para nódulo com características ultrassonográficas de alto risco para malignidade.

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