Paciente com diagnóstico de hemangioblastoma cerebelar e angioma retinal apresenta várias lesões tumescentes heterogêneas renais. Qual diagnóstico abaixo deve ser inicialmente aventado?
AEsclerose tuberosa.
BDoença de Castlemann.
CDoença de Canavan.
DDoença de Von Hippel-Lindau.
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GabaritoD — Doença de Von Hippel-Lindau.
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Hemangioblastoma cerebelar e angioma retinal: Doença de Von Hippel-Lindau
Gabarito: letra D. A associação de hemangioblastoma cerebelar, angioma retinal e lesões renais (cistos e carcinomas de células claras) é a tríade clássica da Doença de Von Hippel-Lindau (DVHL), uma síndrome autossômica dominante causada por mutação no gene supressor de tumor VHL. As demais alternativas não explicam essa combinação específica de achados.
A Doença de Von Hippel-Lindau é uma síndrome hereditária de predisposição a tumores, caracterizada pelo desenvolvimento de hemangioblastomas no sistema nervoso central (especialmente cerebelo e medula espinal) e na retina, além de carcinoma de células renais (CCR), feocromocitoma, cistos renais e pancreáticos, entre outras lesões. O gene VHL, localizado no cromossomo 3, atua como supressor de tumor; sua mutação germinativa leva à formação de tumores em múltiplos órgãos. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de hemangioblastoma do SNC ou da retina, CCR ou feocromocitoma em pacientes de alto risco, podendo ser confirmado por teste genético.
As lesões renais na DVHL são particularmente importantes: o CCR ocorre em até 70% dos pacientes, geralmente bilateral e do tipo células claras, acometendo pacientes mais jovens (idade média de 26 anos). Além do CCR, os pacientes podem apresentar cistos renais simples e angiomiolipomas, que são lesões tumorais heterogêneas. A presença de múltiplas lesões renais em um paciente com hemangioblastoma cerebelar e angioma retinal é altamente sugestiva de DVHL, pois essas três manifestações fazem parte do espectro da doença.
A esclerose tuberosa (alternativa A) também é uma síndrome autossômica dominante que pode cursar com angiomiolipomas renais e tumores do SNC, mas as lesões características são os tubérculos corticais, nódulos subependimários e astrocitomas de células gigantes, além de manifestações cutâneas como manchas hipomelanóticas e angiofibromas faciais. O hemangioblastoma cerebelar e o angioma retinal não fazem parte do espectro da esclerose tuberosa, o que afasta essa hipótese. A Doença de Castlemann (alternativa B) é uma doença linfoproliferativa rara, sem associação com hemangioblastomas ou lesões renais. A Doença de Canavan (alternativa C) é uma leucodistrofia neurodegenerativa, sem relação com tumores renais ou hemangioblastomas.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora a esclerose tuberosa também cause lesões renais (angiomiolipomas) e tumores do SNC, a combinação específica de hemangioblastoma cerebelar + angioma retinal é patognomônica da DVHL. O candidato que memoriza apenas "lesões renais + tumor de SNC" pode ser induzido a escolher a esclerose tuberosa, mas a presença do hemangioblastoma e do angioma retinal direciona inequivocamente para a DVHL.
Doença de Von Hippel-Lindau: Genética (Autossômica dominante, Gene supressor VHL (cromossomo 3)); Manifestações clássicas (Hemangioblastoma cerebelar, Angioma retinal, Carcinoma de células renais (bilateral), Cistos renais e pancreáticos, Feocromocitoma); Diagnóstico (Clínico (tríade), Confirmação genética)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A esclerose tuberosa (complexo da esclerose tuberosa) é uma doença autossômica dominante que causa lesões hamartomatosas em múltiplos órgãos, incluindo angiomiolipomas renais e tumores do SNC (tubérculos corticais, nódulos subependimários, astrocitomas de células gigantes). No entanto, o hemangioblastoma cerebelar e o angioma retinal não fazem parte do espectro da esclerose tuberosa. As manifestações oculares típicas da esclerose tuberosa são os hamartomas retinianos, não os angiomas retinianos. Portanto, a combinação descrita no enunciado não é compatível com essa doença.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A Doença de Castlemann é uma doença linfoproliferativa rara, caracterizada por linfonodos aumentados com proliferação de células foliculares dendríticas. Não há associação com hemangioblastoma cerebelar, angioma retinal ou lesões renais tumorais. É um distrator que não se relaciona com o quadro clínico apresentado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Doença de Canavan é uma leucodistrofia neurodegenerativa autossômica recessiva, causada por deficiência da enzima aspartoacilase, levando ao acúmulo de ácido N-acetilaspártico no cérebro. Manifesta-se com macrocefalia, atraso do desenvolvimento e espasticidade. Não há qualquer relação com hemangioblastomas, angiomas retinianos ou lesões renais tumorais.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Doença de Von Hippel-Lindau é uma síndrome autossômica dominante causada por mutação no gene supressor de tumor VHL (cromossomo 3). O espectro clínico inclui hemangioblastoma do SNC (cerebelo, medula espinal), hemangioblastoma/angioma da retina, carcinoma de células renais (frequentemente bilateral e de células claras), feocromocitoma, cistos renais e pancreáticos. A tríade hemangioblastoma cerebelar + angioma retinal + lesões renais tumorais é altamente sugestiva de DVHL, sendo o diagnóstico inicialmente aventado. O CCR ocorre em até 70% dos pacientes, e as lesões renais podem se apresentar como cistos ou massas heterogêneas, como descrito no enunciado.