A paralisia facial unilateral de início agudo frequentemente ocorre de forma idiopática (Paralisia de Bell). Acerca dessa patologia, assinale a alternativa correta.
AO comprometimento é limitado ao terço inferior da face, poupando a musculatura frontal.
BO diagnóstico é clínico, sendo indicado exames complementares apenas em casos atípicos ou com sinais de alerta.
CÉ mais comum em pacientes idosos com história de trauma cranioencefálico.
DO tratamento com corticoides é contraindicado nos primeiros 7 dias do quadro clínico.
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GabaritoB — O diagnóstico é clínico, sendo indicado exames complementares apenas em casos atípicos ou com sinais de alerta.
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Paralisia de Bell: diagnóstico e manejo
Gabarito: letra B. A paralisia facial periférica idiopática (Paralisia de Bell) tem diagnóstico essencialmente clínico, e os exames complementares são reservados para casos atípicos ou com sinais de alerta — exatamente o que afirma a alternativa B. O comprometimento atinge toda a hemiface (incluindo a fronte), não apenas o terço inferior; é mais comum em adultos jovens e de meia-idade, sem relação com trauma cranioencefálico; e o tratamento com corticoides é justamente indicado nos primeiros 7 dias, não contraindicado.
A Paralisia de Bell é a causa mais frequente de paralisia facial periférica aguda unilateral. Trata-se de uma neuropatia do nervo facial (VII par craniano), de etiologia idiopática, embora se acredite que muitos casos estejam associados à reativação do vírus herpes simples tipo 1 no gânglio geniculado. O quadro clássico é o início súbito de fraqueza na hemiface ipsilateral à lesão, com apagamento do sulco nasolabial, desvio da comissura labial para o lado sadio e impossibilidade de fechar o olho do lado afetado — podendo surgir o sinal de Bell, em que o globo ocular se desvia para cima e para fora na tentativa de oclusão palpebral.
O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico. A grande questão é diferenciar a paralisia periférica da central: na periférica, toda a hemiface é comprometida (inclusive a musculatura frontal, pois a porção superior do núcleo do facial recebe inervação bilateral do córtex); na central, apenas o andar inferior da hemiface contralateral à lesão é afetado, preservando a capacidade de enrugar a testa. Essa distinção é crucial e explica por que a alternativa A está errada.
Quanto ao tratamento, o uso de corticoides (prednisona) é a base da terapêutica, devendo ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 72 horas e, no máximo, dentro dos primeiros 7 dias de sintomas. O benefício é maior quando o tratamento é precoce, reduzindo a inflamação do nervo e melhorando o prognóstico de recuperação. A associação com antivirais (aciclovir ou valaciclovir) é discutida, mas os corticoides isoladamente são o pilar do tratamento.
A banca explora aqui a confusão entre paralisia facial periférica e central, além de inverter a indicação do corticosteroide. Guarde bem: periférica = hemiface inteira + sinal de Bell; central = andar inferior contralateral + preservação da fronte. E lembre: corticoides são indicados, não contraindicados, na fase aguda.
Paralisia facial
1Periférica (Bell)
Toda a hemiface
Sinal de Bell
Corticoides indicados (até 7 dias)
2Central
Andar inferior contralateral
Fronte poupada
Investigar AVC
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O comprometimento na Paralisia de Bell (periférica) atinge toda a hemiface, incluindo a musculatura frontal. A poupança da fronte é característica da paralisia facial central, em que a lesão do neurônio motor superior poupa a porção superior da face, pois esta recebe inervação bilateral do córtex. A banca troca o padrão periférico pelo central.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico da Paralisia de Bell é clínico, feito pela história típica e exame físico. Exames complementares (como ressonância magnética, exames laboratoriais ou eletroneuromiografia) são reservados para casos atípicos — por exemplo, quando há suspeita de tumor, AVC, infecção ou quando a paralisia não melhora no tempo esperado — ou quando há sinais de alerta, como perda auditiva, paralisia de outros nervos cranianos, ou evolução progressiva além de 3 semanas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Paralisia de Bell é mais comum em adultos jovens e de meia-idade (pico entre 20 e 40 anos), e não tem relação com trauma cranioencefálico. O trauma craniano pode causar paralisia facial periférica por lesão direta do nervo no osso temporal, mas isso é uma causa secundária, não idiopática, e não é o perfil epidemiológico da doença. A banca mistura uma causa secundária com a apresentação típica da forma idiopática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tratamento com corticoides é indicado nos primeiros 7 dias do quadro, sendo mais eficaz quando iniciado precocemente (idealmente nas primeiras 72 horas). A alternativa inverte a recomendação, afirmando que é contraindicado — o que contraria a prática clínica baseada em evidências, que mostra redução da inflamação do nervo e melhora do prognóstico com o uso de prednisona na fase aguda.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas confusões clássicas: (1) troca o padrão periférico (hemiface inteira) pelo central (terço inferior), e (2) inverte a indicação do corticosteroide, dizendo que é contraindicado quando na verdade é o tratamento de escolha. Na prova, ao ver "terço inferior" ou "contraindicado", desconfie imediatamente — são os dois erros mais comuns nesse tema.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um quadro mental: periférica → toda a hemiface + sinal de Bell + corticoides indicados; central → andar inferior contralateral + fronte poupada + investigar AVC. Se a alternativa trouxer "fronte poupada" ou "terço inferior", é central; se trouxer "corticoides contraindicados", está errada.