Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Epidemiologia
Código
qg475337
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Aratiba - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I
Sobre as medidas de frequência em epidemiologia, assinale a alternativa correta.
AA incidência acumulada refere-se à probabilidade de um indivíduo desenvolver uma doença em um período de tempo.
BA prevalência considera apenas os novos casos de uma doença em um intervalo de tempo.
CA densidade de incidência não leva em consideração o tempo de observação dos indivíduos.
DA prevalência é mais útil que a incidência para avaliar a eficácia de intervenções preventivas.
EIncidência e prevalência têm a mesma aplicação prática no estudo das doenças crônicas.
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GabaritoA — A incidência acumulada refere-se à probabilidade de um indivíduo desenvolver uma doença em um período de tempo.
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Medidas de frequência em epidemiologia: incidência e prevalência
Gabarito: letra A. A incidência acumulada é, de fato, a probabilidade de um indivíduo desenvolver uma doença em um período de tempo, pois mede a proporção de casos novos em uma população sob risco durante um intervalo definido. As demais alternativas distorcem conceitos fundamentais: a prevalência considera casos existentes (novos e antigos), a densidade de incidência incorpora o tempo de observação, e a incidência é a medida mais adequada para avaliar intervenções preventivas.
A epidemiologia trabalha com duas grandes famílias de medidas de frequência: as de incidência e as de prevalência. A incidência mede a velocidade com que novos casos surgem em uma população sob risco, sendo essencial para estudar a etiologia das doenças e avaliar intervenções preventivas. A prevalência, por sua vez, mede a proporção de casos existentes (novos e antigos) em um determinado momento ou período, sendo útil para dimensionar a carga de uma doença na população e planejar serviços de saúde.
A incidência acumulada é uma medida de risco: calcula-se dividindo o número de casos novos pelo número de pessoas sob risco no início do período, sem considerar o tempo individual de observação. Ela expressa a probabilidade média de um indivíduo desenvolver a doença naquele intervalo. Já a densidade de incidência (ou taxa de incidência) incorpora o tempo de observação de cada pessoa, usando como denominador a soma dos tempos de exposição (pessoa-tempo), sendo mais precisa quando o acompanhamento é desigual.
A prevalência é um retrato da situação: mede a proporção de casos existentes (novos e antigos) em um ponto no tempo (prevalência pontual) ou em um período (prevalência de período). Ela é influenciada pela incidência e pela duração da doença: se uma doença tem longa duração, a prevalência tende a ser alta mesmo com incidência baixa. Por isso, a prevalência é útil para planejamento de serviços, mas não para avaliar eficácia de intervenções preventivas — para isso, a incidência é a medida adequada, pois reflete diretamente a ocorrência de novos casos.
A distinção central que separa as alternativas é: incidência = casos novos (dinâmica da doença), prevalência = casos existentes (estoque da doença). A banca explora exatamente essa confusão, trocando os conceitos e suas aplicações. Guarde essa fronteira: é nela que as alternativas se dividem.
Medidas de frequência
1Incidência (casos novos)
Incidência acumulada
Probabilidade de adoecer
Sem tempo individual
Densidade de incidência
Pessoa-tempo
Acompanhamento desigual
2Prevalência (casos existentes)
Novos e antigos
Influenciada pela duração
Planejamento de serviços
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A incidência acumulada é definida como a proporção de casos novos de uma doença em uma população sob risco durante um período específico. Ela representa a probabilidade de um indivíduo desenvolver a doença naquele intervalo, assumindo que todos estão sob risco no início do período. É uma medida de risco, sem unidade (proporção), e seu valor varia de 0 a 1 (ou 0 a 100%).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A prevalência não considera apenas os novos casos; ela considera todos os casos existentes (novos e antigos) em um determinado momento ou período. A alternativa confunde prevalência com incidência. Enquanto a incidência mede casos novos, a prevalência mede o estoque de casos, incluindo aqueles que já existiam antes do período de observação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A densidade de incidência leva sim em consideração o tempo de observação dos indivíduos. Seu denominador é a soma dos tempos de exposição (pessoa-tempo), o que a torna mais precisa que a incidência acumulada quando o acompanhamento é desigual. A alternativa inverte o conceito: a densidade de incidência é justamente a medida que incorpora o tempo individual de observação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A incidência é mais útil que a prevalência para avaliar a eficácia de intervenções preventivas, pois mede diretamente a ocorrência de novos casos. A prevalência é influenciada pela duração da doença e pela incidência, o que a torna inadequada para avaliar intervenções preventivas — uma intervenção que aumenta a sobrevida pode até aumentar a prevalência, sem refletir prevenção. A alternativa inverte a aplicação correta das medidas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Incidência e prevalência não têm a mesma aplicação prática. Em doenças crônicas, a incidência é usada para estudar fatores de risco e avaliar prevenção, enquanto a prevalência é usada para dimensionar a carga da doença e planejar serviços. São medidas complementares, mas com aplicações distintas. A alternativa ignora essa diferença fundamental.