Homem, 62 anos, fumante de 40 maços-ano, com diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), está em seguimento na atenção primária. Encontra-se em uso de LAMA (Broncodilatador Antimuscarínico de Longa Ação) associado a LABA (Agonista β2 de Longa Ação). Apesar da terapia vigente, mantém dispneia importante e apresentou duas exacerbações moderadas no último ano. O hemograma recente mostra eosinófilos de 400 células/µL. Além da cessação do tabagismo, de acordo com as recomendações do GOLD 2025, qual é a conduta mais apropriada?
AManter LAMA + LABA e acrescentar um antagonista seletivo do receptor de Leucotrienos devido ao alto risco de exacerbações.
BTrocar o esquema para apenas LABA + CI (Corticoide Inalatório) devido à eosinofilia.
CAcrescentar CI ao esquema atual, formando LAMA + LABA + CI.
DSuspender os broncodilatadores e iniciar terapia de resgate com SABA + CI.
EManter LAMA + LABA e tentar otimizar a dose do LABA antes de considerar outras opções terapêuticas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Acrescentar CI ao esquema atual, formando LAMA + LABA + CI.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
DPOC: terapia tripla (LAMA + LABA + CI) no Grupo E com eosinofilia
Gabarito: letra C. O paciente é classificado como Grupo E (duas exacerbações moderadas no último ano) e, apesar da terapia dupla LAMA + LABA, mantém exacerbações e apresenta eosinofilia ≥ 300 células/µL (400 células/µL). Segundo o GOLD 2025 e o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, a conduta é acrescentar corticoide inalatório (CI) ao esquema atual, formando a terapia tripla LAMA + LABA + CI.
A DPOC é uma doença respiratória crônica caracterizada por obstrução persistente do fluxo aéreo, geralmente associada ao tabagismo. O tratamento farmacológico é guiado pela avaliação dos sintomas (dispneia) e pelo risco de exacerbações. O GOLD 2025 classifica os pacientes em grupos (A, B e E), sendo o Grupo E definido por alto risco de exacerbações (≥ 2 exacerbações moderadas ou ≥ 1 internação por exacerbação no último ano). Para o Grupo E, o tratamento inicial preferencial é a dupla broncodilatação de longa ação (LAMA + LABA).
O ponto central desta questão é a decisão de quando adicionar o corticoide inalatório (CI). A eosinofilia sanguínea é um biomarcador importante para prever a resposta ao CI. O GOLD 2025 e o PCDT estabelecem que a terapia tripla (LAMA + LABA + CI) é indicada para pacientes do Grupo E, especialmente quando há eosinofilia ≥ 300 células/µL ou quando as exacerbações persistem apesar do uso de LAMA + LABA. Neste caso, o paciente tem eosinófilos de 400 células/µL (acima do limiar de 300), o que reforça fortemente a indicação de adicionar o CI.
Na prática, o paciente já está em uso de LAMA + LABA, mas mantém dispneia importante e apresentou duas exacerbações moderadas no último ano. A eosinofilia de 400 células/µL é um forte preditor de resposta ao CI. Portanto, a conduta mais apropriada é acrescentar o CI ao esquema atual, formando a terapia tripla. As demais alternativas apresentam condutas inadequadas: manter apenas a dupla broncodilatação sem otimizar (E), trocar para LABA + CI (B) — o que abandona o LAMA, que é a base do tratamento —, acrescentar antagonista de leucotrienos (A), que não é uma terapia estabelecida para DPOC, ou suspender os broncodilatadores de manutenção (D), o que seria um erro grave.
A distinção crucial que separa as alternativas é o papel da eosinofilia na decisão de adicionar CI. A banca explora a confusão entre os critérios de indicação do CI: não basta ter exacerbações frequentes; é preciso considerar a contagem de eosinófilos. O limiar de ≥ 300 células/µL é um gatilho claro para a terapia tripla, e o paciente está bem acima desse valor. Guarde essa fronteira: Grupo E + eosinófilos ≥ 300 = adicionar CI à dupla broncodilatação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O antagonista seletivo do receptor de leucotrienos (como montelucaste) não é uma terapia estabelecida para a DPOC. Ele é utilizado no tratamento da asma, não na DPOC. A conduta correta para este paciente, com eosinofilia e exacerbações frequentes, é adicionar CI, não antagonista de leucotrienos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Trocar o esquema para apenas LABA + CI seria um erro, pois abandonaria o LAMA, que é a base do tratamento broncodilatador na DPOC. A terapia dupla LABA + CI é indicada em situações específicas (como asma associada à DPOC), mas não é a conduta preferencial neste caso. O paciente já está em uso de LAMA + LABA e a adição de CI (terapia tripla) é superior à troca para LABA + CI na redução de exacerbações.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente é Grupo E (duas exacerbações moderadas no último ano) e apresenta eosinofilia de 400 células/µL (≥ 300). Segundo o GOLD 2025 e o PCDT, a terapia tripla LAMA + LABA + CI é indicada para pacientes do Grupo E com eosinofilia ≥ 300 células/µL ou com exacerbações persistentes apesar da dupla broncodilatação. Portanto, acrescentar CI ao esquema atual é a conduta mais apropriada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Suspender os broncodilatadores de manutenção e iniciar apenas terapia de resgate com SABA + CI é uma conduta totalmente inadequada. A suspensão da terapia de manutenção em um paciente com DPOC Grupo E e sintomas importantes levaria a uma piora clínica significativa. A terapia de resgate (SABA) é para alívio imediato de sintomas, não substitui a manutenção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Manter LAMA + LABA e tentar otimizar a dose do LABA não é a conduta mais apropriada, pois o paciente já apresenta eosinofilia ≥ 300 células/µL, um forte indicador de resposta ao CI. A otimização da dose do LABA pode ser considerada, mas não substitui a adição do CI, que é a medida com maior impacto na redução de exacerbações neste cenário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os critérios de indicação do CI. Muitos candidatos podem pensar que, por já estar em uso de LAMA + LABA, a próxima etapa seria apenas otimizar a dose (alternativa E). No entanto, a eosinofilia de 400 células/µL é o gatilho decisivo: o GOLD 2025 e o PCDT indicam claramente a terapia tripla quando a contagem de eosinófilos é ≥ 300 células/µL. Fique atento a esse limiar — ele é um dos pontos mais cobrados em provas de pneumologia.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de DPOC, memorize o algoritmo do GOLD: (1) avalie o grupo (A, B ou E) pelos sintomas e exacerbações; (2) para o Grupo E, inicie com LAMA + LABA; (3) adicione CI se eosinófilos ≥ 300 células/µL ou se exacerbações persistirem. Esse fluxo resolve a maioria das questões sobre tratamento farmacológico da DPOC.