Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg475511
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cerro Grande - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um adolescente de 14 anos, com diagnóstico de anemia falciforme, apresenta dor intensa em membros inferiores há 2 dias. Ele não tem febre e não há sinais de infecção. Hemograma revela Hb de 7,2 g/dL, sem alterações significativas em relação ao seu estado basal. Considerando se tratar de um caso de crise de dor vaso-oclusiva, qual é o manejo mais indicado nesse momento?
ATransfusão sanguínea para elevar os níveis de hemoglobina.
BPrescrição de ácido fólico para reduzir a hemólise.
CAntibioticoterapia empírica devido ao risco elevado de infecção.
DAnalgesia eficaz e rápida, preferencialmente dentro de uma hora após a chegada ao serviço de emergência.
EInício de terapia com hidroxiureia imediatamente para prevenir crises futuras.
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GabaritoD — Analgesia eficaz e rápida, preferencialmente dentro de uma hora após a chegada ao serviço de emergência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crise vaso-oclusiva na anemia falciforme: manejo agudo
Gabarito: letra D. Em crise de dor vaso-oclusiva, o manejo imediato é analgesia eficaz e rápida, preferencialmente dentro de uma hora após a chegada ao serviço de emergência. A dor é a manifestação central da crise, e o alívio precoce é prioridade, conforme as diretrizes de manejo da doença falciforme. As demais alternativas não são indicadas neste momento: transfusão não é rotina na crise não complicada, ácido fólico não trata a crise aguda, antibiótico só com foco infeccioso e hidroxiureia é prevenção de longo prazo, não tratamento da crise.
A anemia falciforme é uma doença autossômica recessiva causada por uma mutação no gene da β-globina, resultando na hemoglobina S. Essa hemoglobina anormal polimeriza sob condições de estresse como hipoxemia, acidose e desidratação, deformando as hemácias em formato de foice. Essas células rígidas obstruem a microcirculação, causando isquemia tecidual e dor intensa — a chamada crise vaso-oclusiva (CVO). A dor é tipicamente intensa, durando de 4 a 6 dias, e pode acometer ossos, tórax, abdome e membros.
O manejo da CVO aguda tem como pilares: avaliação e analgesia precoces, hidratação adequada, identificação de fatores precipitantes (infecção, desidratação, estresse) e monitorização de complicações como a síndrome torácica aguda (STA). A dor deve ser graduada com escala numérica de 0 a 10, e opioides potentes são indicados para dor ≥ 8. A analgesia deve ser iniciada o mais rápido possível — idealmente na primeira hora — pois o controle precoce da dor reduz o sofrimento e pode encurtar a duração da crise.
A transfusão sanguínea não é indicada de rotina na CVO não complicada. Ela é reservada para situações específicas como AVC, síndrome torácica aguda grave, sequestro esplênico, priapismo refratário ou preparo pré-operatório. No caso do enunciado, a Hb de 7,2 g/dL é compatível com o basal do paciente (que varia de 6 a 9 g/dL na HbSS), e não há indicação de transfusão apenas para "elevar a hemoglobina". O ácido fólico é usado cronicamente para suprir a demanda aumentada da eritropoiese, mas não tem papel na crise aguda. Antibioticoterapia empírica só se houver suspeita de infecção — o paciente está afebril e sem sinais infecciosos. A hidroxiureia é a principal terapia modificadora da doença, reduzindo a frequência de crises, mas é uma estratégia de prevenção de longo prazo, não um tratamento da crise instalada.
A pegadinha central desta questão é confundir o manejo da crise aguda com as estratégias de prevenção ou com intervenções para outras complicações. O candidato que sabe que a prioridade na CVO é a analgesia precoce acerta; o que pensa em "tratar a anemia" ou "prevenir futuras crises" erra. Guarde o princípio: na crise aguda, trata-se a dor; na prevenção, usa-se hidroxiureia; na complicação específica, a intervenção específica.
1Avaliar dor (escala 0-10)
2[+] Analgesia precoce (1ª hora)
3Hidratação adequada
4Identificar fatores precipitantes
5Monitorar complicações (STA)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A transfusão sanguínea não é indicada para elevar a hemoglobina na CVO não complicada. A Hb de 7,2 g/dL está dentro do basal esperado para HbSS (6–9 g/dL). Transfusão é reservada para complicações como AVC, STA grave, sequestro esplênico ou preparo cirúrgico. Transfundir sem indicação aumenta risco de aloimunização e hiperviscosidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O ácido fólico é suplementação crônica para compensar o aumento da eritropoiese na anemia hemolítica, mas não tem efeito na crise vaso-oclusiva aguda. Não reduz a hemólise nem alivia a dor. É medida de manutenção, não de tratamento da crise.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Antibioticoterapia empírica não está indicada sem sinais de infecção. O paciente está afebril e sem foco infeccioso. Embora haja risco elevado de infecção por asplenia funcional (principalmente por pneumococo), antibiótico só se inicia com suspeita clínica ou na síndrome torácica aguda, onde a cobertura empírica é recomendada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A analgesia eficaz e rápida é o manejo de primeira linha na crise vaso-oclusiva. A dor deve ser avaliada com escala e tratada precocemente, com opioides se necessário (dor ≥ 8). O alívio dentro da primeira hora é meta recomendada pelas diretrizes, pois melhora o desfecho e reduz o sofrimento. Hidratação e identificação de precipitantes complementam o manejo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hidroxiureia é a principal terapia modificadora da doença, reduzindo a frequência de crises vaso-oclusivas e de síndrome torácica aguda. Porém, é uma estratégia de prevenção de longo prazo, não um tratamento da crise aguda instalada. Iniciá-la "imediatamente" durante a crise não é o manejo indicado; o início deve ser planejado ambulatorialmente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura o tratamento da crise aguda com as estratégias de prevenção e com intervenções para outras complicações. A alternativa E (hidroxiureia) parece atraente porque é um tratamento importante da doença, mas ela previne crises futuras — não resolve a dor atual. Da mesma forma, a transfusão (A) é tentadora para "corrigir a anemia", mas a Hb está no basal do paciente. O foco da questão é: na crise aguda, a prioridade é a analgesia precoce.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de anemia falciforme, separe mentalmente os cenários: crise aguda (analgesia + hidratação), prevenção (hidroxiureia, transfusão crônica em casos selecionados), complicações específicas (transfusão no AVC/STA grave, antibiótico na infecção). Identifique o cenário do enunciado e aplique a conduta correspondente.