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Questão de Medicina — Dermatologia — FUNDATEC 2025

MedicinaDermatologia
Código
qg475777
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Erebango - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral PSF
Um paciente de 35 anos, residente em uma área endêmica para hanseníase, apresenta lesões cutâneas hipopigmentadas e anestésicas nos membros superiores e inferiores, além de espessamento de nervos periféricos (nervo ulnar e fibular comum). A baciloscopia de linfa intradérmica (esfregaço de linfa) é positiva para Mycobacterium leprae. O paciente não apresenta outras comorbidades. Qual é o esquema terapêutico mais adequado para esse caso?
  1. ARifampicina + Dapsona por 6 meses.
  2. BRifampicina + Dapsona + Clofazimina por 6 meses.
  3. CRifampicina + Dapsona + Clofazimina por 12 meses.
  4. DIsoniazida + Rifampicina + Pirazinamida por 6 meses.
  5. EDapsona monoterapia por 12 meses.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Rifampicina + Dapsona + Clofazimina por 12 meses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase multibacilar: tratamento com PQT-U

Gabarito: letra C. O paciente apresenta hanseníase multibacilar (MB) — lesões múltiplas, baciloscopia positiva e acometimento de dois troncos nervosos — e, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hanseníase e a recomendação da OMS, o tratamento de primeira linha é a poliquimioterapia única (PQT-U) com rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses. A alternativa C é a única que combina os três fármacos com a duração correta para o caso MB.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que tem predileção por pele e nervos periféricos. A classificação operacional divide os pacientes em paucibacilares (PB) e multibacilares (MB), e essa divisão é o que determina o tempo de tratamento. O caso descrito é claramente MB: há lesões cutâneas múltiplas em membros superiores e inferiores, espessamento de dois nervos periféricos (ulnar e fibular comum) e baciloscopia positiva — a presença do bacilo no esfregaço de linfa é, por si só, um critério que define o paciente como multibacilar, independentemente do número de lesões.

O tratamento de primeira linha é a PQT-U (poliquimioterapia única), que desde 2018 é recomendada pela OMS com três medicamentos — rifampicina, dapsona e clofazimina — para todos os casos de hanseníase, independentemente da classificação operacional. No Brasil, esse esquema foi oficialmente adotado em 2021. A diferença entre PB e MB está apenas na duração: 6 meses para PB e 12 meses para MB. Essa mudança foi feita justamente para simplificar o tratamento e evitar erros de classificação que deixariam pacientes MB sem a clofazimina.

Na prática, o esquema PQT-U adulto (peso acima de 50 kg) consiste em dose mensal supervisionada de rifampicina 600 mg, clofazimina 300 mg e dapsona 100 mg, além de dose diária autoadministrada de clofazimina 50 mg e dapsona 100 mg. O tratamento é ambulatorial, na Atenção Primária à Saúde, e os medicamentos são distribuídos gratuitamente pelo SUS. A alta por cura ocorre após 12 doses supervisionadas em até 18 meses para casos MB.

A pegadinha central desta questão é a duração do tratamento. Muitos candidatos lembram que o esquema MB é de 12 meses, mas podem confundir com o esquema antigo (pré-2018), em que os casos PB recebiam apenas rifampicina e dapsona por 6 meses. A alternativa A (rifampicina + dapsona por 6 meses) corresponde ao esquema PB antigo, e a alternativa B (três fármacos por 6 meses) corresponde ao esquema PB atual — ambas incorretas para um caso MB. A alternativa D é o esquema para tuberculose, e a E (dapsona em monoterapia) é um erro grave, pois a monoterapia favorece a resistência bacteriana. Guarde a fronteira: PB = 3 fármacos por 6 meses; MB = 3 fármacos por 12 meses — é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Apresenta apenas rifampicina e dapsona por 6 meses. Esse esquema de dois fármacos era o tratamento antigo para casos paucibacilares, mas foi substituído pela PQT-U, que inclui a clofazimina para todos os pacientes. Além disso, o caso é multibacilar, exigindo 12 meses de tratamento. A ausência da clofazimina e a duração de 6 meses tornam a alternativa duplamente errada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Traz os três fármacos corretos (rifampicina, dapsona e clofazimina), mas por apenas 6 meses. Essa duração é a indicada para hanseníase paucibacilar (PB), não para o caso multibacilar descrito. O paciente tem baciloscopia positiva e múltiplas lesões, o que o classifica como MB, exigindo 12 meses de PQT-U.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Rifampicina + dapsona + clofazimina por 12 meses é exatamente o esquema PQT-U para hanseníase multibacilar. A presença dos três fármacos atende à recomendação atual da OMS e do Ministério da Saúde (adotada no Brasil em 2021), e a duração de 12 meses corresponde ao tratamento completo para casos MB, com dose mensal supervisionada e doses diárias autoadministradas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Isoniazida + rifampicina + pirazinamida é o esquema básico para tuberculose, não para hanseníase. Embora ambas sejam micobacterioses, o tratamento da hanseníase utiliza rifampicina, dapsona e clofazimina — a isoniazida e a pirazinamida não fazem parte do esquema PQT-U. É um distrator clássico que confunde as duas doenças.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Dapsona em monoterapia por 12 meses é um erro grave. A monoterapia não é recomendada para hanseníase porque favorece o desenvolvimento de resistência bacteriana. O tratamento padrão é sempre a poliquimioterapia com pelo menos dois fármacos (rifampicina + dapsona) ou, atualmente, três (PQT-U). Além disso, a dapsona isolada não é suficiente para erradicar o M. leprae em casos multibacilares.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os esquemas antigo e atual. Antes de 2018, casos PB recebiam apenas rifampicina + dapsona por 6 meses (alternativa A). Desde a PQT-U, todos os pacientes recebem os três fármacos — a diferença é só o tempo: 6 meses para PB (alternativa B) e 12 meses para MB (alternativa C). O candidato que memorizou o esquema antigo cai na letra A; o que lembra dos três fármacos mas não atenta à classificação MB cai na letra B. A chave é identificar o caso como multibacilar pela baciloscopia positiva e pelo acometimento de múltiplos nervos.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, para acertar a duração do tratamento da hanseníase, siga este fluxo: 1) verifique se a baciloscopia é positiva — se for, o caso é MB; 2) se houver mais de 5 lesões ou mais de um tronco nervoso acometido, também é MB; 3) MB = 12 meses, PB = 6 meses. E lembre: desde 2021, o Brasil adota a PQT-U com três fármacos para todos — nunca mais use esquema de dois fármacos.

Gabarito: letra C

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