Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg475776
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Erebango - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral PSF
Um homem de 62 anos, tabagista e com histórico de hipertensão arterial e dislipidemia, chega ao pronto-socorro com queixa de dor torácica opressiva de início súbito há 30 minutos, que irradia para o braço esquerdo e está associada a sudorese fria e náuseas. Ao exame físico, a pressão arterial é 150/90 mmHg, a frequência cardíaca é 110 bpm, e a ausculta cardíaca é normal. O eletrocardiograma (ECG) mostra supradesnivelamento do segmento ST em derivações anteriores (V1-V4). Qual é a conduta mais adequada para o diagnóstico e tratamento imediato desse paciente?
ARealizar ecocardiograma transtorácico e iniciar heparina não fracionada.
BSolicitar enzimas cardíacas (troponina) e aguardar resultados para iniciar tratamento.
CAdministrar betabloqueador e iniciar terapia com estatina.
DRealizar radiografia de tórax e iniciar oxigenoterapia.
EIniciar nitroglicerina sublingual e aspirina, e encaminhar para angioplastia primária imediata.
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GabaritoE — Iniciar nitroglicerina sublingual e aspirina, e encaminhar para angioplastia primária imediata.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do ST (IAMCST): conduta inicial
Gabarito: letra E. O paciente apresenta quadro clássico de IAMCST (dor torácica opressiva com irradiação para membro superior esquerdo, sudorese, náuseas e supradesnivelamento de ST em V1-V4), e a conduta imediata é iniciar nitroglicerina sublingual e aspirina (dupla antiagregação) e encaminhar para angioplastia primária, que é a reperfusão de escolha quando disponível em tempo hábil. O diagnóstico é eletrocardiográfico e o tratamento não pode aguardar o resultado da troponina.
O infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) é a forma mais grave de síndrome coronariana aguda, caracterizada pela oclusão total de uma artéria coronária, levando à necrose do miocárdio. O diagnóstico é essencialmente clínico e eletrocardiográfico: a presença de supradesnivelamento do segmento ST em derivações contíguas (como V1-V4, que correspondem à parede anterior) já define a condição, independentemente do resultado de marcadores de necrose miocárdica, como a troponina. Por isso, a conduta não pode ser adiada aguardando exames laboratoriais.
O tratamento imediato do IAMCST tem dois pilares: (1) medidas farmacológicas de suporte e estabilização, e (2) reperfusão coronariana o mais rápido possível. Entre as medidas farmacológicas, destacam-se a dupla antiagregação plaquetária (aspirina + um segundo antiagregante, como clopidogrel ou ticagrelor), o nitrato sublingual para alívio da dor e controle da pressão arterial, e a monitorização cardíaca contínua. A reperfusão pode ser feita por angioplastia primária (cateterismo com stent) ou por fibrinólise, sendo a angioplastia a estratégia preferencial quando disponível em centro especializado dentro do tempo ideal (porta-balão < 90 minutos).
A lógica por trás dessa conduta é o conceito de "tempo é músculo": quanto mais rápido a artéria ocluída for desobstruída, menor a extensão da necrose miocárdica e melhor o prognóstico. Por isso, qualquer atraso — seja aguardando troponina, realizando exames que não mudam a conduta imediata, ou iniciando apenas medidas paliativas — aumenta a morbimortalidade. O ecocardiograma, a radiografia de tórax e as enzimas cardíacas são exames complementares úteis, mas não devem retardar a reperfusão em um paciente com ECG diagnóstico.
A pegadinha central desta questão é a tentação de "confirmar" o diagnóstico antes de tratar. O candidato pode ser atraído por alternativas que sugerem exames complementares (ecocardiograma, troponina, radiografia) ou por medidas isoladas (betabloqueador, estatina), mas a conduta correta em um IAMCST é agir imediatamente com antiagregação, nitrato e reperfusão. Guarde este fluxo: ECG com supra de ST → dupla antiagregação + nitrato → angioplastia primária imediata.
1ECG com supra de ST
2Aspirina + nitrato
3Angioplastia primária
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O ecocardiograma transtorácico é um exame útil para avaliar a função ventricular e complicações mecânicas, mas não é o exame que define a conduta imediata no IAMCST. O diagnóstico já foi feito pelo ECG, e a prioridade é a reperfusão. Além disso, a heparina não fracionada é um anticoagulante que pode ser usado no manejo, mas não é a medida mais importante e não substitui a antiagregação plaquetária com aspirina, que é obrigatória e reduz a mortalidade em cerca de 30%.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta é a alternativa mais perigosa, pois parece prudente, mas contraria o princípio de que o tratamento do IAMCST não pode aguardar resultados laboratoriais. A troponina é um marcador de necrose miocárdica que pode levar horas para se elevar, e o ECG já é diagnóstico. Aguardar o resultado para iniciar o tratamento atrasa a reperfusão e aumenta a área de necrose. O manejo deve ser imediato, independentemente do resultado da troponina.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O betabloqueador e a estatina são medicamentos importantes no tratamento do IAM, mas não são a conduta imediata prioritária. O betabloqueador é indicado por via oral após o infarto, em pacientes estáveis, e pode ser contraindicado na fase aguda em pacientes com risco de choque cardiogênico (como este, que tem FC > 110 bpm). A estatina é parte do tratamento de longo prazo, mas não resolve a oclusão coronariana aguda. A prioridade é a reperfusão, não apenas o controle de fatores de risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A radiografia de tórax é um exame complementar que pode ser útil para avaliar complicações (como edema pulmonar), mas não é o exame que define a conduta imediata no IAMCST. A oxigenoterapia é indicada apenas se a saturação de oxigênio for < 90%, o que não é mencionado no caso. A conduta correta é a reperfusão imediata, não apenas medidas de suporte.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa resume a conduta correta para o IAMCST: iniciar nitroglicerina sublingual (para alívio da dor e controle da pressão arterial) e aspirina (antiagregação plaquetária, que reduz a mortalidade), e encaminhar para angioplastia primária imediata (reperfusão de escolha). A dupla antiagregação (aspirina + clopidogrel/ticagrelor) é parte do manejo, e a angioplastia primária é a estratégia de reperfusão preferencial quando disponível em tempo hábil. Esta é a conduta que salva miocárdio e reduz a mortalidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a ansiedade do candidato em "confirmar" o diagnóstico antes de tratar. Alternativas que sugerem exames complementares (ecocardiograma, troponina, radiografia) parecem prudentes, mas atrasam a reperfusão, que é o que realmente importa no IAMCST. O ECG já é diagnóstico — não espere a troponina subir para agir.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, memorize o fluxo do IAMCST: ECG com supra de ST → aspirina + nitrato → angioplastia primária (ou fibrinólise se indisponível). Qualquer alternativa que atrase a reperfusão (aguardar exames, fazer exames que não mudam a conduta) está errada. O tempo porta-balão deve ser < 90 minutos.