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Questão de Medicina — Lúpus Eritematoso Disseminado (LED) — FUNDATEC 2025

MedicinaLúpus Eritematoso Disseminado (LED)
Código
qg477395
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Marau - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico
Uma mulher de 30 anos apresenta febre, fadiga, artralgia e uma erupção eritematosa malar que respeita o sulco nasolabial. Exames laboratoriais revelam anemia, leucopenia e presença de anticorpos antinucleares (FAN) positivos em padrão homogêneo. Qual é o diagnóstico mais provável?
  1. AArtrite reumatoide.
  2. BFebre reumática.
  3. CEsclerose sistêmica.
  4. DDermatomiosite.
  5. ELúpus eritematoso sistêmico (LES).
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GabaritoE — Lúpus eritematoso sistêmico (LES).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lúpus Eritematoso Sistêmico: diagnóstico clínico-laboratorial

Gabarito: letra E. O quadro descrito — mulher jovem com febre, fadiga, artralgia, erupção eritematosa malar que respeita o sulco nasolabial, anemia, leucopenia e FAN positivo em padrão homogêneo — é a apresentação clássica do lúpus eritematoso sistêmico (LES), doença autoimune multissistêmica. O eritema malar em "asa de borboleta" poupando as pregas nasolabiais é a manifestação cutânea mais característica, e a combinação com citopenias e FAN positivo fecha o diagnóstico na prática clínica.

O LES é uma doença autoimune crônica que pode afetar praticamente qualquer órgão, com curso marcado por crises e remissões. A patogênese envolve perda da autotolerância, com produção de autoanticorpos e formação de imunocomplexos que lesam tecidos. As manifestações são extremamente heterogêneas: desde sintomas constitucionais inespecíficos (febre, fadiga, perda de peso) até comprometimento renal, neurológico, cardíaco e hematológico. Por isso, o diagnóstico exige a integração de dados clínicos e laboratoriais, e os critérios de classificação do American College of Rheumatology (ACR) funcionam como um roteiro útil — embora o diagnóstico seja essencialmente clínico, apoiado por exames.

No caso apresentado, os elementos-chave são: (1) eritema malar que poupa o sulco nasolabial — descrito na literatura como erupção em "asa de borboleta", presente em menos de 50% dos pacientes, mas altamente sugestiva quando presente; (2) artralgia — o acometimento articular é a manifestação mais frequente, presente em mais de 90% dos pacientes; (3) febre e fadiga — sintomas constitucionais comuns; (4) anemia e leucopenia — citopenias que integram os critérios hematológicos; (5) FAN positivo — presente em mais de 95% dos pacientes com LES ativo, embora com baixa especificidade isoladamente.

A banca explora o diagnóstico diferencial com outras doenças reumáticas e autoimunes. A artrite reumatoide (A) cursa com poliartrite simétrica erosiva, mas raramente causa eritema malar e o FAN costuma ser negativo ou em baixos títulos. A febre reumática (B) é sequela de infecção estreptocócica, com cardite, coreia e nódulos subcutâneos — não cursa com FAN positivo nem com eritema malar. A esclerose sistêmica (C) apresenta espessamento cutâneo, fenômeno de Raynaud e anticorpos específicos (anti-Scl-70, anticentrômero), sem o padrão de citopenias e eritema malar. A dermatomiosite (D) cursa com fraqueza muscular proximal e rash heliotrópico/pápulas de Gottron, não com eritema malar poupando o sulco nasolabial.

O FAN positivo em padrão homogêneo é um achado importante, mas não é exclusivo do LES — pode aparecer em outras doenças autoimunes e até em indivíduos sadios. A especificidade aumenta com a presença de anticorpos anti-DNA nativo e anti-Sm, ambos altamente específicos de LES. No caso, a combinação de manifestações clínicas típicas (eritema malar, artralgia, febre) com citopenias e FAN positivo torna o diagnóstico de LES o mais provável, sem necessidade de outros marcadores para a resposta da questão.

Guarde a tríade que decide esta questão: eritema malar poupando o sulco nasolabial + citopenias + FAN positivo = LES até prova em contrário. É exatamente essa combinação que separa o LES das demais alternativas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune que acomete predominantemente as articulações, com poliartrite simétrica e erosiva, rigidez matinal e fator reumatoide/anti-CCP positivos. Não cursa com eritema malar em asa de borboleta, e o FAN, quando positivo, costuma estar em títulos baixos. A presença de anemia e leucopenia pode ocorrer em doenças crônicas, mas não é o padrão típico da AR, que cursa mais com anemia de doença crônica isolada. O quadro descrito — erupção malar poupando o sulco nasolabial — é o ponto que afasta a AR de forma decisiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A febre reumática é uma complicação não supurativa tardia da infecção pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A, que afeta coração, articulações, pele e sistema nervoso. Manifesta-se com cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, nódulos subcutâneos e eritema marginado — este último é uma erupção rósea evanescente, mas não tem a localização malar nem poupa o sulco nasolabial. O FAN não faz parte do diagnóstico e as citopenias não são esperadas. A artralgia e a febre podem confundir, mas a ausência de eritema malar típico e a presença de FAN positivo afastam a febre reumática.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A esclerose sistêmica (esclerodermia) é uma doença autoimune caracterizada por fibrose cutânea e visceral, fenômeno de Raynaud, disfagia e hipertensão pulmonar. As manifestações cutâneas incluem espessamento e endurecimento da pele, telangiectasias e calcinose, mas não eritema malar em asa de borboleta. Os anticorpos característicos são anti-Scl-70 e anticentrômero, e o FAN pode ser positivo, porém em padrões diferentes (nucleolar, pontilhado). Anemia e leucopenia não são manifestações proeminentes. O quadro descrito não se encaixa na esclerose sistêmica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dermatomiosite é uma miopatia inflamatória idiopática que cursa com fraqueza muscular proximal, elevação de enzimas musculares (CK, aldolase) e manifestações cutâneas características: rash heliotrópico (eritema violáceo periorbital) e pápulas de Gottron (sobre as articulações metacarpofalangianas). Não há eritema malar poupando o sulco nasolabial. O FAN pode ser positivo, mas as citopenias não são típicas. A artralgia pode ocorrer, mas o quadro cutâneo é completamente diferente do descrito no enunciado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O LES é a doença que melhor explica o conjunto de achados: eritema malar em asa de borboleta poupando o sulco nasolabial (manifestação cutânea clássica), artralgia (acometimento articular em mais de 90% dos pacientes), febre e fadiga (sintomas constitucionais), anemia e leucopenia (critérios hematológicos) e FAN positivo (presente em mais de 95% dos casos). A combinação de critérios clínicos e laboratoriais — mesmo sem contar todos os 11 critérios do ACR — torna o diagnóstico de LES o mais provável e é o que a banca espera que o candidato reconheça.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na sobreposição de sintomas entre as doenças reumáticas — febre, fadiga e artralgia aparecem em todas elas. O que desempata é o eritema malar que poupa o sulco nasolabial, que é praticamente patognomônico de LES. Se a alternativa trouxer esse achado, a resposta é LES, mesmo que outros sintomas pareçam compatíveis com outras doenças.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, monte um quadro mental rápido: eritema malar + FAN positivo + citopenias = LES; poliartrite erosiva + fator reumatoide = artrite reumatoide; fraqueza proximal + rash heliotrópico = dermatomiosite; espessamento cutâneo + Raynaud = esclerose sistêmica. Essa diferenciação resolve a maioria das questões de diagnóstico diferencial em reumatologia.

Gabarito: letra E — Lúpus eritematoso sistêmico (LES).

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