Paciente de 50 anos, com histórico de cálculos renais recorrentes, procura atendimento por dor em flanco direito iniciada há 12 horas, de forte intensidade, irradiada para a região inguinal, associada a náuseas e vômitos. A tomografia computadorizada identificou cálculo de 6 mm em ureter proximal, sem sinais de obstrução grave ou infecção. Nos exames laboratoriais, função renal está preservada e não há sinais de leucocitose. Com base nesse quadro, qual é a melhor conduta inicial?
APrescrever antibióticos profiláticos e manter hidratação venosa até a eliminação espontânea do cálculo.
BRealizar litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO) como primeira linha de tratamento.
CEncaminhar para intervenção urológica imediata devido ao tamanho do cálculo.
DIniciar terapia com alfabloqueadores, analgesia e acompanhamento ambulatorial, monitorando eliminação espontânea.
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GabaritoD — Iniciar terapia com alfabloqueadores, analgesia e acompanhamento ambulatorial, monitorando eliminação espontânea.
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Litíase urinária: manejo da cólica renal e conduta inicial
Gabarito: letra D. Para um cálculo ureteral proximal de 6 mm, sem sinais de obstrução grave, infecção ou disfunção renal, a conduta inicial recomendada é o tratamento conservador com alfabloqueadores (para facilitar a eliminação espontânea), analgesia adequada e acompanhamento ambulatorial — exatamente o que a alternativa D descreve. Essa conduta está alinhada com as diretrizes de urologia, que indicam observação e terapia médica expulsiva para cálculos < 10 mm em pacientes estáveis.
A litíase urinária é uma condição frequente, caracterizada pela presença de cálculos no trato urinário, que podem causar obstrução e dor intensa (cólica renal). O manejo inicial depende de fatores como tamanho e localização do cálculo, presença de infecção, função renal e sintomas. Cálculos pequenos (< 5 mm) têm alta probabilidade de eliminação espontânea, enquanto cálculos maiores (> 6 mm) têm menor chance, mas ainda podem ser manejados conservadoramente se não houver complicações. A terapia médica expulsiva (TME) com alfabloqueadores (ex.: tansulosina) é recomendada para cálculos ureterais de 5 a 10 mm, pois relaxa o ureter e facilita a passagem do cálculo. A analgesia inicial deve ser feita com AINEs ou dipirona, que são tão eficazes quanto opioides, com menos efeitos adversos. A hidratação forçada não é recomendada, pois não aumenta a taxa de eliminação. A intervenção cirúrgica (LECO, ureteroscopia) é reservada para casos de falha do tratamento conservador, cálculos > 10 mm, obstrução grave, infecção ou disfunção renal.
No caso apresentado, o paciente tem 50 anos, cálculo de 6 mm em ureter proximal, sem obstrução grave, sem infecção (sem leucocitose) e com função renal preservada. Esses são critérios para manejo conservador. A dor é controlada com analgesia (AINEs ou dipirona), e o alfabloqueador (tansulosina) é indicado para facilitar a passagem do cálculo. O acompanhamento ambulatorial é apropriado, com reavaliação em 2-4 semanas. A eliminação espontânea é esperada em cerca de 50-60% dos casos para cálculos de 5-10 mm.
A pegadinha da questão está em considerar o tamanho do cálculo (6 mm) como indicação automática de intervenção, quando na verdade, na ausência de complicações, o manejo conservador é a primeira escolha. A banca também testa o conhecimento sobre a terapia médica expulsiva, que é uma recomendação baseada em evidências para cálculos ureterais.
Guarde o critério decisivo: cálculo < 10 mm, sem obstrução grave, sem infecção, sem disfunção renal → tratamento conservador com TME e analgesia. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Prescrever antibióticos profiláticos não é indicado, pois não há sinais de infecção (sem leucocitose, sem febre). Antibióticos são reservados para casos de infecção associada (sepse urinária, pielonefrite). Além disso, a hidratação venosa forçada não é recomendada, pois não aumenta a taxa de eliminação espontânea do cálculo. O erro está em usar antibióticos sem indicação e hidratação venosa sem benefício comprovado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO) é uma opção de tratamento, mas não é a primeira linha para um cálculo de 6 mm sem complicações. A LECO é indicada para cálculos < 10 mm, mas o tratamento conservador com TME é preferível como abordagem inicial, reservando a LECO para casos de falha do manejo conservador ou quando há indicação de intervenção. A alternativa erra ao indicar LECO como primeira linha, ignorando a possibilidade de eliminação espontânea com terapia médica expulsiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Encaminhar para intervenção urológica imediata devido ao tamanho do cálculo é incorreto. O tamanho de 6 mm, isoladamente, não é indicação de intervenção imediata, especialmente na ausência de obstrução grave, infecção ou disfunção renal. A intervenção é reservada para casos de falha do tratamento conservador, cálculos > 10 mm, obstrução significativa, infecção ou dor refratária. A alternativa erra ao considerar o tamanho como critério isolado para intervenção imediata.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Iniciar terapia com alfabloqueadores, analgesia e acompanhamento ambulatorial, monitorando eliminação espontânea, é a conduta correta. O alfabloqueador (tansulosina) facilita a passagem do cálculo ao relaxar o ureter. A analgesia com AINEs ou dipirona controla a dor. O acompanhamento ambulatorial permite monitorar a eliminação espontânea, que é esperada em cálculos < 10 mm sem complicações. Essa abordagem está alinhada com as diretrizes de urologia para o manejo conservador da litíase ureteral.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, lembre-se: cálculo < 10 mm, sem obstrução grave, sem infecção, sem disfunção renal → tratamento conservador com TME (alfabloqueador) e analgesia. Intervenção (LECO, ureteroscopia) é para falha do conservador, cálculos > 10 mm, obstrução grave, infecção ou dor refratária. Essa regra resolve a maioria das questões de litíase.