Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Epidemiologia
Código
qg480867
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tangará da Serra - MT
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Um médico está avaliando um teste diagnóstico para tuberculose. A sensibilidade do teste é 95%, e a especificidade, 90%. Em uma população com alta prevalência da doença (30%), o médico deseja saber a probabilidade de um paciente realmente estar doente após um teste positivo. Esse cálculo está relacionado ao conceito de:
AProbabilidade pré-teste.
BRazão de verossimilhança positiva.
CTaxa de falsos positivos.
DValor preditivo positivo.
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GabaritoD — Valor preditivo positivo.
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Valor preditivo positivo: a probabilidade de doença após um teste positivo
Gabarito: letra D. A probabilidade de um paciente realmente estar doente após um teste positivo é, por definição, o valor preditivo positivo (VPP) do teste — ele depende diretamente da prevalência da doença na população, além da sensibilidade e da especificidade. É exatamente o que o enunciado descreve: com sensibilidade de 95%, especificidade de 90% e prevalência de 30%, o médico quer saber a chance de o paciente estar doente dado que o teste deu positivo.
O valor preditivo positivo é um dos conceitos centrais da epidemiologia clínica e da medicina baseada em evidências. Ele responde à pergunta: "se o teste deu positivo, qual a probabilidade de o paciente realmente ter a doença?". Essa é uma probabilidade condicional — a probabilidade de doença dado um resultado positivo — e não deve ser confundida com a sensibilidade, que responde à pergunta inversa: "se o paciente tem a doença, qual a probabilidade de o teste dar positivo?".
A fórmula do VPP é:
onde VP são os verdadeiros positivos e FP os falsos positivos. Para calcular o VPP a partir da sensibilidade, especificidade e prevalência, podemos usar o Teorema de Bayes. Vamos aplicar os dados do enunciado a uma população hipotética de 1.000 pessoas:
Prevalência de 30%: 300 pessoas têm tuberculose e 700 não têm.
Sensibilidade de 95%: o teste identifica corretamente 95% dos doentes, ou seja, 0,95 × 300 = 285 verdadeiros positivos (VP). Os outros 15 doentes são falsos negativos (FN).
Especificidade de 90%: o teste identifica corretamente 90% dos não doentes, ou seja, 0,90 × 700 = 630 verdadeiros negativos (VN). Os outros 70 não doentes são falsos positivos (FP).
Agora, o total de testes positivos é VP + FP = 285 + 70 = 355. O VPP é:
Ou seja, mesmo com um teste de alta sensibilidade e especificidade, em uma população com prevalência de 30%, a probabilidade de um paciente com teste positivo realmente estar doente é de aproximadamente 80%. Isso mostra como a prevalência influencia diretamente o VPP: quanto maior a prevalência, maior o VPP; quanto menor, menor o VPP — mesmo que sensibilidade e especificidade permaneçam as mesmas.
A pegadinha clássica desta questão é confundir o VPP com a sensibilidade (95%) ou com a razão de verossimilhança positiva. A sensibilidade é uma característica intrínseca do teste, independente da prevalência; o VPP, por outro lado, é uma medida que depende da população em que o teste é aplicado. A razão de verossimilhança positiva (RV+) é outra forma de expressar o quanto um resultado positivo altera a probabilidade pré-teste, mas ela não é, por si só, a probabilidade de doença após o teste positivo — ela é usada para calcular essa probabilidade a partir da probabilidade pré-teste.
Guarde a distinção central: sensibilidade e especificidade são propriedades do teste; valor preditivo positivo e negativo são propriedades que dependem da prevalência. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Doente
Não doente
Teste negativo
Verdadeiro positivo (VP)
Falso positivo (FP)
Teste positivo
Falso negativo (FN)
Verdadeiro negativo (VN)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A probabilidade pré-teste é a probabilidade de o paciente ter a doença antes de realizar o teste — no caso, corresponde à prevalência da doença na população (30%). O enunciado pergunta sobre a probabilidade após um teste positivo, ou seja, a probabilidade pós-teste, que é o VPP. A alternativa confunde o momento da avaliação: pré-teste (antes do exame) versus pós-teste (depois do resultado).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A razão de verossimilhança positiva (RV+) é uma medida que quantifica o quanto um resultado positivo altera a probabilidade pré-teste, sendo calculada como sensibilidade / (1 − especificidade). No caso, RV+ = 0,95 / (1 − 0,90) = 9,5. Ela é uma ferramenta para calcular a probabilidade pós-teste, mas não é, em si, a probabilidade de o paciente estar doente após um teste positivo. A alternativa troca o instrumento de cálculo pelo resultado final.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A taxa de falsos positivos é a proporção de pessoas sem a doença que recebem um resultado positivo, calculada como 1 − especificidade. No caso, é 1 − 0,90 = 10%. Ela representa a probabilidade de um teste positivo em quem não tem a doença, não a probabilidade de doença em quem tem teste positivo. A alternativa inverte a direção da probabilidade condicional.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O valor preditivo positivo (VPP) é exatamente a probabilidade de o paciente estar doente dado que o teste foi positivo. Ele é calculado pela fórmula VP / (VP + FP) e depende da prevalência da doença, da sensibilidade e da especificidade. No exemplo, com prevalência de 30%, sensibilidade de 95% e especificidade de 90%, o VPP é de aproximadamente 80%. A alternativa está correta porque descreve precisamente o conceito que o enunciado pede.
Gabarito: letra D — o valor preditivo positivo é a probabilidade de doença após um teste positivo, e ele depende da prevalência da doença na população.