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Questão de Odontologia — Patologia oral e Maxilofacial — FUNDATEC 2025

OdontologiaPatologia oral e Maxilofacial
Código
qg475954
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Estância Velha - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Dentista
“É uma condição potencialmente maligna do vermelhão do lábio inferior, resultante da exposição crônica à luz UV. Sua incidência aumenta com a proximidade à linha do Equador, e há uma predileção entre os de meia-idade a idosos de pele clara. As ocupações ao ar livre estão associadas a esta condição e há um aumento de suscetibilidade entre pacientes com determinados distúrbios genéticos (por exemplo, o xeroderma pigmentoso, albinismo e porfiria cutânea tardia). Além disso, cofatores, tais como tabagismo e imunossupressão, podem aumentar a probabilidade de evolução para o carcinoma epidermoide” (Neville, 2016). Assinale a alternativa que corresponde à condição descrita acima.
  1. ALíquen plano.
  2. BQueilite angular.
  3. CQueilite actínica.
  4. DQueratoacantoma.
  5. EEritroleucoplasia.
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GabaritoC — Queilite actínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queilite actínica: condição potencialmente maligna do lábio inferior

Gabarito: letra C. A queilite actínica é a condição descrita: uma lesão potencialmente maligna do vermelhão do lábio inferior, causada pela exposição crônica à radiação ultravioleta (UV), com predileção por homens de meia-idade a idosos de pele clara e associação com ocupações ao ar livre, distúrbios genéticos (xeroderma pigmentoso, albinismo, porfiria cutânea tardia) e cofatores como tabagismo e imunossupressão, que aumentam o risco de evolução para carcinoma epidermoide (Neville, 2016).

A queilite actínica, também chamada de queilite solar, é uma lesão pré-maligna que afeta principalmente o lábio inferior, que recebe maior exposição solar direta em comparação ao lábio superior. A radiação UV causa dano cumulativo ao DNA das células epiteliais, levando a alterações displásicas que podem progredir para carcinoma epidermoide. A incidência aumenta em regiões próximas à linha do Equador, onde a intensidade da radiação UV é maior, e em indivíduos de pele clara (fototipos baixos), que possuem menos melanina para proteger a pele. O quadro clínico típico inclui ressecamento, descamação, atrofia, fissuras e áreas esbranquiçadas ou avermelhadas no vermelhão do lábio, muitas vezes com perda da delimitação nítida entre o vermelhão e a pele adjacente.

A distinção entre queilite actínica e outras condições labiais é crucial. A queilite angular, por exemplo, é uma inflamação nos ângulos da boca (comissuras labiais), geralmente associada a deficiências de vitaminas do complexo B, anemia, infecções por Candida albicans ou Staphylococcus aureus, e não apresenta potencial maligno. Já o líquen plano é uma doença inflamatória crônica de etiologia autoimune, que pode afetar a mucosa oral, incluindo os lábios, mas não está relacionada à exposição solar e tem baixo potencial de malignização (embora a forma erosiva seja considerada potencialmente maligna por alguns autores). O queratoacantoma é um tumor epitelial benigno de crescimento rápido, que se apresenta como uma lesão nodular com cratera central preenchida por ceratina, geralmente em áreas expostas ao sol, mas não é uma condição potencialmente maligna do vermelhão labial. A eritroleucoplasia é uma lesão branca e vermelha da mucosa oral, com alto potencial de malignização, mas não é específica do lábio inferior e não está diretamente associada à exposição UV.

A identificação correta da queilite actínica é fundamental para o cirurgião-dentista, pois o diagnóstico precoce e o tratamento (como a vermelhectomia ou o uso de protetor solar labial) podem prevenir a progressão para carcinoma epidermoide, que é o câncer de boca mais comum. A biópsia é indicada quando há suspeita de displasia ou malignidade, e o exame histopatológico pode revelar desde hiperqueratose e acantose até displasia epitelial de graus variados.

A pegadinha desta questão está em confundir queilite actínica com queilite angular, pois ambas afetam os lábios, mas a etiologia e o potencial de malignidade são completamente diferentes. A banca descreve detalhadamente a queilite actínica, mas o candidato que não conhece as características específicas pode ser levado a escolher a queilite angular por ser uma condição mais comum e conhecida. Portanto, é essencial memorizar as principais características de cada condição labial e associá-las aos fatores de risco e ao potencial de malignização.

Queilite actínica
  • 1Fatores de risco
    • Exposição crônica à luz UV
    • Pele clara (fototipos baixos)
    • Ocupações ao ar livre
    • Distúrbios genéticos
      • xeroderma pigmentoso, albinismo, porfiria
    • Tabagismo e imunossupressão
  • 2Localização
    • Vermelhão do lábio inferior
  • 3Potencial
    • Evolução para carcinoma epidermoide
  • 4Diagnóstico diferencial
    • Queilite angular (comissuras, sem potencial maligno)
    • Líquen plano (autoimune, estrias de Wickham)
    • Queratoacantoma (benigno, cratera central)
    • Eritroleucoplasia
      • mucosa oral, não específica do lábio
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O líquen plano é uma doença inflamatória crônica de etiologia autoimune, que pode afetar a pele e as mucosas, incluindo a mucosa oral. Na cavidade oral, manifesta-se como estrias brancas bilaterais (estrias de Wickham), lesões reticulares, papulares, atróficas, erosivas ou bolhosas. Não está associado à exposição solar crônica, não tem predileção pelo lábio inferior e não é causado por radiação UV. Embora a forma erosiva seja considerada potencialmente maligna por alguns autores, a descrição do enunciado não corresponde ao líquen plano.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A queilite angular é uma inflamação dos ângulos da boca (comissuras labiais), caracterizada por fissuras, eritema e descamação. Suas causas incluem deficiências nutricionais (ferro, vitaminas do complexo B), anemia, infecções por Candida albicans ou Staphylococcus aureus, e fatores mecânicos como perda de dimensão vertical. Não é causada pela exposição à luz UV, não tem predileção pelo lábio inferior e não é considerada uma condição potencialmente maligna. A descrição do enunciado não se aplica à queilite angular.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A queilite actínica é exatamente a condição descrita: uma lesão potencialmente maligna do vermelhão do lábio inferior, resultante da exposição crônica à luz UV. A incidência aumenta com a proximidade à linha do Equador, há predileção por indivíduos de meia-idade a idosos de pele clara, e ocupações ao ar livre estão associadas. Distúrbios genéticos como xeroderma pigmentoso, albinismo e porfiria cutânea tardia aumentam a suscetibilidade, e cofatores como tabagismo e imunossupressão aumentam o risco de evolução para carcinoma epidermoide. Todos os elementos do enunciado correspondem à queilite actínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O queratoacantoma é um tumor epitelial benigno de crescimento rápido, que se apresenta como uma lesão nodular, com cratera central preenchida por ceratina. Geralmente ocorre em áreas expostas ao sol, mas não é uma condição potencialmente maligna do vermelhão do lábio inferior. Embora possa haver associação com exposição solar, o queratoacantoma não é descrito como uma condição potencialmente maligna e não apresenta os fatores de risco genéticos mencionados no enunciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A eritroleucoplasia é uma lesão mista da mucosa oral, caracterizada por áreas brancas e vermelhas, com alto potencial de malignização. No entanto, não é específica do lábio inferior e não está diretamente associada à exposição crônica à luz UV. A descrição do enunciado, com predileção pelo lábio inferior, associação com distúrbios genéticos e cofatores como tabagismo e imunossupressão, não corresponde à eritroleucoplasia.

Gabarito: letra C

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