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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg481108
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Tangará da Serra - MT
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico em Urgência e Emergência
Uma criança de 4 anos é trazida à emergência após queda de brinquedo no parque, de uma altura de aproximadamente 2 metros. Os pais relatam que a criança chorou imediatamente após a queda e não teve perda de consciência. No exame físico, há um hematoma frontal grande. A criança está alerta, orientada, com Glasgow Coma Score (GCS) 15, sem sinais neurológicos focais ou fratura craniana aberta. Com base nos critérios do Pediatric Emergency Care Applied Research Network (PECARN) para traumatismo craniano em crianças, qual é a conduta mais apropriada?
  1. ASolicitar uma tomografia computadorizada de crânio imediatamente, pois o hematoma frontal e a altura da queda indicam alto risco de lesão intracraniana clinicamente importante.
  2. BNão solicitar tomografia computadorizada, pois a criança está neurologicamente estável, com GCS 15. Pelo risco de lesão ser baixo segundo o PECARN, a criança pode ser liberada para casa.
  3. CSolicitar uma radiografia de crânio em vez de tomografia, pois ela pode excluir a presença de lesão intracraniana.
  4. DOptar pela observação clínica no pronto-socorro por 4-6 horas para monitorar sinais de deterioração neurológica, sendo a tomografia computadorizada de crânio reservada para novos achados clínicos durante o período de observação.
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GabaritoD — Optar pela observação clínica no pronto-socorro por 4-6 horas para monitorar sinais de deterioração neurológica, sendo a tomografia computadorizada de crânio reservada para novos achados clínicos durante o período de observação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Traumatismo cranioencefálico leve em crianças: critérios PECARN

Gabarito: letra D. A criança apresenta TCE leve (GCS 15), sem perda de consciência, sem déficit focal e sem fratura aberta — o que a coloca em risco intermediário segundo o PECARN, justificando observação clínica de 4-6 horas em vez de TC imediata. A conduta mais apropriada é a observação no pronto-socorro, reservando a tomografia para deterioração clínica.

O Pediatric Emergency Care Applied Research Network (PECARN) desenvolveu regras de decisão clínica para identificar crianças com risco muito baixo de lesão intracraniana clinicamente importante após TCE leve, evitando exposição desnecessária à radiação. Para crianças maiores de 2 anos, os fatores de risco que indicam TC imediata incluem: mecanismo de trauma grave (queda de altura > 1,5 m, atropelamento, ejeção de veículo), GCS < 15, vômitos repetidos, sinais de fratura de base de crânio, déficit neurológico focal, alteração do comportamento, perda de consciência prolongada, cefaleia intensa e suspeita de fratura craniana. A ausência de todos esses fatores confere risco muito baixo (< 0,05%) de lesão clinicamente importante, permitindo alta sem imagem.

No caso apresentado, a criança tem 4 anos, caiu de 2 metros (mecanismo de moderado risco), apresenta hematoma frontal (sinal de trauma local), mas está alerta, GCS 15, sem déficit focal e sem fratura aberta. A presença do hematoma e a altura da queda a colocam em categoria de risco intermediário — não tão baixo para liberar sem observação, nem tão alto para exigir TC imediata. A conduta recomendada pelo PECARN para esse grupo é a observação clínica por 4-6 horas, com reavaliação neurológica seriada e TC reservada para novos achados ou deterioração.

A radiografia de crânio não é recomendada na avaliação de TCE leve pediátrico, pois tem baixa sensibilidade (38%) para detectar hemorragia intracraniana e não exclui lesão cerebral. A TC de crânio é o exame padrão-ouro, mas deve ser usada criteriosamente, especialmente em crianças, devido ao risco de radiação e à necessidade de sedação em muitos casos. A observação clínica é uma estratégia segura e eficaz para pacientes de risco intermediário, permitindo identificar deterioração neurológica precocemente sem exposição desnecessária à radiação.

A pegadinha desta questão está na interpretação dos critérios PECARN: a presença de hematoma frontal e queda de 2 metros pode sugerir alto risco, mas a criança não apresenta outros fatores de risco maiores (GCS < 15, vômitos, déficit focal, alteração de comportamento). O PECARN não é uma regra binária — ele estratifica em baixo, intermediário e alto risco, e a conduta varia conforme a categoria. Guarde essa distinção: risco intermediário = observação; alto risco = TC imediata; baixo risco = alta com orientações.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Solicitar TC imediatamente seria indicado para pacientes de alto risco segundo o PECARN, como aqueles com GCS < 15, vômitos repetidos, déficit focal ou mecanismo de trauma grave. A criança tem GCS 15, sem déficit focal e sem fratura aberta — o hematoma frontal e a queda de 2 metros a colocam em risco intermediário, não alto. A TC imediata seria exposição desnecessária à radiação sem indicação clara.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A criança não está em risco muito baixo, pois apresenta hematoma frontal e queda de 2 metros — fatores que a colocam em risco intermediário. O PECARN não recomenda liberação imediata para casa nesse grupo; a conduta é observação clínica por 4-6 horas para monitorar sinais de deterioração. A liberação sem observação seria prematura e contrária à recomendação do protocolo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radiografia de crânio tem baixa sensibilidade (38%) para detectar hemorragia intracraniana e não exclui lesão cerebral. Não é recomendada na avaliação de TCE leve pediátrico, pois pode dar falsa segurança e atrasar o diagnóstico de lesões clinicamente importantes. A TC de crânio é o exame padrão-ouro, mas deve ser usada conforme os critérios clínicos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A criança está em risco intermediário pelo PECARN: GCS 15, sem déficit focal, sem fratura aberta, mas com hematoma frontal e queda de 2 metros. A conduta recomendada é observação clínica por 4-6 horas no pronto-socorro, com reavaliação neurológica seriada. A TC de crânio é reservada para novos achados clínicos ou deterioração neurológica durante a observação, evitando exposição desnecessária à radiação.

Gabarito: letra D

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