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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg475780
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Erebango - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral PSF
Um paciente de 58 anos, tabagista há 40 anos (1 maço/dia), chega ao consultório com queixa de tosse crônica produtiva há mais de 2 anos, dispneia aos esforços e sibilos. Ele relata piora progressiva dos sintomas, com episódios frequentes de infecções respiratórias. Ao exame físico, observa-se baqueteamento digital, cianose periférica e ausculta pulmonar com sibilos difusos e hipofonese nas bases. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação pulmonar e retificação do diafragma. Qual é a complicação mais provável relacionada ao tabagismo nesse caso?
  1. ACarcinoma de pulmão.
  2. BDoença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
  3. CTuberculose pulmonar.
  4. DFibrose pulmonar idiopática.
  5. EAsma brônquica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

DPOC: diagnóstico clínico e diferenciais

Gabarito: letra B. O quadro descrito — tabagista de longa data, tosse crônica produtiva, dispneia progressiva, sibilos, baqueteamento digital, cianose e radiografia com hiperinsuflação e retificação diafragmática — é a apresentação clássica da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), complicação diretamente relacionada ao tabagismo. O diagnóstico é essencialmente clínico, com confirmação espirométrica, e os achados radiológicos de hiperinsuflação são típicos do componente enfisematoso.

A DPOC é uma doença respiratória prevenível e tratável, caracterizada por obstrução crônica e progressiva do fluxo aéreo, que não é totalmente reversível. A obstrução é causada por uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de partículas ou gases tóxicos, sendo o tabagismo a principal causa. A doença engloba dois fenótipos clássicos: a bronquite crônica (tosse produtiva por pelo menos 3 meses em 2 anos consecutivos) e o enfisema pulmonar (destruição dos alvéolos com hiperinsuflação). A maioria dos pacientes apresenta uma combinação de ambos, como neste caso, em que há tosse produtiva (bronquite) e hiperinsuflação com retificação do diafragma (enfisema).

O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica: tabagismo + sintomas respiratórios crônicos + obstrução ao fluxo aéreo. A espirometria é o exame confirmatório, demonstrando VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. Na radiografia de tórax, os achados de hiperinsuflação (diafragma retificado, aumento do diâmetro anteroposterior) são característicos do enfisema, mas não fecham o diagnóstico isoladamente — a clínica é soberana.

O baqueteamento digital merece atenção especial: na DPOC, o hipocratismo digital não é explicado pela doença em si. Quando presente, deve-se investigar outras condições associadas, como bronquiectasias ou carcinoma brônquico. No entanto, sua presença não exclui o diagnóstico de DPOC, especialmente em um paciente com todos os outros sinais típicos.

A distinção entre DPOC e asma é um dos pontos mais cobrados. A tabela abaixo resume as diferenças fundamentais:

Critério

DPOC

Asma

Idade de início

Meia-idade (geralmente > 40 anos)

Frequentemente na infância

Tabagismo

Quase sempre presente

Não é fator determinante

Evolução

Progressiva e irreversível

Variável, com crises

Limitação ao fluxo aéreo

Irreversível (não normaliza)

Reversível (espontânea ou com tratamento)

Sintomas

Tosse produtiva, dispneia aos esforços

Dispneia, sibilos, sintomas noturnos

Radiografia

Hiperinsuflação, retificação do diafragma

Geralmente normal

A pegadinha desta questão está em dois pontos: (1) o baqueteamento digital pode levar o candidato a pensar em carcinoma de pulmão, mas o quadro clínico completo é muito mais compatível com DPOC; (2) os sibilos podem sugerir asma, mas em um tabagista de 40 anos com tosse produtiva crônica, o diagnóstico é DPOC. A banca explora exatamente essa confusão entre asma e DPOC, que é um desafio real na prática clínica, especialmente em idosos e tabagistas.

Guarde o critério decisivo: tabagismo de longa data + sintomas progressivos + obstrução irreversível = DPOC. É essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O carcinoma de pulmão é uma complicação possível do tabagismo, mas o quadro descrito não é o típico. O câncer de pulmão geralmente se apresenta com tosse seca, hemoptise, dor torácica, emagrecimento e, em fases avançadas, derrame pleural. O baqueteamento digital pode ocorrer, mas a hiperinsuflação pulmonar com retificação do diafragma é um achado de obstrução crônica, não de neoplasia. Além disso, a tosse produtiva há mais de 2 anos com episódios de infecção é muito mais sugestiva de doença obstrutiva crônica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A DPOC é a complicação mais provável. O paciente tem todos os critérios: tabagismo de 40 anos (1 maço/dia), tosse crônica produtiva (> 2 anos), dispneia progressiva aos esforços, sibilos difusos, hipofonese nas bases (murmúrio vesicular diminuído no enfisema), cianose periférica (hipoxemia crônica) e radiografia com hiperinsuflação e retificação do diafragma. A espirometria confirmaria obstrução ao fluxo aéreo irreversível. O baqueteamento digital, embora não seja explicado pela DPOC isoladamente, não afasta o diagnóstico — deve apenas motivar investigação de comorbidades como bronquiectasias ou neoplasia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A tuberculose pulmonar é uma possibilidade em qualquer paciente com tosse crônica, mas o quadro clínico é diferente: geralmente cursa com febre, sudorese noturna, anorexia, perda de peso e hemoptise. A radiografia típica mostra infiltrados nos lobos superiores, cavitações ou lesões nodulares — não hiperinsuflação com retificação do diafragma. O tabagismo não é fator de risco direto para tuberculose, e a ausência de sintomas sistêmicos (febre, emagrecimento) afasta essa hipótese como diagnóstico principal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença intersticial que cursa com tosse seca, dispneia progressiva e estertores crepitantes teleinspiratórios (em velcro). O baqueteamento digital é comum, mas a radiografia mostra opacidades reticulares e faveolamento nas bases, não hiperinsuflação. A FPI não está diretamente relacionada ao tabagismo como causa principal, e a tosse produtiva com sibilos não é o padrão típico. A hipofonese nas bases com hiperinsuflação aponta claramente para obstrução, não restrição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A asma brônquica é o principal diagnóstico diferencial, mas o quadro descrito não se encaixa. A asma geralmente inicia na infância, tem sintomas variáveis (piora à noite e pela manhã), está associada a atopia (alergia, rinite, eczema) e a limitação ao fluxo aéreo é reversível. Neste paciente, o início na meia-idade, a longa história de tabagismo, a tosse produtiva crônica e a progressão dos sintomas são características típicas de DPOC. A radiografia com hiperinsuflação e retificação do diafragma também é mais compatível com DPOC, pois na asma a radiografia costuma ser normal.

Gabarito: letra B

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