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Questão de Português — Interpretação de Textos — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg476049
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Estância Velha - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Língua Portuguesa
Com base no poema abaixo, do livro “ Colecionador de Pedras”, do poeta Sérgio Vaz (2021), analise as assertivas a seguir:Ontem famintoalmocei um livro do Nerudacom molho lírico à Cecília,bebi toda poesia do Quintanae, de sobremesa, Drummond – delícia!Ainda belisquei uns sonetos do Viníciusenquanto esperava o jantar, Clarice.De nada adiantou:a fome só fez aumentar.I. O poema se constrói sobre a imagem do ato de digerir as obras dos poetas nomeados em seus versos como se a leitura fosse uma espécie de alimento.II. Em “e, de sobremesa, Drummond – delícia!”, o poeta faz uso da personificação ao nomear a obra com o mesmo nome do autor.III. Os dois últimos versos abrem caminho para diferentes possibilidades de interpretação da palavra “fome”, uma vez que o poeta não define de que tem fome.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise das assertivas sobre o poema de Sérgio Vaz

Gabarito: letra D (apenas I e III). As assertivas I e III estão corretas; a II erra ao confundir metonímia com personificação. A resposta decora da leitura atenta do poema e do conhecimento das figuras de linguagem.

Ontem faminto / almocei um livro do Neruda / com molho lírico à Cecília, / bebi toda poesia do Quintana / e, de sobremesa, Drummond – delícia! / Ainda belisquei uns sonetos do Vinícius / enquanto esperava o jantar, Clarice. / De nada adiantou: / a fome só fez aumentar.

Assertiva

Análise

Correta?

I. O poema se constrói sobre a imagem do ato de digerir as obras dos poetas nomeados em seus versos como se a leitura fosse uma espécie de alimento.

O poema inteiro usa metáfora alimentar: "almocei um livro", "bebi toda poesia", "sobremesa", "belisquei sonetos". A leitura é equiparada a alimento.

✅ Sim

II. Em “e, de sobremesa, Drummond – delícia!”, o poeta faz uso da personificação ao nomear a obra com o mesmo nome do autor.

Há metonímia (autor pela obra), não personificação. Personificação exigiria atribuir ação humana a ser inanimado.

❌ Não

III. Os dois últimos versos abrem caminho para diferentes possibilidades de interpretação da palavra “fome”, uma vez que o poeta não define de que tem fome.

"Fome" é ambígua: pode ser literal ou de leitura/conhecimento. O poeta não define, permitindo múltiplas interpretações.

✅ Sim

Item I — ✅ Correta

O poema inteiro se constrói sobre a metáfora alimentar: "almocei um livro", "bebi toda poesia", "sobremesa", "belisquei sonetos". A leitura é equiparada a alimento, e o ato de digerir obras é a imagem central. Portanto, correta.

Item II — ❌ Incorreta

A passagem "de sobremesa, Drummond – delícia!" usa metonímia: o nome do autor substitui a obra (autor pela obra). Não há personificação, que seria atribuir características humanas a algo não humano. O erro é trocar figura de linguagem.

PEGA ESSA DICA!

Na dúvida entre metonímia e personificação, pergunte: o termo está substituindo outro por relação de contiguidade (autor/obra, causa/efeito)? Se sim, é metonímia. Personificação exige ação humana em ser inanimado.

Item III — ✅ Correta

Os dois últimos versos: "De nada adiantou: / a fome só fez aumentar." A palavra "fome" é ambígua: pode ser fome literal (física) ou fome de leitura/conhecimento. O poeta não define, abrindo múltiplas interpretações. Correta.

Conclusão: corretas I e III. O gabarito é a letra D (apenas I e III).

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