Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg475513
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cerro Grande - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico
Sobre o diagnóstico e manejo do hipertireoidismo, é correto afirmar que:
AA dosagem de TSH sérico elevado confirma o diagnóstico de hipertireoidismo.
BO metimazol é considerado o tratamento mais seguro para o hipertireoidismo no primeiro trimestre da gestação.
CA captação de iodo radioativo está reduzida em todas as formas de hipertireoidismo.
DO propranolol é contraindicado no manejo sintomático de hipertireoidismo devido ao risco de insuficiência cardíaca.
EO bócio tóxico multinodular é uma causa comum de hipertireoidismo em pacientes idosos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — O bócio tóxico multinodular é uma causa comum de hipertireoidismo em pacientes idosos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipertireoidismo: diagnóstico e manejo
Gabarito: letra E. O bócio tóxico multinodular é, de fato, uma causa comum de hipertireoidismo em pacientes idosos, especialmente naqueles com bócio multinodular de longa data e exposição a excesso de iodo. As demais alternativas apresentam erros conceituais: TSH elevado indica hipotireoidismo (não hipertireoidismo), o metimazol é teratogênico no primeiro trimestre (a propiltiouracila é a opção preferida), a captação de iodo está reduzida apenas nas tireoidites (não em todas as formas) e o propranolol é, na verdade, amplamente utilizado no manejo sintomático.
O hipertireoidismo é a síndrome clínica resultante do excesso de hormônios tireoidianos circulantes (T3 e T4), que pode ter diversas etiologias. O diagnóstico é essencialmente laboratorial, baseado na dosagem do TSH, que é o exame de maior sensibilidade para rastreamento. No hipertireoidismo, o TSH encontra-se suprimido (geralmente < 0,1 mUI/L), pois o excesso de hormônios tireoidianos inibe a secreção hipofisária de TSH por feedback negativo. A dosagem de T4 livre e, se necessário, T3 livre, confirma o diagnóstico e ajuda a diferenciar hipertireoidismo franco de subclínico.
A investigação etiológica é crucial para o manejo adequado. A cintilografia de tireoide com captação de iodo radioativo (RAIU) é o exame que diferencia as causas de hipertireoidismo: na doença de Graves, no adenoma tóxico e no bócio multinodular tóxico, a captação está elevada (hiperfunção glandular); já nas tireoidites (subaguda, silenciosa, pós-parto) e no hipertireoidismo factício, a captação está reduzida (destruição glandular com liberação de hormônios pré-formados ou ingestão exógena). Essa distinção é fundamental, pois o tratamento difere: as tireoidites são autolimitadas e tratadas sintomaticamente, enquanto as formas hiperfuncionantes podem exigir antitireoidianos, iodo radioativo ou cirurgia.
O tratamento do hipertireoidismo depende da causa, da idade do paciente, da gravidade e de condições especiais como a gestação. As tionamidas (metimazol e propiltiouracila) são os fármacos antitireoidianos de primeira linha. O propranolol, um betabloqueador não seletivo, é amplamente utilizado para controle sintomático (taquicardia, tremor, ansiedade) enquanto os antitireoidianos agem, sendo seguro e eficaz, desde que não haja contraindicação como asma ou bloqueio cardíaco. O iodo radioativo (¹³¹I) é uma opção definitiva, mas está contraindicado na gestação e na lactação. A cirurgia (tireoidectomia) é reservada para casos específicos, como bócios muito grandes com sintomas compressivos, suspeita de malignidade ou intolerância aos antitireoidianos.
Na gestação, o manejo do hipertireoidismo é delicado. A propiltiouracila é a droga de escolha no primeiro trimestre, pois o metimazol está associado a malformações fetais (embriopatia por metimazol, incluindo aplasia cutis). No segundo e terceiro trimestres, a propiltiouracila pode ser substituída por metimazol para reduzir o risco de hepatotoxicidade materna. O iodo radioativo é absolutamente contraindicado, e a cirurgia é raramente indicada, apenas em casos de intolerância aos antitireoidianos ou necessidade de altas doses.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca o TSH elevado (que é de hipotireoidismo) por hipertireoidismo, inverte a segurança do metimazol na gestação, generaliza a captação de iodo reduzida para todas as formas e contraindica o propranolol, que é justamente um pilar do tratamento sintomático. A alternativa E, por sua vez, traz uma afirmação correta e específica sobre uma população vulnerável: os idosos.
Hipertireoidismo
1Diagnóstico
TSH suprimido
T4 livre elevado
T3 livre (se necessário)
2Etiologia
Captação elevada
Doença de Graves
Adenoma tóxico
Bócio multinodular tóxico
Captação reduzida
Tireoidites
Hipertireoidismo factício
3Tratamento
Tionamidas
Metimazol
Propiltiouracila
Propranolol (sintomático)
Iodo radioativo (¹³¹I)
Cirurgia
4Gestação
1º trimestre: propiltiouracila
2º/3º trimestre: metimazol
Iodo radioativo contraindicado
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A dosagem de TSH elevado é característica do hipotireoidismo primário, não do hipertireoidismo. No hipertireoidismo, o TSH está suprimido (baixo ou indetectável), devido ao feedback negativo do excesso de hormônios tireoidianos sobre a hipófise. A alternativa inverte completamente o padrão laboratorial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O metimazol é teratogênico e está contraindicado no primeiro trimestre da gestação. A droga de escolha nesse período é a propiltiouracila (PTU), que atravessa menos a placenta e está associada a menor risco de malformações fetais. No segundo e terceiro trimestres, o metimazol pode ser considerado, mas nunca como primeira opção no primeiro trimestre.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A captação de iodo radioativo está reduzida apenas nas tireoidites (subaguda, silenciosa, pós-parto) e no hipertireoidismo factício, onde há destruição glandular ou ingestão exógena de hormônios. Nas formas hiperfuncionantes — doença de Graves, adenoma tóxico e bócio multinodular tóxico — a captação está elevada. A alternativa generaliza indevidamente uma característica que é específica de um subgrupo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O propranolol é um betabloqueador não seletivo amplamente utilizado no manejo sintomático do hipertireoidismo, controlando taquicardia, tremor, ansiedade e intolerância ao calor. Está indicado, e não contraindicado, na maioria dos pacientes, desde que não haja contraindicações como asma, broncoespasmo ou bloqueio cardíaco de alto grau. O risco de insuficiência cardíaca não contraindica seu uso; na verdade, o controle da taquiarritmia pode até proteger o coração.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O bócio multinodular tóxico é uma causa comum de hipertireoidismo em pacientes idosos, especialmente naqueles com bócio multinodular de longa duração, sobretudo em regiões com deficiência de iodo, quando expostos a excesso de iodo dietético ou a meios de contraste radiológicos. As manifestações clínicas iniciais frequentemente incluem taquicardia, insuficiência cardíaca e arritmias, e o diagnóstico é confirmado por TSH suprimido, T3 e T4 elevados e cintilografia com múltiplos nódulos funcionantes. O tratamento de escolha é frequentemente a ablação com ¹³¹I.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os padrões laboratoriais e as condutas. Aqui, ela troca o TSH elevado (hipotireoidismo) por hipertireoidismo, coloca o metimazol como seguro no primeiro trimestre (quando o certo é PTU), generaliza a captação reduzida de iodo (que só ocorre nas tireoidites) e contraindica o propranolol (que é justamente o tratamento sintomático de escolha). Fique atento a essas inversões clássicas — com treino, você as identifica de longe. 💪