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Gabarito: letra C. No hiperparatireoidismo primário, a secreção autônoma de PTH pela paratireoide leva a cálcio sérico elevado (hipercalcemia), fósforo sérico reduzido (hipofosfatemia, pela ação fosfatúrica do PTH) e PTH elevado — a tríade clássica que define a doença. A alternativa C reproduz exatamente esse padrão.
O hiperparatireoidismo primário (HPTP) é uma doença das glândulas paratireoides — quatro pequenas glândulas localizadas atrás da tireoide — caracterizada pela produção excessiva e autônoma do paratormônio (PTH), na maioria das vezes por um adenoma único (cerca de 80% dos casos). O PTH é o principal hormônio regulador do metabolismo do cálcio e do fósforo: ele aumenta a reabsorção óssea (liberando cálcio e fósforo do osso), aumenta a reabsorção renal de cálcio e estimula a produção renal de calcitriol (1,25-di-hidroxivitamina D), que por sua vez aumenta a absorção intestinal de cálcio. Ao mesmo tempo, o PTH diminui a reabsorção renal de fósforo, aumentando sua excreção urinária.
No HPTP, a glândula perde a sensibilidade ao feedback negativo do cálcio: mesmo com cálcio sérico elevado, o PTH continua sendo secretado em excesso. O resultado bioquímico é a tríade: hipercalcemia + hipofosfatemia + PTH elevado. Esse é o padrão que a alternativa C descreve. É importante contrastar com o hiperparatireoidismo secundário (HPTS), que ocorre em resposta à hipocalcemia (como na doença renal crônica ou deficiência de vitamina D) e cursa com PTH elevado, mas com cálcio baixo ou normal-baixo e fósforo elevado (na DRC) — exatamente o oposto do primário. Já o hiperparatireoidismo terciário, que surge após HPTS de longa duração (habitualmente em doença renal terminal), apresenta hipercalcemia com PTH elevado, mas o contexto clínico é completamente diferente.
A pegadinha desta questão está em confundir o perfil do HPTP com o do HPTS ou do hipoparatireoidismo. No hipoparatireoidismo (PTH baixo ou indetectável), o padrão é hipocalcemia + hiperfosfatemia + PTH baixo — o oposto do HPTP. A banca explora exatamente essa inversão: trocar o cálcio elevado por reduzido, o fósforo reduzido por elevado, ou o PTH elevado por reduzido. Guarde a tríade do HPTP — cálcio ↑, fósforo ↓, PTH ↑ — e compare com as demais condições: é esse contraste que separa as alternativas.
Condição
Cálcio sérico
Fósforo sérico
PTH
Hiperparatireoidismo primário (gabarito)
Elevado
Reduzido
Elevado
Hiperparatireoidismo secundário (DRC)
Reduzido ou normal-baixo
Elevado
Elevado
Hipoparatireoidismo
Reduzido
Elevado
Reduzido
Hiperparatireoidismo primário
1Cálcio sérico
Elevado
2Fósforo sérico
Reduzido
3PTH
Elevado
4Diagnósticos diferenciais
Secundário (DRC)
Cálcio reduzido
Fósforo elevado
PTH elevado
Hipoparatireoidismo
Cálcio reduzido
Fósforo elevado
PTH reduzido
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que no HPTP o cálcio sérico é normal, o fósforo é normal e o PTH é reduzido. Erra em todos os três pontos: o HPTP cursa com hipercalcemia (cálcio elevado), hipofosfatemia (fósforo reduzido) e PTH elevado. O padrão descrito — cálcio normal, fósforo normal e PTH reduzido — não corresponde a nenhuma condição clínica típica; o PTH reduzido com cálcio normal seria um achado esperado em situações de hipercalcemia não mediada por PTH (como hipercalcemia associada à malignidade), mas não no HPTP.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Descreve cálcio sérico reduzido, fósforo sérico elevado e PTH elevado. Esse é o perfil do hiperparatireoidismo secundário (HPTS), que ocorre em resposta à hipocalcemia — como na doença renal crônica, onde a retenção de fósforo e a deficiência de calcitriol levam à hipocalcemia e ao aumento compensatório do PTH. No HPTP, o cálcio está elevado, não reduzido, e o fósforo está reduzido, não elevado. A alternativa inverte o padrão do primário e descreve o secundário.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reproduz exatamente a tríade laboratorial do hiperparatireoidismo primário: cálcio sérico elevado (hipercalcemia, pela reabsorção óssea e renal aumentadas), fósforo sérico reduzido (hipofosfatemia, pela ação fosfatúrica do PTH) e PTH elevado (secreção autônoma pela glândula). Essa é a combinação clássica que define o diagnóstico bioquímico do HPTP.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apresenta cálcio sérico elevado, fósforo sérico elevado e PTH elevado. O erro está no fósforo: no HPTP, o PTH aumenta a excreção renal de fósforo, resultando em hipofosfatemia (fósforo reduzido), não hiperfosfatemia. A combinação de hipercalcemia com hiperfosfatemia e PTH elevado não é típica do HPTP; a hiperfosfatemia com PTH elevado é característica do hiperparatireoidismo secundário à doença renal crônica, mas nesse contexto o cálcio costuma estar baixo ou normal-baixo, não elevado.
Gabarito: letra C — a única alternativa que descreve corretamente o perfil laboratorial do hiperparatireoidismo primário: cálcio elevado, fósforo reduzido e PTH elevado.