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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg479032
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Soledade - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico 08h 20h 40h
A Tuberculose (TB) é uma doença que pode ser prevenida e curada, mas ainda prevalece em condições de pobreza e contribui para perpetuação da desigualdade social. Acerca dessa patologia, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) TB pleural é a forma mais comum de TB extrapulmonar em pessoas infectadas pelo HIV.( ) A radiografia de tórax deve ser solicitada para todo paciente com suspeita clínica de TB pulmonar.( ) Nas crianças, a tuberculose pulmonar tende a apresentar maior eliminação de bacilos, em razão da imaturidade do sistema imunológico.( ) A isoniazida é contraindicada durante a gestação pelo risco potencial de toxicidade neurológica ao feto.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
  1. AF – V – F – F.
  2. BV – F – V – F.
  3. CF – V – V – F.
  4. DV – V – F – V.
  5. EF – F – V – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — F – V – F – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tuberculose: análise de assertivas sobre diagnóstico, formas clínicas e tratamento

Gabarito: letra A (F – V – F – F). A sequência correta é: primeira assertiva falsa (a TB pleural é a forma mais comum de TB extrapulmonar em pessoas não infectadas pelo HIV; em PVHIV, a forma mais frequente é a ganglionar periférica), segunda verdadeira (a radiografia de tórax é exame de rotina na suspeita de TB pulmonar), terceira falsa (na criança, a TB pulmonar é paucibacilar, com baixa eliminação de bacilos) e quarta falsa (a isoniazida não é contraindicada na gestação; o esquema básico pode ser usado, com suplementação de piridoxina). A fundamentação está no Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, do Ministério da Saúde.

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que acomete preferencialmente os pulmões, mas pode se manifestar em qualquer órgão. A forma pulmonar é a mais comum e a mais relevante do ponto de vista epidemiológico, pois é a responsável pela transmissão pessoa a pessoa por via respiratória. As formas extrapulmonares ocorrem por disseminação hematogênica ou linfática do bacilo, especialmente em imunocomprometidos, como as pessoas vivendo com HIV (PVHIV).

A apresentação clínica da TB depende da interação entre o bacilo e o sistema imunológico do hospedeiro. Na primoinfecção, o sistema imune geralmente consegue conter a multiplicação bacilar, formando o complexo primário. Em crianças, especialmente nas menores de 10 anos, a doença tende a ser paucibacilar, ou seja, com poucos bacilos no escarro, o que dificulta o diagnóstico bacteriológico e reduz a transmissibilidade. Isso contraria a ideia de que a imaturidade imunológica levaria a maior eliminação de bacilos — na prática, ocorre o oposto.

O diagnóstico da TB pulmonar baseia-se na associação de sintomas (tosse por mais de 2 semanas, febre, sudorese noturna, emagrecimento), exame de imagem e confirmação bacteriológica. A radiografia de tórax é o exame de imagem inicial e deve ser solicitada para todo paciente com suspeita clínica, pois permite identificar padrões sugestivos como infiltrados, cavitações, adenopatias hilares e o padrão miliar. Em crianças, a radiografia é ainda mais importante, pois a baciloscopia costuma ser negativa.

No tratamento da TB, o esquema básico para adultos e adolescentes inclui rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Na gestação, o esquema básico pode ser administrado nas doses habituais, com a adição de piridoxina (vitamina B6) para prevenir a neuropatia periférica associada à isoniazida. Portanto, a isoniazida não é contraindicada na gestação; pelo contrário, o tratamento da TB na gestante é essencial para prevenir a TB congênita e as complicações materno-fetais.

A banca explora a confusão entre as formas de TB extrapulmonar mais comuns em diferentes populações. Enquanto a TB pleural predomina em imunocompetentes, a TB ganglionar periférica é a mais frequente em PVHIV e em crianças. Essa distinção é clássica e frequentemente cobrada em provas de residência e concursos.

  1. 1TB pleural em PVHIV
  2. 2RX tórax na suspeita
  3. 3Criança paucibacilar
  4. 4Isoniazida na gestação
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Assertiva 1 — ❌ Falsa

A assertiva afirma que a TB pleural é a forma mais comum de TB extrapulmonar em pessoas infectadas pelo HIV. Isso está incorreto. Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, a TB pleural é a forma mais comum em pessoas não infectadas pelo HIV. Em PVHIV, a forma mais frequente é a TB ganglionar periférica, especialmente em pacientes com imunocomprometimento grave. A banca inverteu a população-alvo, uma pegadinha clássica.

Assertiva 2 — ✅ Verdadeira

A radiografia de tórax deve ser solicitada para todo paciente com suspeita clínica de TB pulmonar. O Manual de Recomendações indica que, na presença de sintomatologia respiratória, deve-se iniciar a investigação com baciloscopia e cultura de escarro ou TRM-TB; caso sejam negativas e persista a suspeita, está indicada a radiografia de tórax. Além disso, a radiografia é essencial para identificar padrões sugestivos de TB, como infiltrados, cavitações e adenopatias hilares. Portanto, a assertiva está correta.

Assertiva 3 — ❌ Falsa

A assertiva afirma que, nas crianças, a tuberculose pulmonar tende a apresentar maior eliminação de bacilos devido à imaturidade do sistema imunológico. Isso é falso. Na verdade, a TB na infância é paucibacilar, ou seja, há poucos bacilos, o que dificulta o diagnóstico bacteriológico. O Manual de Recomendações destaca o caráter paucibacilar da TB na maioria das crianças, sendo o lavado gástrico o método mais utilizado para pesquisa. A imaturidade imunológica não aumenta a eliminação de bacilos; pelo contrário, a doença tende a ser mais contida, embora com maior risco de formas graves como a miliar e a meningoencefálica.

Assertiva 4 — ❌ Falsa

A assertiva afirma que a isoniazida é contraindicada durante a gestação pelo risco potencial de toxicidade neurológica ao feto. Isso é falso. O Manual de Recomendações afirma que o esquema básico pode ser administrado a gestantes nas doses habituais, adicionando-se piridoxina (50 mg/dia) pelo risco de comprometimento neurológico no recém-nascido devido à isoniazida. Portanto, a isoniazida não é contraindicada na gestação; a suplementação de piridoxina é que é recomendada para prevenir a neuropatia. A banca trocou a contraindicação pela necessidade de suplementação.

Conclusão: Corretas: apenas a segunda assertiva → portanto, a sequência é F – V – F – F, correspondente à letra A.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as formas de TB extrapulmonar mais comuns: TB pleural em imunocompetentes vs. TB ganglionar em PVHIV. Além disso, na gestação, a isoniazida não é contraindicada — o que se recomenda é a suplementação de piridoxina. Fique atento a essas trocas clássicas!

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar: na criança, TB é paucibacilar (poucos bacilos) — por isso o diagnóstico é difícil e usa-se lavado gástrico. Na gestação, o esquema básico é mantido com piridoxina. Esses dois pontos são recorrentes em provas.

Gabarito: letra A

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