Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2025
- Código
- qg476742
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Imbé - RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ginecologista
- AApenas I.
- BApenas IV.
- CApenas I, II e III.
- DApenas II, III e IV.
- EI, II, III e IV.
GabaritoD — Apenas II, III e IV.
Gabarito: letra D — estão corretas as assertivas II, III e IV. A assertiva I está incorreta porque inverte o conceito de especificidade: ela é a capacidade de identificar os verdadeiros negativos (VN) entre os não doentes, e não os verdadeiros positivos (VP), que pertencem à sensibilidade. As demais assertivas descrevem corretamente o coeficiente de letalidade, a lógica dos ensaios clínicos randomizados e os elementos essenciais de um protocolo de revisão sistemática.
A epidemiologia é a ciência que estuda a distribuição e os determinantes dos eventos de saúde em populações, e suas ferramentas incluem medidas de frequência, de associação e de impacto, além dos delineamentos de pesquisa. Para resolver esta questão, é preciso dominar três blocos de conteúdo: (1) os conceitos de sensibilidade e especificidade de um teste diagnóstico; (2) as medidas de morbidade, em especial o coeficiente de letalidade; e (3) os delineamentos de pesquisa, com destaque para o ensaio clínico randomizado e a revisão sistemática.
Sensibilidade e especificidade são medidas de validade de um teste dicotômico (positivo/negativo) em relação a um padrão-ouro. A sensibilidade é a probabilidade de o teste dar positivo entre os doentes — ou seja, a proporção de verdadeiros positivos (VP) entre todos os doentes (VP + FN). A especificidade é a probabilidade de o teste dar negativo entre os não doentes — a proporção de verdadeiros negativos (VN) entre todos os não doentes (VN + FP). A assertiva I troca os termos: ela define especificidade como VP/(VP+FN), que é exatamente a fórmula da sensibilidade. Essa inversão é uma pegadinha clássica de prova.
O coeficiente de letalidade é uma medida de gravidade da doença: expressa a proporção de casos que evoluem para óbito. É calculado dividindo o número de óbitos por uma determinada doença pelo número de casos dessa doença, em um período e local. Por medir a capacidade de uma doença de matar, é útil para expressar o prognóstico de doenças de curta duração e condições agudas, como infecções graves, em que o desfecho óbito ocorre em um intervalo curto após o diagnóstico. Para doenças crônicas, de longa duração, outras medidas (como sobrevida) são mais adequadas.
O ensaio clínico randomizado (ECR) é o delineamento padrão-ouro para avaliar intervenções terapêuticas. Nele, o investigador aplica uma intervenção (por exemplo, um medicamento) e observa seus efeitos sobre um ou mais desfechos (por exemplo, cura, sobrevida). A característica central é a alocação aleatória dos participantes nos grupos intervenção e controle, o que minimiza a influência de variáveis confundidoras, distribuindo-as de forma equilibrada entre os grupos. A randomização é o que confere ao ECR sua alta validade interna.
A revisão sistemática é um tipo de estudo secundário que sintetiza evidências de estudos primários sobre uma questão específica. Seu protocolo deve ser pré-definido e incluir: a questão de pesquisa clara, os métodos para identificação de todos os estudos elegíveis (estratégia de busca), os critérios de inclusão e exclusão, os métodos para extração de dados, a avaliação da qualidade metodológica dos estudos e a avaliação da heterogeneidade dos achados. A assertiva IV lista corretamente esses elementos.
Agora, vamos analisar cada assertiva em detalhe, aplicando os conceitos recém-revisados.
A assertiva define especificidade como a capacidade de identificar resultados Verdadeiros Positivos (VP) dividida pela soma dos resultados Verdadeiros (VP) e Falsos Negativos (FN). Isso está errado: essa fórmula é a da sensibilidade. A especificidade é a proporção de verdadeiros negativos (VN) entre os não doentes, ou seja, VN/(VN+FP). A banca inverteu os conceitos, uma armadilha comum. Para fixar: sensibilidade = VP/(VP+FN) — capacidade de detectar doentes; especificidade = VN/(VN+FP) — capacidade de detectar não doentes.
O coeficiente de letalidade é, de fato, uma medida útil para expressar o prognóstico de doenças de curta duração e condições agudas. Ele mede a proporção de óbitos entre os casos, refletindo a gravidade da doença. Em doenças agudas, o desfecho óbito ocorre em um curto intervalo, tornando a letalidade uma medida adequada de prognóstico. A assertiva está correta.
A assertiva descreve corretamente o ensaio clínico randomizado: o investigador aplica uma intervenção e observa seus efeitos sobre desfechos, e a alocação aleatória minimiza a influência de variáveis confundidoras. A randomização equilibra fatores de confusão entre os grupos, permitindo atribuir diferenças de desfecho à intervenção. A assertiva está correta.
A assertiva lista corretamente elementos do protocolo de uma revisão sistemática: questão de pesquisa clara, métodos para identificação de estudos elegíveis, métodos para extração de dados e avaliação da heterogeneidade. Esses são componentes essenciais de um protocolo de revisão sistemática, conforme as diretrizes metodológicas (como as do Cochrane Handbook). A assertiva está correta.
A banca inverteu os conceitos de sensibilidade e especificidade na assertiva I. O candidato que confunde as fórmulas marca a alternativa errada. Lembre-se: sensibilidade = VP/(VP+FN) — foca nos doentes; especificidade = VN/(VN+FP) — foca nos não doentes. Uma dica: "S" de sensibilidade lembra "doente" (quem tem a doença), e "E" de especificidade lembra "sadio" (quem não tem).
Para questões de epidemiologia, monte uma tabela mental com as medidas de validade de teste (sensibilidade, especificidade, VPP, VPN) e as medidas de frequência (incidência, prevalência, letalidade). Isso ajuda a diferenciar cada conceito e evita cair em inversões como a da assertiva I.
Conclusão: Corretas as assertivas II, III e IV. Portanto, a alternativa correta é a letra D.
Gabarito: letra D
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