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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg475774
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Erebango - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral PSF
Um paciente de 58 anos, diabético tipo 2 há 10 anos, em uso de metformina e insulina NPH, apresenta exames de rotina com LDL-colesterol de 160 mg/dL, HDL-colesterol de 35 mg/dL e triglicerídeos de 280 mg/dL. Ele não tem história de doença cardiovascular prévia, mas apresenta hipertensão arterial controlada com losartana. Qual é a conduta mais adequada para o manejo da dislipidemia nesse paciente?
  1. AIniciar sinvastatina 20 mg ao dia.
  2. BIniciar atorvastatina 80 mg ao dia.
  3. CIniciar ezetimiba 10 mg ao dia.
  4. DIniciar rosuvastatina 10 mg ao dia e ajustar conforme tolerância.
  5. EManter apenas medidas não farmacológicas, como dieta e exercícios.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Iniciar rosuvastatina 10 mg ao dia e ajustar conforme tolerância.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo da dislipidemia no diabetes tipo 2

Gabarito: letra D. O paciente é diabético tipo 2 com LDL-c de 160 mg/dL, HDL-c baixo (35 mg/dL) e triglicerídeos elevados (280 mg/dL), sem doença cardiovascular prévia, mas com hipertensão arterial — o que o classifica como alto risco cardiovascular. Para diabéticos de alto risco, a meta de LDL-c é < 70 mg/dL, e a conduta inicial recomendada é iniciar estatina de alta potência (rosuvastatina 10-20 mg ou atorvastatina 40-80 mg), ajustando a dose conforme tolerância e resposta. A alternativa D é a única que contempla essa estratégia.

A dislipidemia diabética é um conjunto de alterações lipídicas inter-relacionadas, caracterizada por aumento de triglicerídeos, redução do HDL-c e presença de partículas de LDL pequenas e densas, altamente aterogênicas. No diabetes tipo 2, o aumento das partículas de VLDL inicia uma cascata que gera remanescentes aterogênicos e LDL pequenas e densas, mesmo quando o LDL-c medido está dentro da normalidade. Por isso, o colesterol não-HDL e a ApoB são melhores marcadores de risco nesses pacientes.

A estratificação de risco cardiovascular é o passo fundamental antes de decidir a conduta. Segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias, o diabetes mellitus é considerado um equivalente de doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), e a presença de fatores como hipertensão arterial, idade, tempo de diagnóstico e tabagismo eleva ainda mais o risco. Neste caso, o paciente tem 58 anos, 10 anos de diagnóstico de diabetes e hipertensão controlada — critérios que o colocam na categoria de alto risco, com meta de LDL-c < 70 mg/dL.

O tratamento farmacológico da dislipidemia no diabético tem as estatinas como primeira linha. A diretriz recomenda estatinas de alta potência para pacientes de alto risco, pois a redução do LDL-c é o principal alvo da terapia. A rosuvastatina 10 mg é uma estatina potente, capaz de reduzir o LDL-c em cerca de 40-50%, e a dose pode ser ajustada conforme tolerância e resposta. A alternativa correta reflete exatamente essa recomendação.

A pegadinha desta questão está na escolha da estatina e na dose. A sinvastatina 20 mg (alternativa A) é uma estatina de potência moderada, insuficiente para atingir a meta de LDL-c < 70 mg/dL em um paciente de alto risco. A atorvastatina 80 mg (alternativa B) é uma dose alta, mas a diretriz atual prefere iniciar com doses moderadas de estatinas potentes e ajustar conforme necessidade, evitando doses máximas de início. A ezetimiba (alternativa C) não é a primeira escolha — ela é uma opção adjuvante quando a estatina isolada não atinge a meta. E manter apenas medidas não farmacológicas (alternativa E) é inadequado, pois o paciente já tem LDL-c elevado e risco alto, necessitando de terapia medicamentosa.

Guarde a lógica: diabético + hipertenso = alto risco → meta LDL < 70 → estatina de alta potência como primeira escolha. É exatamente esse raciocínio que separa as alternativas.

  1. 1Estratificar risco cardiovascular
  2. 2Definir meta de LDL-c
  3. 3Escolher estatina de alta potência
  4. 4Ajustar dose conforme resposta
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sinvastatina 20 mg é uma estatina de potência moderada, que reduz o LDL-c em cerca de 30-40%. Para um paciente de alto risco com LDL-c de 160 mg/dL e meta de < 70 mg/dL, essa dose é insuficiente. A diretriz recomenda estatinas de alta potência (rosuvastatina ou atorvastatina) como primeira escolha nesse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A atorvastatina 80 mg é uma dose máxima de estatina de alta potência. Embora seja uma opção válida para alto risco, a diretriz atual preconiza iniciar com doses moderadas de estatinas potentes (rosuvastatina 10-20 mg ou atorvastatina 40-80 mg) e ajustar conforme tolerância e resposta. Iniciar já na dose máxima não é a conduta mais adequada, pois aumenta o risco de efeitos adversos sem benefício comprovado inicial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ezetimiba é um inibidor da absorção do colesterol, mas não é a primeira escolha no tratamento da dislipidemia. Ela é indicada como terapia adjuvante quando a estatina isolada não atinge a meta, ou em pacientes intolerantes a estatinas. A diretriz recomenda a estatina como primeira opção de tratamento farmacológico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A rosuvastatina 10 mg é uma estatina de alta potência, capaz de reduzir o LDL-c em cerca de 40-50%. Para um paciente diabético de alto risco com LDL-c de 160 mg/dL e meta de < 70 mg/dL, essa é a escolha adequada. A dose pode ser ajustada conforme tolerância e resposta, o que está alinhado com a recomendação de individualização terapêutica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter apenas medidas não farmacológicas é inadequado. Embora dieta e exercício sejam a base do tratamento, o paciente já apresenta LDL-c elevado (160 mg/dL) e é classificado como alto risco cardiovascular. A diretriz recomenda iniciar estatina de alta potência nesse cenário, pois a terapia medicamentosa é necessária para atingir a meta de LDL-c < 70 mg/dL.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre potência das estatinas e dose. A sinvastatina 20 mg parece razoável, mas é de potência moderada — insuficiente para alto risco. A atorvastatina 80 mg é potente, mas iniciar na dose máxima não é a conduta recomendada. A chave é lembrar: diabético de alto risco → estatina de alta potência em dose moderada, ajustável.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de dislipidemia, decore a meta de LDL-c por categoria de risco: baixo < 130, intermediário < 100, alto < 70, muito alto < 50. E lembre: diabetes é equivalente de alto risco, especialmente com hipertensão ou outros fatores. Isso resolve a maioria das questões.

Gabarito: letra D

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