Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg479037
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Soledade - RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico 08h 20h 40h
Durante atendimento de pré-natal na Unidade Básica de Saúde (UBS), uma gestante de 35 semanas, G2P1, comparece assintomática para consulta de rotina. Relata boa vitalidade fetal, ausência de sangramentos e contrações dolorosas, ou perda de líquido. Durante a avaliação clínica, observa-se PA de 118 × 76 mmHg, frequência cardíaca fetal de 150 bpm e altura uterina de 33 cm. A ultrassonografia solicitada previamente, realizada há 3 dias, estimou peso fetal em 3.400 Kg, com circunferência abdominal acima do percentil 90. Considerando o acompanhamento pré-natal na UBS, qual é o diagnóstico mais provável?
ATabagismo materno.
BInfecção congênita por rubéola.
CMalformação fetal isolada.
DDiabetes gestacional.
EToxoplasmose congênita.
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GabaritoD — Diabetes gestacional.
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Macrossomia fetal e diabetes gestacional no pré-natal
Gabarito: letra D. O quadro descrito — gestante assintomática, com peso fetal estimado de 3.400 kg (na verdade, 3.400 g) e circunferência abdominal acima do percentil 90 — é o padrão clássico de macrossomia fetal, complicação mais característica do diabetes gestacional (DMG). As demais alternativas (tabagismo, rubéola, malformação isolada, toxoplasmose) não explicam o crescimento fetal excessivo com essa apresentação clínica.
A macrossomia fetal é definida como peso ao nascer acima de 4.000 g (ou acima do percentil 90 para a idade gestacional). No pré-natal, o diagnóstico é suspeitado pela altura uterina acima do esperado e confirmado pela ultrassonografia, que mostra circunferência abdominal (CA) aumentada — o marcador mais sensível de macrossomia, pois reflete o acúmulo de gordura abdominal, típico da exposição fetal à hiperglicemia materna.
No diabetes gestacional, a hiperglicemia materna atravessa a placenta e estimula o pâncreas fetal a produzir mais insulina. A insulina é o principal hormônio de crescimento fetal, promovendo acúmulo de gordura e glicogênio — daí o padrão de crescimento assimétrico (tronco e abdome grandes, cabeça proporcional). Por isso, a CA acima do percentil 90 é um achado ultrassonográfico fortemente sugestivo de DMG, mesmo na ausência de sintomas maternos.
A gestante do caso tem 35 semanas, G2P1 (multípara), PA normal (118×76 mmHg), sem sinais de pré-eclâmpsia, e refere boa vitalidade fetal. Não há dados de sangramento, perda de líquido ou contrações — afastando complicações agudas. O achado isolado de feto grande para a idade gestacional, com CA > p90, em uma gestante assintomática, aponta para o rastreio de diabetes gestacional, que é justamente a condição que mais comumente causa esse padrão de crescimento.
As infecções congênitas (rubéola, toxoplasmose) e o tabagismo materno, ao contrário, tendem a causar restrição de crescimento fetal (RCIU), não macrossomia. Malformações fetais isoladas podem estar associadas a alterações de crescimento, mas não explicam o padrão de CA aumentada sem outros achados. O diagnóstico mais provável, portanto, é o diabetes gestacional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "peso fetal alto" e "diabetes", mas também testa se o candidato sabe que infecções congênitas e tabagismo causam restrição de crescimento, não excesso. O termo decisivo é "circunferência abdominal acima do percentil 90" — isso é o marcador clássico de macrossomia por DMG.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O tabagismo materno está associado a baixo peso ao nascer e restrição de crescimento fetal, não a macrossomia. A nicotina causa vasoconstrição uteroplacentária, reduzindo o aporte de oxigênio e nutrientes ao feto. Portanto, não explica o peso fetal elevado nem a CA > p90.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A rubéola congênita causa restrição de crescimento, além de malformações cardíacas, catarata e surdez. Não há relato de exantema, febre ou outros sinais de infecção materna, e o padrão de crescimento é oposto ao descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Malformação fetal isolada pode cursar com alterações de crescimento, mas não é a causa mais provável de CA > p90 em uma gestante assintomática. O padrão de macrossomia assimétrica (abdome grande) é típico de diabetes gestacional, não de malformação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diabetes gestacional é a condição que mais comumente causa macrossomia fetal, caracterizada por peso fetal > p90 e CA aumentada. A hiperglicemia materna estimula a hiperinsulinemia fetal, promovendo acúmulo de gordura abdominal. O quadro clínico — gestante assintomática, feto grande, CA > p90 — é o cenário clássico de rastreio de DMG no pré-natal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A toxoplasmose congênita causa restrição de crescimento, hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. Não há relato de linfonodomegalia, febre ou outros sinais, e o padrão de crescimento é oposto ao descrito.
Gabarito: letra D — diabetes gestacional, pela macrossomia fetal com CA > p90.