Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg475512
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cerro Grande - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um homem de 35 anos apresenta diarreia com fezes amolecidas e presença de muco e sangue há duas semanas, associada a dor abdominal difusa. Ele voltou recentemente de uma viagem à América Central. Ao exame físico, há sensibilidade abdominal difusa, sem sinais de peritonite. Testes laboratoriais mostram leucocitose discreta e fezes positivas para cistos de Entamoeba histolytica. Qual é a melhor abordagem inicial para esse paciente?
APrescrição de metronidazol seguido de um agente luminal para erradicação dos cistos.
BTratamento sintomático com antidiarreicos e hidratação oral.
CAdministração de ciprofloxacino para tratar possível coinfecção bacteriana.
DRealização de colonoscopia para confirmar a etiologia infecciosa antes de iniciar o tratamento.
EInternação hospitalar imediata para suporte clínico e início de antibióticos intravenosos.
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GabaritoA — Prescrição de metronidazol seguido de um agente luminal para erradicação dos cistos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Amebíase intestinal: tratamento da disenteria amebiana
Gabarito: letra A. O paciente apresenta disenteria amebiana aguda (diarreia com muco e sangue, dor abdominal, viagem à América Central, cistos de Entamoeba histolytica nas fezes), e a conduta correta é tratar a infecção invasiva com metronidazol e, em seguida, erradicar os cistos remanescentes no lúmen intestinal com um agente luminal (paromomicina ou iodoquinol). Essa abordagem em duas etapas é o padrão de tratamento da amebíase sintomática, conforme a literatura médica sobre doenças infecciosas.
A amebíase é uma parasitose causada pelo protozoário Entamoeba histolytica, transmitida pela ingestão de cistos presentes em água ou alimentos contaminados (via fecal-oral). No intestino grosso, os cistos se transformam em trofozoítas, que podem invadir a mucosa, causando colite amebiana — quadro caracterizado por diarreia com muco e sangue, dor abdominal e tenesmo. A maioria das infecções é assintomática, mas a invasão tecidual pode levar a complicações graves, como abscesso hepático e perfuração intestinal.
O tratamento da amebíase invasiva (disenteria) tem dois objetivos: eliminar o parasita nos tecidos e erradicar os cistos que permanecem no lúmen intestinal. O metronidazol (ou tinidazol) é o fármaco de escolha para a infecção tecidual, mas tem baixa eficácia contra os cistos luminais. Por isso, após o tratamento com o nitroimidazólico, é obrigatório o uso de um agente luminal — paromomicina ou iodoquinol — para eliminar os cistos e prevenir recidivas e a disseminação da doença. Essa sequência é o padrão-ouro e está descrita nos principais manuais de infectologia.
A distinção crucial é entre a amebíase intestinal invasiva (disenteria) e a infecção assintomática. No paciente sintomático, o tratamento é sempre com metronidazol seguido de agente luminal. No assintomático, o tratamento é apenas com o agente luminal (paromomicina ou iodoquinol), pois não há invasão tecidual. A banca explora exatamente essa diferença: a alternativa correta descreve a sequência completa para o caso sintomático, enquanto as incorretas omitem o agente luminal, tratam apenas sintomas, usam antibiótico inadequado ou propõem condutas desnecessárias.
Guarde a sequência terapêutica: metronidazol (tecido) → agente luminal (cistos). É esse o critério que separa a alternativa correta das demais.
1Metronidazol (tecido)
2Agente luminal (cistos)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A prescrição de metronidazol seguido de um agente luminal (paromomicina ou iodoquinol) é exatamente o tratamento recomendado para a amebíase intestinal invasiva. O metronidazol age contra os trofozoítas que invadiram a mucosa, enquanto o agente luminal erradica os cistos que permanecem no intestino, prevenindo recidivas e a transmissão. Essa é a conduta padrão para o paciente sintomático com disenteria amebiana.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tratamento sintomático com antidiarreicos e hidratação oral é inadequado para a disenteria amebiana. O paciente tem uma infecção parasitária invasiva confirmada, que exige terapia antiparasitária específica. Além disso, antidiarreicos são contraindicados em diarreias inflamatórias com sangue, pois podem piorar o quadro ao retardar a eliminação do patógeno. A hidratação é importante, mas não substitui o tratamento etiológico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ciprofloxacino é um antibiótico de amplo espectro para bactérias, mas não tem atividade contra a Entamoeba histolytica. O diagnóstico já está confirmado pela presença de cistos nas fezes, e não há evidência de coinfecção bacteriana que justifique o uso empírico de antibiótico. O tratamento correto é antiparasitário, não antibiótico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A colonoscopia não é necessária para confirmar a etiologia infecciosa, pois o diagnóstico já foi estabelecido pelo exame parasitológico de fezes positivo para cistos de E. histolytica. A colonoscopia seria indicada em casos de dúvida diagnóstica, falha terapêutica ou suspeita de outras causas, mas não deve atrasar o início do tratamento em um caso clássico de disenteria amebiana.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A internação hospitalar imediata com antibióticos intravenosos não é indicada para este paciente. Ele apresenta disenteria amebiana não complicada, sem sinais de peritonite, sepse ou desidratação grave. O tratamento pode ser feito ambulatorialmente com medicação oral. A internação seria reservada para casos graves, como colite fulminante, perfuração intestinal ou abscesso hepático.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao omitir o agente luminal na alternativa correta ou ao sugerir tratamentos sintomáticos/antibióticos. A chave é lembrar que a amebíase invasiva exige duas etapas: metronidazol para o parasita nos tecidos e um agente luminal (paromomicina ou iodoquinol) para os cistos no intestino. Sem a segunda etapa, o paciente pode recidivar ou continuar eliminando cistos no ambiente.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver um caso de disenteria amebiana (diarreia com sangue e muco + viagem a área endêmica + cistos de E. histolytica), procure a alternativa que combine metronidazol + agente luminal. Essa é a assinatura do tratamento correto. Lembre-se também: antidiarreicos são contraindicados em diarreia inflamatória, e antibióticos não tratam amebíase.