Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg475779
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Erebango - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral PSF
Um paciente de 50 anos, com histórico de uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para dor articular, apresenta queixa de dor epigástrica em queimação há 3 meses, que melhora com a alimentação e piora à noite. Ele também relata náuseas ocasionais. A endoscopia digestiva alta revela uma úlcera gástrica de 1,5 cm no antro, com bordas regulares e fundo limpo. A biópsia da lesão é negativa para Helicobacter pylori. Qual é a conduta mais adequada para o tratamento dessa úlcera péptica?
ASuspensão dos AINEs e prescrição de omeprazol.
BSuspensão dos AINEs e prescrição de sucralfato.
CManutenção dos AINEs e prescrição de ranitidina.
DSuspensão dos AINEs e prescrição de misoprostol.
EManutenção dos AINEs e prescrição de omeprazol.
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GabaritoA — Suspensão dos AINEs e prescrição de omeprazol.
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Úlcera péptica induzida por AINEs: conduta terapêutica
Gabarito: letra A. Na úlcera gástrica associada ao uso de AINEs, a conduta inicial é suspender o agente agressor e prescrever inibidor de bomba de prótons (IBP), como o omeprazol, que é o tratamento de escolha por sua eficácia superior na cicatrização e prevenção de recidivas. O sucralfato, o misoprostol e a ranitidina são opções, mas não são a primeira escolha, e a manutenção do AINE é contraindicada.
A úlcera péptica é uma lesão que penetra a mucosa gástrica ou duodenal em pelo menos 5 mm de profundidade, recoberta por fibrina. Suas principais causas são a infecção por Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). No caso descrito, a biópsia foi negativa para H. pylori, e o paciente tem histórico de uso crônico de AINEs — o que aponta fortemente para a úlcera induzida por AINE. O mecanismo de lesão envolve dois componentes: um efeito tópico direto sobre a mucosa e a inibição da síntese de prostaglandinas protetoras pela via da ciclooxigenase (COX-1), que é constitutiva no trato digestório.
O tratamento da úlcera induzida por AINE tem como pilar a suspensão do AINE sempre que possível, associada à supressão ácida. Os inibidores de bomba de prótons (IBPs) são os fármacos de escolha, pois inibem a H+/K+-ATPase das células parietais, reduzindo drasticamente a secreção ácida e permitindo a cicatrização da úlcera. O omeprazol é um IBP clássico. O tratamento costuma durar de 4 a 8 semanas, com controle endoscópico em casos selecionados (úlcera gástrica, risco de neoplasia, sintomas persistentes).
É importante distinguir as opções terapêuticas: o sucralfato é um citoprotetor que forma uma barreira sobre a úlcera, mas é menos eficaz que os IBPs; o misoprostol é uma prostaglandina sintética que protege a mucosa, porém tem efeitos colaterais (diarreia, dor abdominal) que limitam seu uso; os antagonistas H2 (como a ranitidina) reduzem a acidez, mas são inferiores aos IBPs na cicatrização de úlceras induzidas por AINE. A manutenção do AINE, mesmo com omeprazol, não é a conduta ideal quando há úlcera ativa — a suspensão é o primeiro passo.
A pegadinha desta questão está em confundir a prevenção com o tratamento da úlcera induzida por AINE. Na prevenção (paciente que vai iniciar AINE e tem fatores de risco), o misoprostol ou o IBP podem ser usados como gastroprotetores. No tratamento de uma úlcera já estabelecida, a prioridade é suspender o AINE e usar IBP. Além disso, a ranitidina (antagonista H2) tem eficácia limitada nesse contexto, e o sucralfato, embora citoprotetor, não é a primeira linha.
Guarde o critério decisivo: suspensão do AINE + IBP é a conduta padrão para úlcera péptica induzida por AINE. As alternativas que mantêm o AINE ou que usam fármacos de segunda linha (sucralfato, misoprostol, ranitidina) estão incorretas.
1Suspender AINE
2Prescrever IBP (omeprazol)
3Cicatrização em 4-8 semanas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A suspensão dos AINEs remove o agente causal, e o omeprazol (IBP) promove a supressão ácida necessária para a cicatrização da úlcera. É a conduta mais adequada e a primeira escolha no tratamento da úlcera péptica induzida por AINE.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O sucralfato é um citoprotetor que forma uma barreira física sobre a úlcera, mas não é a primeira escolha no tratamento de úlcera induzida por AINE. Os IBPs são superiores em eficácia para cicatrização e prevenção de recidivas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A manutenção dos AINEs é contraindicada na presença de úlcera ativa, pois perpetua a agressão à mucosa. Além disso, a ranitidina (antagonista H2) tem eficácia limitada na cicatrização de úlceras induzidas por AINE, sendo inferior aos IBPs.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O misoprostol é uma prostaglandina sintética que pode ser usada na prevenção de úlceras induzidas por AINE, mas não é a primeira escolha para o tratamento de uma úlcera já estabelecida. Seu uso é limitado por efeitos colaterais (diarreia, dor abdominal) e é menos eficaz que os IBPs.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A manutenção dos AINEs, mesmo com omeprazol, não é a conduta adequada quando há úlcera ativa. A suspensão do AINE é o primeiro passo do tratamento; a manutenção só é considerada em situações excepcionais, quando não é possível suspender, e mesmo assim com IBP em dose plena e monitorização.