Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2025
- Código
- qg475515
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Cerro Grande - RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico
- AF – F – V – F.
- BV – F – V – F.
- CF – V – F – V.
- DV – F – F – V.
- EF – V – V – V.
GabaritoB — V – F – V – F.
Gabarito: letra B (V – F – V – F). A hiperatividade do músculo detrusor é a causa mais comum de incontinência urinária de urgência em idosos; a diminuição da complacência vesical está relacionada à incontinência de urgência (não à de esforço); fatores precipitantes fora das vias urinárias inferiores podem desencadear ou exacerbar a incontinência e são tratáveis; e anticolinérgicos não são eficazes na incontinência de esforço, pois esta decorre de falha esfincteriana, não de hiperatividade do detrusor. A base para essa análise está nos conceitos de fisiopatologia da incontinência urinária, conforme a literatura médica de geriatria.
A incontinência urinária (IU) é a perda involuntária de urina, e sua abordagem no idoso exige distinguir causas agudas (potencialmente reversíveis) das crônicas. As causas agudas são frequentemente atribuíveis a distúrbios clínicos específicos, como infecção, distúrbio metabólico ou efeitos de medicamentos — o mnemônico DIAPERS (delirium, infecção, vaginite atrófica, produtos farmacêuticos, excesso de produção de urina, mobilidade restrita e impactação fecal) resume esses fatores precipitantes. Já as causas crônicas se classificam em quatro tipos principais: de urgência, de esforço (estresse), por transbordamento (sobrefluxo) e funcional.
A incontinência de urgência é o tipo mais comum em idosos e resulta da hiperatividade do músculo detrusor, que apresenta contrações involuntárias durante o enchimento vesical. O paciente sente vontade súbita e intensa de urinar, com perda de urina na ausência de manobras de estresse ou de retenção. Pode ser idiopática, secundária a lesões nas vias inibitórias centrais (AVC, Parkinson, demências) ou causada por fatores irritativos locais (cálculos, infecções, tumores). A incontinência de esforço (ou estresse) ocorre por incompetência da musculatura pélvica e do esfíncter uretral, com extravasamento de pequenos volumes de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço físico. A incontinência por transbordamento resulta de retenção urinária, frequentemente por hiperplasia prostática benigna em homens ou atonia vesical em diabéticos ou lesados medulares. A incontinência funcional decorre de comorbidades que limitam a capacidade de agir prontamente ou interpretar a necessidade de urinar, como problemas de mobilidade ou cognitivos.
A complacência vesical é a capacidade da bexiga de se distender mantendo baixa pressão durante o enchimento. Sua diminuição significa que a bexiga se torna rígida, com aumento da pressão intravesical mesmo com pequenos volumes — isso está diretamente relacionado à incontinência de urgência, não à de esforço. Em pacientes com disfunções neurológicas (como lesão medular), a baixa complacência é um achado característico da urodinâmica e pode levar a perdas por urgência ou transbordamento, mas nunca é o mecanismo da incontinência de esforço, que é puramente esfincteriano/pélvico.
Os fatores precipitantes fora das vias urinárias inferiores são exatamente as causas agudas e reversíveis da IU no idoso: delirium, infecção (não só urinária), vaginite atrófica, medicamentos (diuréticos, sedativos, anticolinérgicos), excesso de produção de urina (ICC, hiperglicemia), mobilidade restrita e impactação fecal. Identificá-los é essencial porque são tratáveis e, muitas vezes, a IU desaparece com a correção do fator desencadeante. O mnemônico DIAPERS resume esses fatores.
O tratamento farmacológico da IU depende do tipo. Anticolinérgicos (como oxibutinina, tolterodina) e beta-3-agonistas (mirabegrom) são eficazes na incontinência de urgência, pois reduzem a hiperatividade do detrusor. Na incontinência de esforço, o problema é a falha de coaptação esfincteriana — não há hiperatividade para inibir —, portanto anticolinérgicos não têm papel; o tratamento é baseado em fisioterapia do assoalho pélvico (exercícios de Kegel), eletroestimulação, e em casos selecionados, cirurgia (sling, etc.).
A pegadinha da banca está em trocar o mecanismo da incontinência de esforço pela baixa complacência (assertiva 2) e em atribuir eficácia aos anticolinérgicos na incontinência de esforço (assertiva 4). Guarde a fronteira: urgência = hiperatividade do detrusor (tratável com anticolinérgicos); esforço = falha esfincteriana (não responde a anticolinérgicos). É exatamente nessa distinção que as assertivas se dividem.
A hiperatividade do músculo detrusor é, de fato, a causa mais comum de incontinência urinária de urgência em idosos. O texto de apoio confirma: "A incontinência de urgência por hiperatividade do músculo detrusor é o tipo mais comum" e "A incontinência de urgência é a causa de incontinência mais comum em idosos". A contração involuntária do detrusor durante o enchimento gera urgência e perda de urina, sendo o mecanismo central da IUU.
A diminuição da complacência vesical está relacionada à incontinência de urgência (ou transbordamento), não à de esforço. A incontinência de esforço decorre de incompetência da musculatura pélvica e do esfíncter uretral, com perda de urina ao aumento da pressão intra-abdominal. A baixa complacência é um achado urodinâmico em bexigas rígidas (neurogênicas, por exemplo), mas não é o mecanismo da IUE. A assertiva troca o mecanismo fisiopatológico.
Fatores precipitantes fora das vias urinárias inferiores (delirium, infecção, medicamentos, mobilidade restrita, impactação fecal, etc.) podem exacerbar ou desencadear incontinência urinária em idosos e são frequentemente tratáveis. O mnemônico DIAPERS resume essas causas agudas e reversíveis. A identificação e correção desses fatores é o primeiro passo no manejo da IU no idoso.
Medicamentos anticolinérgicos são eficazes na incontinência de urgência, pois reduzem a hiperatividade do detrusor. Na incontinência de esforço, o problema é a falha esfincteriana/pélvica — não há hiperatividade para inibir —, portanto anticolinérgicos não são eficazes. O tratamento da IUE envolve fisioterapia do assoalho pélvico e, em casos selecionados, cirurgia. A assertiva atribui eficácia a uma classe medicamentosa para o tipo errado de incontinência.
A banca adora inverter o mecanismo fisiopatológico: na assertiva 2, troca a baixa complacência (típica da urgência/neurogênica) pela incontinência de esforço; na assertiva 4, atribui eficácia dos anticolinérgicos à incontinência de esforço, quando eles são a base do tratamento da urgência. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
Para fixar, monte uma tabela mental: urgência → hiperatividade do detrusor → anticolinérgicos eficazes; esforço → falha esfincteriana → fisioterapia/cirurgia, anticolinérgicos ineficazes. Essa distinção é a chave para questões de incontinência urinária.
Gabarito: letra B (V – F – V – F).
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