Traumatismo cranioencefálico leve em crianças: critérios PECARN
Gabarito: letra D. A criança apresenta TCE leve (GCS 15), sem perda de consciência, sem déficit focal e sem fratura aberta — o que a coloca em risco intermediário segundo o PECARN, justificando observação clínica de 4-6 horas em vez de TC imediata. A conduta mais apropriada é a observação no pronto-socorro, reservando a tomografia para deterioração clínica.
O Pediatric Emergency Care Applied Research Network (PECARN) desenvolveu regras de decisão clínica para identificar crianças com risco muito baixo de lesão intracraniana clinicamente importante após TCE leve, evitando exposição desnecessária à radiação. Para crianças maiores de 2 anos, os fatores de risco que indicam TC imediata incluem: mecanismo de trauma grave (queda de altura > 1,5 m, atropelamento, ejeção de veículo), GCS < 15, vômitos repetidos, sinais de fratura de base de crânio, déficit neurológico focal, alteração do comportamento, perda de consciência prolongada, cefaleia intensa e suspeita de fratura craniana. A ausência de todos esses fatores confere risco muito baixo (< 0,05%) de lesão clinicamente importante, permitindo alta sem imagem.
No caso apresentado, a criança tem 4 anos, caiu de 2 metros (mecanismo de moderado risco), apresenta hematoma frontal (sinal de trauma local), mas está alerta, GCS 15, sem déficit focal e sem fratura aberta. A presença do hematoma e a altura da queda a colocam em categoria de risco intermediário — não tão baixo para liberar sem observação, nem tão alto para exigir TC imediata. A conduta recomendada pelo PECARN para esse grupo é a observação clínica por 4-6 horas, com reavaliação neurológica seriada e TC reservada para novos achados ou deterioração.
A radiografia de crânio não é recomendada na avaliação de TCE leve pediátrico, pois tem baixa sensibilidade (38%) para detectar hemorragia intracraniana e não exclui lesão cerebral. A TC de crânio é o exame padrão-ouro, mas deve ser usada criteriosamente, especialmente em crianças, devido ao risco de radiação e à necessidade de sedação em muitos casos. A observação clínica é uma estratégia segura e eficaz para pacientes de risco intermediário, permitindo identificar deterioração neurológica precocemente sem exposição desnecessária à radiação.
A pegadinha desta questão está na interpretação dos critérios PECARN: a presença de hematoma frontal e queda de 2 metros pode sugerir alto risco, mas a criança não apresenta outros fatores de risco maiores (GCS < 15, vômitos, déficit focal, alteração de comportamento). O PECARN não é uma regra binária — ele estratifica em baixo, intermediário e alto risco, e a conduta varia conforme a categoria. Guarde essa distinção: risco intermediário = observação; alto risco = TC imediata; baixo risco = alta com orientações.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Solicitar TC imediatamente seria indicado para pacientes de alto risco segundo o PECARN, como aqueles com GCS < 15, vômitos repetidos, déficit focal ou mecanismo de trauma grave. A criança tem GCS 15, sem déficit focal e sem fratura aberta — o hematoma frontal e a queda de 2 metros a colocam em risco intermediário, não alto. A TC imediata seria exposição desnecessária à radiação sem indicação clara.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A criança não está em risco muito baixo, pois apresenta hematoma frontal e queda de 2 metros — fatores que a colocam em risco intermediário. O PECARN não recomenda liberação imediata para casa nesse grupo; a conduta é observação clínica por 4-6 horas para monitorar sinais de deterioração. A liberação sem observação seria prematura e contrária à recomendação do protocolo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radiografia de crânio tem baixa sensibilidade (38%) para detectar hemorragia intracraniana e não exclui lesão cerebral. Não é recomendada na avaliação de TCE leve pediátrico, pois pode dar falsa segurança e atrasar o diagnóstico de lesões clinicamente importantes. A TC de crânio é o exame padrão-ouro, mas deve ser usada conforme os critérios clínicos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A criança está em risco intermediário pelo PECARN: GCS 15, sem déficit focal, sem fratura aberta, mas com hematoma frontal e queda de 2 metros. A conduta recomendada é observação clínica por 4-6 horas no pronto-socorro, com reavaliação neurológica seriada. A TC de crânio é reservada para novos achados clínicos ou deterioração neurológica durante a observação, evitando exposição desnecessária à radiação.
Gabarito: letra D